climadeensinar
https://www.climadeensinar.com.br/informativo-1
Projeto ATTO: Observatório da Torre Alta da Amazônia
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/09/Projeto-ATTO-Observat%C3%B3rio-da-Torre-Alta-da-Amaz%C3%B4niahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/09/Projeto-ATTO-Observat%C3%B3rio-da-Torre-Alta-da-Amaz%C3%B4niaWed, 09 Jan 2019 20:40:39 +0000
]]>
Os segredos do clima guardados pela ilha mais isolada do mundo
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/01/Os-segredos-do-clima-guardados-pela-ilha-mais-isolada-do-mundohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/01/Os-segredos-do-clima-guardados-pela-ilha-mais-isolada-do-mundoWed, 09 Jan 2019 20:37:00 +0000
Ilha de Bouvet, no sul do Ártico, tem atraído a atenção de cientistas pelas preciosas informações sobre mudança climática que pode revelar.
"É impressionante, bonito e assustador trabalhar aqui."
É assim que a pesquisadora Liz Thomas descreve a sensação de trabalhar na inóspita Ilha Bouvet, uma pequena rocha vulcânica no Atlântico Sul. Esse território no meio do oceano, ao sul da Antártica, com altos penhascos cobertos por gelo, fica a milhares de quilômetros da civilização.
O clima lá não ajuda. As condições meteorológicas podem se deteriorar de maneira imprevisível. Em um momento, o céu está claro, mas no outro, você se vê rodeado por nuvens e névoas. Não é a toa que navegadores chamam Bouvet de a ilha mais remota do mundo e escritores e diretores de filmes de ficção científica a mencionam ou descrevem em livros e roteiros.
Mas essa ilha solitária tem chamado cada vez mais a atenção de cientistas pelo quanto ela pode nos informar sobre o clima da Antártica no passado.
Bouvet está em posição privilegiada para prover informações valiosas, já que ela se situa em um meio a um cinturão de ventos do oeste que têm efeito profundo na mudança climática.
Eles contribuem, por exemplo, para o aumento do nível do mar, ao mover para a superfície águas quentes do fundo do oceano que, então, derretem geleiras.
"Sabemos, por meio do histórico de observações, que esses ventos têm aumentado de força, mas esses registros só vão até 30 ou 40 anos atrás", diz Liz Thomas, do instituto de pesquisa British Antarctic Survey (BAS).
"O que nos interessa é saber se esse aumento da força do vento é resultado de uma variação natural. Eles aumentam em velocidade e depois diminuem? Ou isso é algo incomum, um efeito do impacto humano sobre o clima?", questiona.
Thomas e colegas pesquisadores recentemente desceram até a ilha de helicóptero - a única maneira de chegar lá - para coletar amostras de um núcleo de gelo. Os flocos de neve compactados são como um filme que registra o passado.
Quanto mais forte e rápido o sopro do vento, mais neve deve ser incorporada ao núcleo. E há outros marcadores. Diátomos - uma alga minúscula - que vivem na superfície do oceano são transportados da água para a neve.
Quanto mais vento, mais concentrada é a presença desses organismos nas camadas de neve da Ilha de Bouvet.
Gelo no mar
E não é apenas o registro do vento que a equipe de Thomas quer computar.
O grupo quer saber o tamanho do deslocamento anual de gelo nas águas, vindo da Antártica. Em alguns anos, as correntes chegam a empurrar o gelo até Bouvet.
A estudante de doutorado Amy King está examinando o núcleo de um composto orgânico específico que chegou até a ilha e que pode servir de base para entender as condições do gelo no mar existentes no passado.
Esse composto orgânico é um químico associados com uma alga que floresce no mar quando o volume de gelo diminui (pelo derretimento), liberando pigmentos fotossintéticos.
"Quanto mais gelo sobre as águas a gente recebe no inverno, maior o volume (desses químicos). Quando o gelo derrete na primavera, há uma área maior para o fitoplâncton crescer", explica King.
"Quanto mais fitoplâncton, mais desses compostos e ácidos metasulfônicos vamos encontrar no núcleo do gelo. Então, se estamos vendo compostos dessas origens no gelo, isso significa que houve um volume maior de gelo sobre as águas este ano (vindo da Antártica)."
As descobertas do time de Thomas foram apresentadas na American Geophysical Uninon, o maior encontro anual de cientistas que estudam a Terra e o espaço.
O pedaço de 14 metros de gelo retirado de Bouvet pela equipe de pesquisadores só traz dados sobre as condições de gelo aquático e de vento de 2001 para cá. Mas cientistas estão convencidos de que, se o grupo puder retornar à ilha, vai encontrar áreas de gelo e neve com registros mais antigos.
"Só ficamos em Bouvet por algumas horas, porque só podíamos trabalhar numa janela climática boa e tivemos que deixar a ilha rapidamente quando as nuvens começaram a baixar", explica Thomas.
"Mas eu definitivamente acho que existe a possibilidade de voltar lá e coletar um núcleo mais profundo de gelo que traga informações de centenas de anos, se não milhares, sobre as variações climáticas."
A pesquisa de Thomas foi feita em conjunto com as universidades de Maine, nos Estados Unidos, e Copenhague, na Dinamarca. Foi conduzida como parte da expedição antártica liderada pelo instituto de pesquisa Swiss Polar.
Fonte: https://goo.gl/D4RFfv
]]>
Pesquisadores usam torre na Amazônia para investigar relação da floresta com o clima global
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Pesquisadores-usam-torre-na-Amaz%C3%B4nia-para-investigar-rela%C3%A7%C3%A3o-da-floresta-com-o-clima-globalhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Pesquisadores-usam-torre-na-Amaz%C3%B4nia-para-investigar-rela%C3%A7%C3%A3o-da-floresta-com-o-clima-globalTue, 08 Jan 2019 20:27:00 +0000
Maria Fernanda Ziegler, em Uatumã | Agência FAPESP – Para fazer ciência na Amazônia, além de enfrentar longos desafios logísticos, também é preciso subir degraus. Muitos deles. Quase 1,5 mil e, se possível, de uma só vez. O esforço vale a pena, pois tem levado a descobertas sobre o impacto tanto das mudanças climáticas na Amazônia quanto da floresta no clima de todo o planeta.
A escadaria em questão está na Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), com 325 metros de altura – ou quase o mesmo que três edifícios Copan empilhados. A torre fica a 150 km de Manaus (AM), na Estação Científica do Uatumã. É lá que cientistas instalam equipamentos capazes de captar informações sobre os fluxos de troca entre a floresta e a atmosfera.
São análises de concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, do balanço de radiação e de fluxos de ozônio e aerossóis – partículas líquidas ou sólidas em suspensão no ar –, entre outros indicadores importantes para que se forme um panorama da importância da floresta amazônica.
Antônio Huxley do Nascimento sobe até o topo da torre diariamente quando está na Estação Científica, cerca de 10 dias por mês. Ele é técnico em instrumentação do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e monitora a operação de alguns dos mais de 100 equipamentos instalados na torre ATTO. Para subir, ele usa equipamento de segurança que inclui cinturão, mosquetões e cordão presos à cintura e ao corrimão da escadaria.
