Árvore no Peru indica mudanças climáticas dos últimos 10 milhões de anos

Cientistas esperam que tronco fossilizado ajude a entender melhor como era o clima da América do Sul no passado e como ele será no futuro


Por Redação Galileu


A 4 mil metros de altitude, no sul do Peru, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian, nos Estados Unidos, e de outras instituições encontraram uma árvore fossilizada que revela informações importantes sobre como o clima nos Andes mudou drasticamente durante os últimos 10 milhões de anos. As descobertas foram publicadas na última sexta-feira (28) na revista Science Advances.



Tronco de árvore no Peru mostra mudanças climáticas dos últimos 10 milhões de anos (Foto: Rodolfo Salas Gismondi/Smithsonian Tropical Research Institute)


"Essa árvore e as centenas de amostras fósseis de madeira, folhas e pólen que coletamos na expedição revelam que quando essas plantas estavam vivas o ecossistema era mais úmido do que os modelos climáticos anteriores previam", disse Camila Martínez, uma das autoras do estudo, em comunicado. "Provavelmente, não existe um ecossistema moderno comparável, porque as temperaturas eram mais altas quando esses fósseis foram depositados, há 10 milhões de anos."


A anatomia da madeira petrificada que os pesquisadores descobriram é muito parecida com a de árvores que existem hoje nas florestas tropicais de baixa altitude — o que faz bastante sentido. Como explicam os especialistas, naquela época a região estava a uma altitude de apenas 2 mil metros acima do nível do mar.


Fósseis de 5 milhões de anos nos mesmos locais confirmam que um tipo de ecossistema conhecido como puna, que agora domina os planaltos das montanhas dos Andes, já havia nascido naquele período. As amostras de pólen mais jovens são provenientes de gramíneas e ervas, vegetais comuns ao ecossistema. Além disso, o material foliar era de samambaias, ervas e arbustos, indicando que a vegetação do planalto já havia subido à altitude atual.



Folha de 5 milhões de anos encontrada na região (Foto: Camila Martínez/Smithsonian Tropical Research Institute)


Para os especialistas, o registro fóssil na região indica que tanto a altitude quanto a vegetação mudaram drasticamente em um período relativamente curto. Essas observações, por sua vez, apoiam a hipótese de que a elevação tectônica na região ocorreu em pulsos rápidos.


O estudo fornece pistas para que os cientisdas possam compreender melhor a relação entre a ascensão dos Andes com as mudanças no clima da América do Sul ao longo dos anos. Além disso, de acordo com Martinez, entender como a região era no passado pode ajudar a "prever o futuro".



O ecossistema puna (Foto: Camila Martínez/Smithsonian Tropical Research Institute)


"No final deste século, as mudanças na temperatura e nas concentrações de dióxido de carbono atmosférico irão novamente se aproximar das condições de 10 milhões de anos atrás", explicou Martínez. "Entender as discrepâncias entre os modelos climáticos e os dados baseados no registro fóssil nos ajuda a elucidar as forças motrizes que controlam o clima atual do Altiplano [planalto dos Andes] e, em última análise, do clima em todo o continente sul-americano."

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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