Calor em Bagdá: capital do Iraque, registrou um recorde de 51,8°C

Bagdá, capital do Iraque, registrou um máximo de 51,8°C nos últimos dias de Julho. A grande questão, é que as temperaturas ficaram acima dos 50°C por vários dias e, no país, alguns locais tiveram mínimas em torno dos 45°C.


Por Enzo Campetella e Tiago Robles


Os últimos dias de Julho foram um inferno em grande parte do Iraque, Kuwait e parte do sul do Irã. No dia 28 do mês, a capital Bagdá atingiu seu maior valor histórico de 51,8°C, e valores semelhantes ocorreram em todo o país. Seu vizinho Kuwait, ao sul, registrou valores beirando os 53°C. São patamares de temperatura muito elevados para o corpo humano. Embora esta área seja muito quente, neste ano as ondas de calor estão muito mais intensas e duradouras.


O calor em Bagdá tem sido tão intenso que os chuveiros de rua foram improvisados.


Esses valores estão a poucos graus do recorde de 1913 no Vale da Morte, na Califórnia, de 56,4°C. No entanto, a diferença está na localização. Os registros estão em áreas densamente habitadas.


Não devemos esquecer os detalhes das temperaturas mínimas. Em Bagdá, por exemplo, os menores valores registrados não ficaram abaixo dos 30°C. Em Kut Al Hay, localizado ao sul de Bagdá, em 30 de Julho, a temperatura mínima ficou em 48°C.


Um recorde de 5 anos atrás é quebrado


A temperatura máxima de 51,8°C registrada em Bagdá quebra o recorde anterior de 51°C registrado há 5 anos. Embora esperassem uma elevação nos dias seguintes, esse valor acabou sendo o mais alto. O maior marca registro no Iraque é de 53,8ºC há quatro anos na cidade de Baçorá.


Nesta época do ano, com uma intensa diminuição da umidade do ar e a persistente atuação de sistemas de alta pressão, o deserto consegue se aquecer gradualmente por muitos dias, e chega em um momento em que a perda radiativa noturna não contribue para um diminuição acentuada da temperatura. Assim, com mínimas muito elevadas, resta apenas esperar máximos em torno de 50 °C.


Qualquer pessoa não acostumada a esse clima pode sucumbir em pouco tempo, pois é realmente um patamar extremo para os seres humanos. Por seu lado, a YNetEspañol relata que, mesmo com esse calor, protestos foram realizados em diferentes partes do país contra Mustafa Al Kazimi, o primeiro-ministro iraquiano, que assumiu o cargo há menos de três meses. Entre outras reivindicações, como a falta de emprego, os manifestantes ficaram exasperados com os frequentes cortes de energia que deixam os cidadãos sem ventilação, justamente nesse tipo de situação.


Mínimas acima dos 45°C


Após a guerra que atingiu o Iraque, a infraestrutura do país foi severamente danificada. Por isso, o sistema elétrico é muito fraco e a possibilidade de ter ar-condicionado é muito pequena. Além do fato de que a vida diária não muda mesmo com esses valores de temperatura, muitas pessoas devem passar seus dias em locais onde a sensação de calor pode ser ainda mais elevada.


De qualquer forma, foram improvisados sistemas a fim de conseguir algum refresco. Os vendedores ambulantes tiveram que encontrar outros pontos com mais sombra e se improvisaram chuveiros nas ruas. Deve-se notar também que, além da máxima em Bagdá, as temperaturas acima de 50°C se mantiveram por quatro dias consecutivos, com os dias mais frios com máxima em torno dos 45°C.


O calor em todo o Iraque é constante nesta época do ano. Mas está se tornando mais intenso e duradouro.


Alguns cientistas do clima argumentam que esse tipo de situação pode estar sendo potencializado pelas mudanças climáticas. Além do fato de o clima da região ser extremo no verão, a ocorrência de ondas de calor com máximas persistentes acima de 48°C e mínimas muito altas vem afetando a saúde da população.

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