Nascimento verifica dados e o funcionamento dos equipamentos. “São equipamentos que coletam dados complexos o tempo inteiro, não pode haver interrupção. Eles geram uma quantidade enorme de dados e as informações são acessadas pelos pesquisadores em seus laboratórios no Brasil e na Alemanha. Mas é preciso ver constantemente se está tudo funcionando bem na torre”, disse à Agência FAPESP.
Em funcionamento desde 2015, a construção da torre custou € 8,4 milhões, financiados metade pelo governo alemão e pelo Instituto Max Planck e a outra metade pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) do Brasil, com recursos da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep). Agências de fomento estaduais, como a FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), financiam projetos de pesquisa na torre.
Na reserva existem ainda outras duas torres mais baixinhas, com 80 metros cada, usadas para o estudo de gases e aerossóis. Nelas é possível ter uma perspectiva mais próxima do dossel e não sobre a floresta, como ocorre com a torre ATTO.
A copa das árvores chega geralmente até 40 metros de altura, ou um oitavo da torre ATTO. Nessa etapa da subida da torre, é possível sentir a variação da umidade da floresta. Bem mais acima, a uns 170 metros de altura, um vento forte toma a torre. No entanto, ela não balança, pois está fixada também por longos e fortes cabos de aço. No topo, vê-se a imensidão da floresta, geralmente acompanhada por um enorme silêncio. De resto, só alguns pássaros conseguem parar no alto da torre, ou deixar lembranças por lá.
A Amazônia desempenha um papel importante nos ciclos biogeoquímicos globais de gases de efeito estufa. “A floresta amazônica é de extrema importância, principalmente por ser um bioma único no mundo, em região tropical. É a maior extensão de floresta tropical e o único lugar onde a própria floresta tem mecanismos de controle de seu clima interno, impactando muito de nosso planeta”, disse Paulo Artaxo, professor titular no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Essas características da floresta amazônica permitem que ela tenha mecanismos de regulação climática sobre a região.
“A floresta controla o balanço de energia, o fluxo de calor latente e sensível, o vapor d’água e os núcleos de condensação de nuvem que vão intensificar o seu ciclo hidrológico. E isso só é possível se houver uma extensão muito grande de floresta contígua. Quando ela é fragmentada, deixa de ter essa propriedade”, disse o também membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.
Artaxo coordena a pesquisa "O ciclo de vida dos aerossóis e nuvens na Amazônia". Apoiada pela FAPESP, a pesquisa vai calcular o transporte de aerossóis a partir de medidas obtidas na torre ATTO, em Chacaltaya – a 5.250 metros de altitude nos Andes bolivianos – e em barcos e aviões.
O pesquisador também coordenou o href="https://bv.fapesp.br/pt/376/">Green Ocean Amazon Experiment (GOAmazon), campanha científica que buscou entender como os ciclos de vida dos aerossóis e das nuvens são influenciados pelo transporte de poluentes de Manaus para regiões de floresta tropical. O GOAmazon foi realizado de 2013 a 2018 e teve apoio da FAPESP, do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) e da Fapeam.
A análise de dados coletados na torre ATTO e em outros locais da Amazônia permitiu ao projeto GoAmazon fazer descobertas importantes sobre a dinâmica da floresta amazônica e sua relação com as mudanças climáticas. A partir de dados obtidos na torre, pesquisadores descobriram que o processo de aquecimento global pode ser ainda mais intenso do que o previsto originalmente caso não se consiga frear o desmatamento.
O grupo de pesquisadores reproduziu matematicamente as condições atmosféricas atuais do planeta, incluindo concentrações de aerossóis, compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês) antropogênicos e biogênicos, ozônio, CO2, metano e também os demais fatores que influenciam na temperatura global. De acordo com o estudo, essa maior intensidade de aquecimento está relacionada principalmente às mudanças nas emissões de BVOCs (compostos orgânicos voláteis biogênicos) pelas florestas tropicais.
Outro estudo, publicado na Nature Communications, reforçou a importância da Amazônia na regulação química da atmosfera. Pesquisadores do GoAmazon descobriram que a floresta amazônica emite três vezes mais isopreno do que o estimado anteriormente. A substância é um dos principais precursores do gás ozônio.
Aerossóis e ozônio
Um terceiro trabalho, publicado na revista Science, mostrou que na floresta tropical as partículas ultrafinas de poluição emitidas pelas cidades – e que costumam ser desprezadas para o impacto da poluição urbana – afetam substancialmente a formação das nuvens de tempestade na Amazônia.
Os resultados obtidos ajudam na compreensão de como a poluição urbana afeta os processos relacionados à formação de tempestades na Amazônia.
“É um quebra-cabeça e nós tentamos justamente identificar novas peças para contar a história completa”, disse Luciana Varanda, professora da Unifesp e integrante do GoAmazon.
Varanda faz estudos também na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, e na reserva do Cuieras, que fica a 60 km de Manaus (AM). “Estamos comparando observações no ATTO e nesses outros dois pontos e os resultados são semelhantes. Isso indica que essa floresta, apesar de ser mais próxima de Manaus, na maior parte do tempo tem condições originais da floresta preservada”, disse.
Os cientistas do GoAmazon utilizam equipamentos de última geração instalados nas torres.
“Eles funcionam automaticamente, coletam o ar e analisam com alta precisão a concentração de dióxido e monóxido de carbono – indicadores de ação do homem. Também medimos o ozônio, que é um poluente importante na troposfera. E ainda temos equipamentos que analisam detalhadamente as propriedades físico-químicas dos aerossóis. São análises em tempo real de composição química e de propriedades ópticas que indicam a interação dos aerossóis com a radiação solar e a fotossíntese da floresta”, disse Varanda.
Artaxo explica que as torres foram construídas em locais onde recebem quantidade mínima de poluição urbana.
“A poluição de Manaus atinge a torre ATTO muito esporadicamente, coisa de alguns dias por ano. Na maior parte do tempo, a torre recebe uma das massas de ar mais limpas que temos no planeta, que é transportada por 2 mil quilômetros desde o Atlântico Tropical, ao longo de uma região que não tem nenhuma grande área urbana. Isso é o que faz a torre ser muito especial do ponto de vista de monitoramento atmosférico de gases do efeito estufa, partículas de aerossóis, nuvens, radiação etc.”, disse à Agência FAPESP.
Para Artaxo, medições desse tipo na Amazônia são de extrema importância, tanto que só existem outras duas torres no mundo com características semelhantes à torre ATTO.
“Existe a torre Zotto, que fica na Sibéria, com 302 metros de altura, e uma torre alta que fica em Wisconsin, a WLEF, nos grandes lagos na América do Norte. Elas medem o balanço de carbono e propriedades atmosféricas. A torre ATTO é a única localizada em regiões tropicais, que são regiões estratégicas do ponto de vista de balanço de carbono e hidrologia global”, disse.
“O ATTO é um grande grupo integrado de pesquisadores e o mais importante é que estamos fazendo tudo no mesmo lugar. Há um intercâmbio grande entre os pesquisadores, não só de conhecimento, mas de dados, análises e também de metodologia de pesquisa”, disse Susan Trumbore, pesquisadora do Instituto Max Planck e coordenadora do lado alemão do projeto.
O objetivo é que cada projeto de pesquisa tenha um equilíbrio entre brasileiros e alemães. “Futuramente, pretendemos abrir a pesquisa para cientistas de outras nacionalidades”, disse Trumbore.
Na reserva são feitas pesquisas em fisiologia da vegetação, meteorologia, hidrologia, vegetação, gases do efeito estufa, entre muitas outras áreas.
“É essencial a colaboração entre os pesquisadores. Por exemplo, digamos que estudamos aerossóis e notamos que um gás específico está com concentração alterada. A primeira providência é contatar os colegas que estão medindo essa partícula. Depois, analisamos dados de satélites, de vento e de grande escala da vegetação. É importante estar conectado com diferentes áreas, pois a floresta é um sistema dinâmico complexo”, disse Stefan Wolff, pesquisador do Instituto Max Planck de Química.
Um exemplo de colaboração entre pesquisadores está no experimento supervisionado por Fernanda da Luz, que acabou de defender mestrado no Inpa. Ela integra a equipe de um estudo sobre a influência da diversidade vegetal e do solo na composição molecular da matéria orgânica dissolvida no solo. O experimento faz parte do projeto de doutorado de um pesquisador do Instituto Max Planck de Biogeoquímica.
De 15 em 15 dias, Luz coleta amostras de água para análise do carbono orgânico. As análises das amostras são realizadas no laboratório de hidrologia do Inpa.
Amazônia como um todo
Trumbore explica que para entender a complexidade da interação da floresta com a atmosfera é necessário também fazer pesquisas de solo e da vegetação. “Particularmente, a minha pesquisa não usa a torre. Ela envolve fazer buracos no solo em vez de subir na plataforma”, disse.
Para ela, o mais positivo do projeto como um todo é tentar entender processos complexos. “Ao mesmo tempo que medimos os fluxos atmosféricos, precisamos entender o porquê. Por isso estudamos solo, árvores, folhas, a relação simbiótica de liquens e muitos outros aspectos. Eu fico com a parte dos porquês. A reserva científica também serve de apoio para pesquisas de vegetação”, disse.
O metano, gás importante para o efeito estufa, é emitido pelo solo e em áreas inundadas. “No nível global a bacia amazônica é uma fonte global de metano. Queremos saber como isso vai se alterar com as mudanças climáticas e o aquecimento global”, disse Trumbore.
Artaxo destaca que a torre ATTO tem que funcionar a médio e longo prazo para fazer diagnósticos precisos do que está ocorrendo com o ecossistema amazônico.
“Ele está perdendo carbono para a atmosfera? Está absorvendo? A chuva está diminuindo ou aumentando? São questões fundamentais tanto para responder questões relacionadas ao Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, quanto questões para que possamos fazer um diagnóstico preciso e o mais cedo possível do estado atual do funcionamento do ecossistema amazônico”, disse.
Fonte: https://goo.gl/QBEs5g
]]>
Microusinas solares serão instaladas em 100 escolas públicas de BH
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Microusinas-solares-ser%C3%A3o-instaladas-em-100-escolas-p%C3%BAblicas-de-BHhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Microusinas-solares-ser%C3%A3o-instaladas-em-100-escolas-p%C3%BAblicas-de-BHTue, 08 Jan 2019 20:21:00 +0000
Primeira usina foi instalada em escola estadual no centro da capital mineira.
A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e o governo de Minas Gerais estão iniciando a segunda etapa das ações de eficiência energética na área da educação que atenderá 600 escolas públicas estaduais em todo o estado. Nesta etapa, além da substituição do sistema de iluminação por LED, serão instaladas 100 microusinas fotovoltaicas.
A inauguração da primeira usina na Escola Estadual Pandiá Calógeras, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul da capital, foi realizada em dezembro. A iniciativa faz parte do Programa Energia Inteligente da Cemig e prevê a instalação de mais 99 usinas em escolas públicas estaduais da Região Metropolitana de Belo Horizonte até o final de 2020.
De acordo com o analista de eficiência energética Neander Lima, da Cemig, o período de geração da usina solar fotovoltaica instalada na instituição de ensino pode se estender em até 12 horas por dia. “A potência total instalada de cada usina é de 5 kWp (quilowatt-pico) e foi pensada em função do espaço disponível nos telhados das escolas públicas que serão contempladas”, afirma.
Com esse empreendimento e a substituição da iluminação, iniciativa da Cemig que também trará benefícios aos alunos e colaboradores, a instituição de ensino terá uma economia de energia elétrica de até 56%. Além dessa economia, a instalação da usina solar fotovoltaica nas instituições de ensino deve aproximar os alunos de novas tecnologias voltadas à sustentabilidade e do conhecimento sobre fontes limpas, acrescenta Neander Lima.
Substituição de iluminação nas escolas
As iniciativas de modernização da iluminação em escolas foram iniciadas em 2017 e, até o momento, já atenderam 154 escolas públicas e Escolas Família Agrícola, instituições rurais comunitárias. Até 2020, a Cemig prevê o atendimento de outras 600 escolas que serão contempladas com a troca de lâmpadas de alto consumo por outras de LED.
Segundo Neander Lima, na primeira fase dessa ação, a implantação de lâmpadas com tecnologia LED nas escolas sinalizou ganhos significativos não só para a redução da demanda de energia como no desenvolvimento escolar dos alunos. “Isso porque a qualidade da iluminação traz impactos diretos na concentração e no foco dos alunos, conforme relatos recebidos dos profissionais de educação e próprios estudantes”, salienta.
A redução dos custos de manutenção das escolas também é um dos benefícios da iniciativa, considerando a durabilidade dos novos equipamentos, fator que minimiza, ainda, os impactos ambientais com o descarte excessivo de materiais. No caso da ação, por exemplo, ocorre a reciclagem de todos os equipamentos substituídos. Para atender as 600 escolas a Cemig investirá, por meio do Programa Energia Inteligente, R$ 12,3 milhões de reais. Tal programa promove o uso racional da energia elétrica e a redução do desperdício desse recurso com foco na sustentabilidade.
Fonte: https://goo.gl/xGEP7x
]]>
Com 42,2 graus, Rio bate novo recorde de temperatura
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Com-422-graus-Rio-bate-novo-recorde-de-temperaturahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/08/Com-422-graus-Rio-bate-novo-recorde-de-temperaturaTue, 08 Jan 2019 19:59:00 +0000
Por Douglas Corrêa
A cidade do Rio de Janeiro bateu recorde de temperatura nesta terça-feira (8), quando os termômetros do Sistema Alerta Rio marcaram 42,2º Celsius (°C). A marca foi registrada às 11h45 na Estação Meteorológica Guaratiba, na zona oeste do Rio. A temperatura mínima do dia, 23º C, foi no Alto da Boa Vista, às 5h30.
De acordo com a meteorologia, um sistema de alta pressão permaneceu hoje influenciando o tempo na cidade. Assim, o céu variou de claro a nublado e houve registro de chuva moderada em pontos isolados da zona oeste. Os ventos ficaram com intensidade fraca a moderada, e as temperaturas mantiveram-se estáveis em relação ao dia de ontem. Devido ao calor e à umidade, há uma nova possibilidade de pancadas de chuva isoladas na noite de hoje. À tarde choveu forte em Petrópolis, na região serrana do estado, na Baixada Fluminense e também na zona oeste da cidade, principalmente em Guaratiba e Campo Grande.
A persistência do sistema de alta pressão ocasionou predomínio de céu claro, temperaturas elevadas e ventos fracos a moderados, resultando na elevação das concentrações dos poluentes. Assim, a qualidade do ar ficou classificada como regular na maior parte dos locais monitorados e inadequada em Bangu, na zona oeste, e no bairro de Irajá, na zona norte.
Mais calor
Para esta quarta-feira (9), o Alerta Rio prevê mais um dia de céu claro e muito calor no Rio de Janeiro. A temperatura máxima pode atingir os 39º C. A mínima ficará em torno dos 22º C.
Fonte: https://goo.gl/Yz3RSZ
]]>
FAPESP e União Europeia apoiarão pesquisas em poluição oceânica por microplásticos
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/04/FAPESP-e-Uni%C3%A3o-Europeia-apoiar%C3%A3o-pesquisas-em-polui%C3%A7%C3%A3o-oce%C3%A2nica-por-micropl%C3%A1sticoshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/04/FAPESP-e-Uni%C3%A3o-Europeia-apoiar%C3%A3o-pesquisas-em-polui%C3%A7%C3%A3o-oce%C3%A2nica-por-micropl%C3%A1sticosFri, 04 Jan 2019 20:32:00 +0000
Agência FAPESP – A FAPESP lançou uma chamada para selecionar projetos colaborativos visando a redução da poluição oceânica por microplásticos, em suporte aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e com vistas à implementação dos objetivos da Declaração de Belém sobre Cooperação Atlântica.
A chamada foi lançada em conjunto com a União Europeia por meio da Iniciativa JPI Oceans e com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).
Entre as instituições dos diversos países participantes da chamada estão a Secretaría de Estado de Investigación, Desarrollo e Innovación (SEIDI) da Agencia Estatal de Investigación (AEI), na Espanha, a Agence Nationale de la Recherche, na França, o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de Portugal, com as quais a FAPESP mantêm acordos de cooperação.
Os temas de pesquisa da chamada devem ampliar os conhecimentos sobre as principais origens da produção de microplásticos, focando em métodos analíticos para identificação de micro e nanoplásticos, no monitoramento de sua distribuição e abundância em sistemas marinhos e dos efeitos que lhe imputam e, ainda, no desenho de estratégias que reduzam o despejo de plásticos nos mares, incluindo inovações em reciclagem, conscientização pública, mudanças comportamentais e análises socioeconômicas.
As propostas enviadas à FAPESP devem ter um pesquisador proponente no Estado de São Paulo e ao menos dois pesquisadores parceiros estrangeiros, cada um de um país diferente entre aqueles que participam da chamada. Atendida a composição mínima exigida, a participação de pesquisadores parceiros de outros estados brasileiros é encorajada.
No Estado de São Paulo, a FAPESP financiará pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa, na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, com adaptações específicas para esta chamada. As propostas devem ter duração de até três anos e orçamento máximo de R$ 100 mil anuais.
Proponentes do Estado de São Paulo deverão encaminhar suas propostas exclusivamente via SAGe, simultaneamente à submissão da proposta via JPI Oceans a ser feita pelo pesquisador coordenador da proposta, em conformidade com os procedimentos descritos na chamada internacional www.jpi-oceans.eu/calls/proposals/microplastics-marine-environment. A data-limite para submissão de propostas é 28 de fevereiro de 2019.
Instruções completas para pesquisadores do Estado de São Paulo estão disponíveis em: www.fapesp.br/12194.
Fonte: https://goo.gl/CHmknE
]]>
'Escolhi não ter filhos como forma de ajudar o planeta'
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/04/Escolhi-n%C3%A3o-ter-filhos-como-forma-de-ajudar-o-planetahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2019/01/04/Escolhi-n%C3%A3o-ter-filhos-como-forma-de-ajudar-o-planetaFri, 04 Jan 2019 20:12:00 +0000
O impacto dramático da mudança climática sobre a ilha em que vive fez Jason McGregor e sua mulher decidirem não ter filhos. "É algo que posso fazer pelo meio ambiente", disse o canadense, que faz parte de um grupo crescente de pessoas que escolhem não ter filhos por motivos ambientais.
"Momentos drásticos pedem medidas drásticas", disse à BBC Jason MacGregor.
"Sou da Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá. Temos tido tempestades fortíssimas que estão afetando de forma dramática os nossos portos", diz o ambientalista.
"Os furacões estão mais fortes devido a uma corrente mais quente que vem do Golfo", explica.
Sua ilha é especialmente vulnerável à erosão costeira que resulta do aumento do nível do mar. Com isso, decidiu, para contribuir, renunciar a ser pai.
"É muito triste e frustrante ver como a mudança climática está tendo impacto no lugar onde vivo", lamenta.
"Então, decidi não ter filhos para ajudar a combater a mudança climática."
Grão de areia
Segundo MacGregor, que se descreve como um cidadão global, "o complicado do combate à mudança climática é que menos é mais. É preciso usar menos recursos, ter menos filhos, comer menos carne, dirigir menos, viajar menos".
"Tenho uma namorada e estamos de acordo. Tivemos uma conversa profunda sobre não ter filhos e sobre ajudar a combater a mudança climática", conta ele.
"Não é algo leve para nós, e sempre há o medo de nos arrependermos", reconhece.
"Mas se puder fazer minha parte ao não ter filhos, isso é algo bom que posso fazer pelo meio ambiente."
Um de muitos
MacGregor faz parte de um grupo crescente de pessoas que, em diferentes partes do mundo, decidiram não procriar para ajudar o planeta.
Por exemplo, para Audrey García, espanhola de 39 anos, "não é ético ter filhos biológicos".
"Não num mundo superpopuloso, onde falta água e comida para muitos, onde estamos destruindo o meio ambiente, onde não paramos de consumir mais e mais recursos", disse ela à BBC Mundo em março de 2018.
"Não quando se pode adotar", insiste.
Anna, do Reino Unido, disse à BBC em abril de 2018 que não terá filhos porque quer "salvar o planeta".
A ideia de ter filhos nunca pareceu muito atraente para ela, mas, além disso, se deu conta de que "o melhor que poderia fazer pelo meio ambiente era não ter filhos".
"Hoje me considero uma ambientalista e vivo da forma mais sustentável possível", disse a jovem de 35 anos, que é vegana, só anda de bicicleta e só lava o cabelo uma vez por mês.
"É evidente que ter filhos te transforma num consumidor de recursos. Não quero dizer que ninguém deveria tê-los, mas é um fato. Se engravidasse, faria um aborto", disse, categórica.
A piloto profissional de carros de corrida Leilani Munter também virou ativista e quer chamar atenção para o problema da superpopulação mundial.
"Temos que normalizar não ter filhos para que possamos salvar o planeta", disse à BBC.
Munter decidiu não tê-los quando tinha seus 20 anos de idade.
'Um filho a menos'
Esses argumentos têm base em estudos como um publicado en 2017 no site especializado Environmental Research Letters.
Nele, Seth Wynes e Kimberly A. Nicholas dizem que "a mudança climática antropogênica atual é resultado do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, que é a soma de milhões de decisões individuais".
Após levarem em conta uma gama de opções de estilo de vida, os pesquisadores da Universidade da British Columbia, no Canadá, e da Universidade de Lund, na Suécia, identificaram quatro recomendações para reduzir substancialmente as emissões individuais.
Uma delas é não ter filhos, que, no caso dos países desenvolvidos, significaria uma redução de 58.6 toneladas de CO2 por ano, em média, dizem.
As outras três são não usar automóveis, evitar viagens de avião e ter uma dieta baseada em plantas.
Fonte: https://goo.gl/ci7rKe
]]>
Quais são os países mais vulneráveis a sofrerem desastres climáticos?
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/29/Quais-s%C3%A3o-os-pa%C3%ADses-mais-vulner%C3%A1veis-a-sofrerem-desastres-clim%C3%A1ticoshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/29/Quais-s%C3%A3o-os-pa%C3%ADses-mais-vulner%C3%A1veis-a-sofrerem-desastres-clim%C3%A1ticosSat, 29 Dec 2018 20:34:00 +0000
Estudo mostra que 9 das 15 nações com maior risco de passarem por desastres são ilhas. Uma em cada quatro crianças vive em área afetada.
Um novo estudo afirma que 9 dos 15 países com maior risco de sofrerem desastres naturais, incluindo aqueles relacionados a mudanças climáticas, são ilhas.
O World Risk Report 2018 (Relatório de Risco Mundial 2018, em tradução livre) analisa o risco de terremotos, tsunamis, furacões e inundações em 172 países - e também avalia a capacidade que eles têm de responder a eventos como esses.
O estudo é da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha, e da Development Helps Alliance, uma aliança de ONGs humanitárias alemãs.
Ele foi divulgado num momento em que a Indonésia registra pelo menos 429 mortos e 150 desaparecidos em decorrência de um tsunami que atingiu a costa do país no último sábado.
A região está localizada entre a Ásia continental e a Oceania, sendo esta última a área considerada mais vulnerável a desastres naturais, de acordo com os pesquisadores.
Top 15
No relatório, os pesquisadores destacaram a difícil situação das crianças nessas áreas marcadas pela vulnerabilidade - cerca de uma em cada quatro crianças no mundo vive em uma área afetada por desastres.
Além disso, dados da ONU mostram que mais da metade das pessoas desalojadas por conflitos ou desastres naturais em 2017 tinham menos de 18 anos.
As ilhas estão no topo da lista devido à vulnerabilidade a fenômenos climáticos, incluindo o aumento do nível do mar.
A pequena ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, foi considerada a nação mais vulnerável do mundo, seguida pela vizinha Tonga.
Ilhas
O arquipélago das Filipinas, com uma população de mais de 104 milhões de pessoas, está em terceiro lugar.
Embora a Oceania tenha sido, em geral, a região considerada de maior risco pelos pesquisadores alemães, países da África não apenas figuram de forma expressiva entre os 50 principais países com probabilidade de sofrer um desastre natural como também correspondem a 13 dos 15 com maior "vulnerabilidade social" a desastres.
Segundo o relatório, o Catar é o país com o menor risco.
Vulnerabilidade social
Os pesquisadores destacaram a necessidade de preparação para desastres naturais extremos, usando como exemplo positivo a forma como as nações europeias reagiram à onda de calor que atingiu o continente na primavera e no verão, causando secas que afetaram diretamente a agricultura.
"Foi a vulnerabilidade relativamente baixa dos países afetados pela seca que os poupou do desastre", escreve Katrin Radtke, professora da Universidade Ruhr de Bochum.
O índice de risco é calculado levando em conta não só a probabilidade de um desastre natural acontecer mas também como um país está preparado para um evento do tipo, considerando fatores como normas de construção, níveis de pobreza e os planos existentes para uma eventual crise.
Isso explica por que nações com histórico de desastres naturais, como o Japão e o Chile, atingidos por terremotos, não estão entre os 20 países de maior risco.
Ou como a Holanda, que há séculos tem lutado contra o nível do mar, ocupa apenas a posição número 65.
"Esses países não conseguem reduzir o suficiente os possíveis riscos decorrentes de eventos naturais, mas eles não são os mais vulneráveis", diz o relatório.
"Em relação ao clima, 2018 foi um ano surpreendente, e de aprendizado. Mais uma vez, ficou claro que estar bem preparado para eventos naturais extremos é fundamental", disse Angelika Bohling, presidente da Development Helps Alliance.
Fonte: https://goo.gl/iSCPsR
]]>
Resex Solar - Produtoras de Energia Limpa
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/20/Resex-Solar---Produtoras-de-Energia-Limpahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/20/Resex-Solar---Produtoras-de-Energia-LimpaThu, 20 Dec 2018 02:08:14 +0000
]]>
União Europeia decide banir plástico descartável
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Uni%C3%A3o-Europeia-decide-banir-pl%C3%A1stico-descart%C3%A1velhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Uni%C3%A3o-Europeia-decide-banir-pl%C3%A1stico-descart%C3%A1velThu, 20 Dec 2018 01:53:26 +0000
O acordo provisório negociado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros.
Depois, a medida deve entrar em vigor em dois anos. Decisão deve impactar indústria que movimenta 340 bilhões de euros e mudar hábitos dos europeus.
Um plano de regulamentação da União Europeia (UE) para proibir produtos plásticos descartáveis, como pratos descartáveis e canudos, foi aprovado em Bruxelas nesta quarta-feira (19). Espera-se que a medida, uma vez aprovada pelo Parlamento Europeu e os países-membros, entre em vigor em dois anos.
A ministra de Turismo e Sustentabilidade da Áustria, Elisabeth Koestinger, anunciou o acordo político em seu Twitter e descreveu o momento como "um marco nos esforços para reduzir o lixo plástico". A Áustria detém atualmente a presidência rotativa da União Europeia.
O acordo provisório foi negociado por representantes dos Estados-membros e do Parlamento Europeu. A proibição deve entrar em vigor em dois anos e visa ajudar a conter as quantidades astronômicas de lixo plástico que acabam por poluir o meio ambiente e os oceanos. Inicialmente, a proibição afetará somente objetos para os quais existem alternativas melhores.
Em maio, a Comissão Europeia propôs regras em toda a União Europeia para eliminar itens plásticos descartáveis para os quais existem alternativas feitas de outros materiais prontamente disponíveis. Bruxelas propôs também medidas para reduzir o uso de itens como recipientes de plástico para levar comidas de estabelecimentos.
A Comissão Europeia argumentou na época que 80% dos resíduos encontrados nos mares são de plástico. Ela também constatou que pouco menos de um terço dos resíduos plásticos é coletado e reciclado, e a maior parte dos resíduos restantes acaba nos mares e oceanos.
Devido a sua lenta decomposição, os plásticos representam um problema particular para os oceanos. Traços de plásticos podem ser encontrados em espécies como baleias, tartarugas e aves, além de frutos do mar que acabam na cadeia alimentar humana. Segundo dados oficiais sobre 2015, a indústria de plásticos movimenta 340 bilhões de euros e emprega 1,5 milhão de trabalhadores.
Com as medidas, a Comissão Europeia projeta reduzir as emissões de dióxido de carbono em 3,4 milhões de toneladas. Segundo cálculos, danos ambientais no valor de 22 bilhões de euros podem ser evitados até 2030. E os consumidores poderiam economizar até 6,5 bilhões de euros.
A ofensiva de Bruxelas contra a produção de lixo descartável deve atingir também a indústria tabagista, num futuro próximo. Os produtores de cigarros podem ser solicitados a participar do custeio da limpeza e coleta de guimbas de cigarro.
"Quem produz itens descartáveis, como cigarros, terá que assumir maior responsabilidade pelo lixo", disse a ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Svenja Schulze. "Por exemplo, a indústria do tabaco poderia ser envolvida no custo de limpeza de praias ou parques."
Fonte: https://goo.gl/Rqbr4d
]]>
Que calor é esse?
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Que-calor-%C3%A9-essehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Que-calor-%C3%A9-esseThu, 20 Dec 2018 01:51:46 +0000
por Josélia Pegorim – Climatempo
A primavera de 2018 está terminando e teve muitos eventos de frio atípico nos estados do Sul, do Sudeste e em Mato Grosso do Sul. No começo de dezembro ainda geou por vários dias consecutivos na região serrana de Santa Catarina, onde o frio intenso chegou a congelar roupas que ficaram ao relento na madrugada, como se fosse alto inverno. Mas de repente, o calor entrou na roda e dominou as manchetes dos boletins do tempo fazendo quase todo mundo esquecer do estranho (e persistente) frio desta primavera.
Fazer muito calor nesta época do ano no Brasil de forma geral é comum. Mas o que muita gente estranhou foi esta mudança marcante na temperatura ocorreu no centro-sul do país. Há vários dias, cidades dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, de todos os estados da Região Sul e do Mato Grosso do Sul têm estado na lista das 10 mais quentes do país, pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia e não é com calor de 30°C, 32°C, mas um calor realmente extremo entre 37°C e 40°C.
Por que esquentou tanto nos últimos dias?
O calor tem feito em particular no centro-sul do Brasil desde o fim da primeira quinzena de dezembro não é um calor qualquer! É um calor de quase 40°C em áreas do Sul, de São Paulo e de Mato Grosso e que atingiu efetivamente o dígito dos 40°C na cidade do Rio de Janeiro.
Confira alguns recordes de calor em capitais que ocorreram nos últimos dias da primavera de 2018:
Rio de Janeiro (RJ): 40,6°C em 18/2/18 - recorde de calor do ano
São Paulo (SP): 34,1°C em 17/12/18 e 34,4° em 18/12/18 - recordes sucessivos de calor para 2018
Curitiba (PR): 33,5°C em 13/12/18 e em 15/12/18 - recorde de calor para este ano
Porto Alegre (RS): 37,9°C em 11/12/18 - recorde de calor para este ano
O calor extremo dos últimos dias da primavera de 2018 em estados do centro-sul do Brasil pode ser explicado por uma combinação de fatores atmosféricos e astronômicos.
1 - Falta de ar polar
A partir de 9 de dezembro, uma mudança na circulação dos ventos sobre a América do Sul fez com que o ar frio de origem polar das frentes frias fosse desviado para o oceano, antes de conseguir penetrar pelo interior do centro-sul do Brasil. A última vez que isto o ar frio foi sentido com força no país foi no dia 8 de dezembro e na madrugada do dia 9.
2 - Alta pressão e diminuição da chuva
Um sistema de alta pressão atmosférica ganhou força sobre o centro-sul do Brasil dificultando a formação e permanência de grandes áreas de instabilidade. Isto permitiu uma grande diminuição da quantidade de nuvens e da frequência da chuva sobre os estados do Sul, na Região Sudeste e em Mato Grosso do Sul deixando espaço para o sol aparecer forte por muitas horas consecutivas.
As áreas de instabilidade enfraqueceram, mas com o calor intenso e a umidade do ar relativamente alta, nuvens carregadas continuaram a se formar provocando temporais.
3 - Proximidade com o solstício de verão
Um fator importante que ajuda a explicar o calor excessivo no centro-sul do Brasil nos últimos dias da primavera de 2018 é que são dias próximos do solstício de verão, que ocorre no dia 21 de dezembro às 20h23, pelo horário de Brasília. No calendário civil esta é a data e hora do início oficial do verão no Hemisfério Sul. Astronomicamente o solstício é um momento apenas, que pode ser calculado com anos de antecedência pois só depende do movimento da Terra ao redor do Sol.
É justamente nesta época, alguns antes e alguns dias depois do dia do solstício de verão, que o Brasil, e todo o Hemisfério Sul, recebe sua maior densidade de energia solar. É quando temos os dias mais longos do ano e portanto com o maior número de horas de sol disponíveis para aquecer o ar.
4 - Relevo e aquecimento adiabático
Se juntarmos a estes três fatores uma situação de pré-frontal (horas antes da chegada do vento frio de uma frente fria), em que o vento quente vindo do Norte do Brasil se intensifica e também com condições específicas de relevo local, que permita um aquecimento adiabático (ar que desce uma montanha aquece aproximadamente 1°C a cada 100 metros), a temperatura se eleva de maneira muito intensa.
Isto explica, por exemplo, o calor de mais de 39°C que já fez duas vezes nos últimos 10 dias em Iguape e em Registro, cidades do sul do estado de São Paulo, ou os 38°C em Morretes, no litoral do Paraná. Os 40,6°C registrados em 18/12/2018 no Rio de Janeiro, recorde de calor para este ano, também tem uma porção de aquecimento adiabático que é sentida na zona oeste carioca por causa do relevo local.
Por isso a combinação de dias nas vésperas do solstício de verão, com poucas pancadas de chuva e falta de ar polar faz com que tenhamos um calor bastante acima do normal.
Maiores temperaturas registradas no Brasil
O Piuaí detém oficialmente a maior temperatura já registrada no Brasil. O calor extremo de mais de 41°C em Orleans (SC), Iguape (SP), Criciúma e Urussunga (SC) está relacionado também com o aquecimento adiabático.
Fonte: https://goo.gl/18bu8R
]]>
Como o calor forte ameaça a saúde
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Como-o-calor-forte-amea%C3%A7a-a-sa%C3%BAdehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Como-o-calor-forte-amea%C3%A7a-a-sa%C3%BAdeWed, 19 Dec 2018 02:03:00 +0000
Renata Turbiani
De São Paulo para a BBC News Brasil
Já há algum tempo, cientistas do mundo todo têm chamado a atenção para o impacto das mudanças climáticas no meio ambiente.
Em novembro, um relatório publicado pela revista científica britânica The Lancet fez um alerta para as graves consequências das ondas de calor também para a saúde humana.
O dossiê, chamado The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (Contagem regressiva: Saúde e Mudanças Climáticas, Acompanhando a Evolução), é publicado anualmente desde 2016.
A publicação cita problemas gerados pelo aumento das temperaturas como o estresse por calor, insuficiência cardíaca e lesão renal aguda por desidratação.
Afirma ainda que, no ano passado, cerca de 157 milhões de pessoas em todo o mundo estiveram em situação de vulnerabilidade por conta das ondas de calor, um aumento de 18 milhões de indivíduos em relação a 2016.
E, em média, cada pessoa foi exposta de 1 a 4 dias adicionais de ondas de calor entre 2000 e 2017, comparado com a base 1986-2005.
São problemas que se pronunciam também no Brasil com a a proximidade do verão, cujo início oficial será em 21 de dezembro – embora ele pareça já ter começado em muitos lugares do país, que já sofrem com o calor extremo.
Depois do início da estação, a previsão é de temperaturas ainda mais elevadas que as registradas nos últimos dias.
Segundo Josefa Morgana Viturino de Almeida, meteorologista chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação deve ser entre 0,4º a 0,6º mais quente do que a média do verão passado, com exceção de áreas pontuais, como o extremo sul do Brasil e regiões serranas.
"No geral, a tendência é de calor acima da média e bastante chuva. Também há uma probabilidade de 75% a 80% de estabelecimento do El Niño (aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial) a partir de dezembro deste ano e início de 2019", comenta a especialista.
Confira abaixo os principais males para a saúde decorrentes das altas temperaturas.
Estresse por calor
São vários os males provocados ou agravados pelo clima quente. Muitos deles, inclusive, são citados no documento da Lancet, como o estresse por calor (ou estresse térmico).
Como explica Mayara Floss, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), uma das organizações brasileiras que participaram da elaboração do relatório, quando exposto a temperaturas elevadas, o corpo humano sente dificuldade para se adaptar, e aí precisa promover algumas alterações para se defender.
"Nesta situação, o calor produzido dentro do corpo é transferido para a superfície da pele através do sistema circulatório e do contato interno dos tecidos. Ocorre, por exemplo, a dilatação dos vasos para aumentar o fluxo de sangue e a eliminação de suor para equilibrar a temperatura. O corpo também pode perder água e sais minerais e desidratar", relata.
Se a pessoa continuar exposta ao sol, o caso tende a ficar mais grave, transformando-se em insolação. "Nosso corpo não pode chegar a 40 graus. Se isso acontece, órgãos param de funcionar, levando ao coma e até a morte", acrescenta a especialista, destacando que o perigo é maior para crianças, idosos, grávidas, trabalhadores de áreas externas e pessoas que já tenham algum problema de saúde, como doenças respiratórias, mentais, renais e cardiovasculares.
O importante para evitar o estresse por calor e seus agravantes é se manter bem hidratado, com a ingestão de água e isotônicos; evitar a exposição solar entre 10h e 16h, evitar excesso de álcool e os exercícios extremos; usar roupas leves e soltas e passar o máximo de tempo possível em ambientes frescos.
Floss também recomenda pensar mais no planeta: "As pessoas devem plantar árvores, não desmatar, trocar o carro pelo transporte público e a bicicleta e tornar os espaços urbanos mais verdes."
Mosquitos transmissores de doenças
Outra grande preocupação no verão são as enfermidades como dengue, chikungunya, zika e febre amarela, transmitidas por mosquitos vetores.
Só para se ter uma ideia, de acordo com um dado publicado no The Lancet Countdown, a capacidade de transmissão do vírus da dengue global em 2016, levando em conta que ela é influenciada por umidade, chuva e temperatura, foi a mais alta já registrada: subiu 9,1% para o Aedes aegypti e 11,1% para o Aedes albopictus (tipo silvestre) em relação ao ano anterior.
"Os mosquitos vetores gostam do calor. Quanto mais quente, melhor para eles", diz Enrique Barros, médico de família e também membro da SBMFC. "E não só isso. As questões ecológicas (urbanização desordenada, falta de saneamento e desmatamento) também estão totalmente relacionadas a este problema", complementa.
Entre as medidas individuais para passar longe das doenças citadas estão: tomar vacina quando houver este tipo de proteção; não circular em áreas de risco; usar repelente e roupas que cubram a maior extensão possível de pele; e instalar mosquiteiros nos quartos e telas nas janelas. Junto a isso, é preciso manter as casas e as ruas limpas, fechar bem os lixos e não deixar água parada - habitat ideal para reprodução dos insetos.
Problemas vasculares e de pele
Embora o relatório da Lancet não cite especificamente os problemas vasculares como consequência do aumento das temperaturas no mundo, eles são muito verificados no Brasil, de acordo com Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ).
"Como o calor provoca vasodilatação, há sobrecarga da circulação, principalmente nas pessoas que já possuem histórico de varizes, trombose e insuficiência venosa. Isso pode causar edemas (inchaços) nas pernas, devido ao acúmulo de líquido fora dos vasos, bem como dores, sensação de peso, ardência e coceiras", relata o médico.
As altas temperaturas ainda aumentam o risco de alergias e erisipela, infecção na derme e no tecido subcutâneo, ocasionada pela proliferação de bactérias e que pode provocar alterações dos vasos linfáticos (vasos auxiliares na drenagem dos membros inferiores).
Nesta época, Caiafa indica o reforço dos hábitos saudáveis, o que inclui alimentação equilibrada e, de preferência, com pouco sal, boa hidratação, praticar atividade física regularmente, não ficar longos períodos na mesma posição, fazer massagem e drenagem linfática, não usar roupas muito apertadas e evitar o consumo de álcool.
"Quem tem problema vascular também precisa procurar o cirurgião vascular ou o angiologista no verão para mais orientações e regulação dos medicamentos", complementa o especialista - o mesmo vale para os hipertensos, já que na estação mais quente do ano é comum haver queda da pressão arterial.
Abrão Cury, cardiologista e clínico geral do HCor (Hospital do Coração), de São Paulo, orienta que as pessoas fiquem mais atentas à alimentação nos dias de calor intenso, pois as altas temperaturas favorecem a proliferação de bactérias em certos itens, como maionese, molhos, condimentos e frutos do mar, aumentando o risco de contaminação.
O importante, então, é assegure-se da procedência e da qualidade do que será consumido, armazenar os produtos corretamente e descartar os que estiverem com aspecto ou cheiro estranho, em especial na praia.
Mais uma preocupação que vem com os dias quentes é o câncer de pele, doença que, pelos dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, representa um terço de todos os diagnósticos de câncer no Brasil.
"O verão é o período de maior intensidade dos raios ultravioletas, tornando a exposição solar mais perigosa, especialmente para as pessoas de pele clara. Claro que se for algo pontual não há tanto problema, mas, quando se torna frequente, as chances aumentam bastante", afirma.
Cury informa que a melhor forma de se proteger é com exposição solar moderada, evitando os horários das 10h às 16h, e uso de filtro solar adequado, com alto fator de proteção, ressaltando que é fundamental seguir as especificações dos fabricantes e reaplicar nos prazos indicados.
Relatório The Lancet Countdown
Desde 2016, a revista científica britânica The Lancet publica o relatório The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change.
A edição deste ano contou com a participação de 27 instituições acadêmicas de todos os continentes, incluindo as brasileiras, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas (ONU) e agências governamentais.
Fonte: https://goo.gl/JazpHf
]]>
Aquecimento global: a gigantesca fonte de CO2 que está por toda parte, mas você talvez não saiba
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/17/Aquecimento-global-a-gigantesca-fonte-de-CO2-que-est%C3%A1-por-toda-parte-mas-voc%C3%AA-talvez-n%C3%A3o-saibahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/17/Aquecimento-global-a-gigantesca-fonte-de-CO2-que-est%C3%A1-por-toda-parte-mas-voc%C3%AA-talvez-n%C3%A3o-saibaTue, 18 Dec 2018 01:58:00 +0000
O cimento é a fonte de cerca de 8% das emissões mundiais de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Como isso pode ser mudado?
O cimento é o material feito pelo homem mais amplamente usado que existe. Ele só perde para a água como recurso mais consumido no planeta.
Sua forte presença ajudando a moldar construções, porém, também tem um efeito colateral sobre o clima: seu processo de produção é visto como uma gigantesca fonte de dióxido de carbono (CO2) - um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
E possíveis soluções para minimizar o problema estão na pauta de discussão agora.
Qual é o tamanho do problema na indústria?
Segundo o instituto de pesquisa britânico Chatham House, o cimento é fonte de aproximadamente 8% das emissões mundiais de CO2. Se sua indústria fosse um país, seria o terceiro maior emissor desse gás, no mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Em outra comparação, suas emissões superam as do combustível de aviação (2,5%) e não estão muito atrás das geradas pelo agronegócio global (12%), por exemplo.
Com emissões nessa proporção, o assunto esteve entre os que foram discutidos na conferência da ONU sobre mudança climática, a COP24, encerrada no sábado na Polônia.
Durante o evento, representantes do setor debateram formas de atender aos requisitos do Acordo de Paris - um compromisso mundial para reduzir a emissão de gases na atmosfera.
Para que o acordo seja cumprido, as emissões anuais do cimento deverão ser reduzidas em pelo menos 16% até 2030.
A tarefa não é considerada fácil.
'Clínquer' - o grande poluidor
A produção de cimento envolve a extração e o esmagamento de matérias-primas, principalmente calcário e argila.
Elas são trituradas e misturadas com outros materiais - como minério de ferro ou cinzas - e, na etapa seguinte do processo, introduzidas em grandes fornos cilíndricos e aquecidas a cerca de 1.450 ° C.
O processo de calcinação - como é chamada a reação química de decomposição térmica, usada para transformar o calcário em cal virgem - divide o material em óxido de cálcio e CO2.
Esse processo dá origem a uma nova substância, chamada clínquer. Trata-se não só do principal componente do cimento, mas do material cuja produção emite a maior quantidade de CO2 nessa indústria.
No formato de pequenos grãos com tonalidade acinzentada, o clínquer é resfriado, moído e misturado com gesso e calcário. Em seguida, pode ser transportado para fabricantes de concreto.
Em 2016, a produção mundial de cimento gerou cerca de 2,2 bilhões de toneladas de CO2 - o equivalente a 8% do total mundial. Mais da metade disso teve origem no processo de calcinação.
Juntamente com a combustão térmica, 90% das emissões do setor poderiam ser atribuídas à produção de clínquer.
Material essencial
Como principal material de construção da maioria dos prédios de apartamentos, de estacionamentos, pontes e barragens, o concreto tem seu uso em grande escala marcado por muitas das principais empreitadas arquitetônicas do mundo.
No Reino Unido, contribuiu para a onda maciça de desenvolvimento pós-Segunda Guerra Mundial em várias das principais cidades do país, como Birmingham, Coventry, Hull e Portsmouth, em grande parte definidas pelas estruturas de concreto típicas da época.
A Sydney Opera House, na Austrália, o Templo de Lótus, na Índia, o Burj Khalifa em Dubai - o maior arranha-céu do mundo - bem como o magnífico Panteão de Roma, que ostenta a maior cúpula de concreto sem suporte do mundo, tudo deve sua forma a esse material.
Mistura de areia e cascalho, um aglutinante de cimento e água, o concreto é amplamente adotado por arquitetos, desenvolvedores e construtores por ser um material de construção mais acessível, mas também com outras vantagens.
"Ele é econômico, pode ser produzido em praticamente todos os lugares e tem todas as qualidades estruturais adequadas para a construção de um prédio durável ou de uma obra de infraestrutura", diz Felix Preston, vice-diretor de pesquisa do Departamento de Energia, Meio Ambiente e Recursos da Chatham House.
Crescimento da indústria de cimento
Tais atributos do concreto, considerados incomparáveis, ajudaram a impulsionar a produção global de cimento a partir dos anos 50, com a Ásia - e, particularmente, a China - respondendo pela maior parte do crescimento a partir dos anos 90.
A produção aumentou em mais de trinta vezes desde 1950 e em quase quatro vezes desde 1990.
A China usou mais cimento entre 2011 e 2013 do que os Estados Unidos durante todo o século 20.
Mas, com o consumo chinês se estabilizando, a expectativa é de que a maior parte do crescimento futuro da construção aconteça nos mercados emergentes do Sudeste Asiático e da África Subsaariana - impulsionados pela rápida urbanização e pelo desenvolvimento econômico.
A área construída no mundo deve dobrar nos próximos 40 anos, segundo os pesquisadores da Chatham House, exigindo que a produção de cimento aumente em um quarto até 2030.
Longa história
Para alguns de nós, a presença do concreto nas cidades pode parecer recente, mas arquitetos e construtores têm usado o material há milênios.
Acredita-se que o uso mais antigo tenha ocorrido há mais de 8 mil anos, com comerciantes na Síria e na Jordânia criando pisos de concreto, edifícios e cisternas subterrâneas.
Mais tarde, os romanos ficaram conhecidos como mestres do concreto, ao construirem o Panteão de Roma em 113-125 dC, com seu domo de concreto de 43 metros de diâmetro, o maior do mundo.
O concreto usado em nosso ambiente moderno, no entanto, deve muito de sua composição a um processo patenteado no início do século 19 pelo construtor Joseph Aspdin, de Leeds, na Inglaterra.
Sua técnica inovadora de queimar pedra calcária e argila em um forno e depois triturar até virar pó para fazer "pedra artificial" é agora conhecida como cimento Portland - que continua a ser o ingrediente chave em quase todo o concreto moderno.
Mas, a despeito da sua presença univesal, as credenciais ambientais do concreto têm sofrido um maior escrutínio nas últimas duas décadas.
A produção de cimento Portland não apenas envolve a extração em pedreiras - causando a poluição do ar com poeira - mas também requer o uso de fornos enormes, que demandam grandes quantidades de energia.
O processo químico de fabricação de cimento também emite níveis incrivelmente altos de CO2.
'Ação necessária'
O setor fez progressos - melhorias na eficiência energética de novas usinas e na queima de materiais residuais em vez de combustíveis fósseis levaram a uma redução de 18% nas emissões médias de CO2 por tonelada de produto nas últimas décadas, segundo a Chatham House.
A recém-criada Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, na sigla em inglês), atualmente representando cerca de 35% da capacidade mundial de produção de cimento e com foco no desenvolvimento sustentável, participou da cúpula ambiental COP24.
O executivo-chefe da entidade, Benjamin Sporton, disse que o fato de a organização existir agora "é uma demonstração do compromisso do setor com a sustentabilidade, incluindo a adoção de medidas para a mudança climática".
A GCCA deve publicar um conjunto de diretrizes de sustentabilidade, que seus membros terão de seguir.
"Reunindo atores globais para fornecer liderança e foco (ao movimento), bem como entregando um programa de trabalho detalhado, podemos ajudar a garantir um futuro sustentável para o cimento e o concreto, e para as necessidades das gerações futuras", diz Sporton.
Mas, apesar da promessa, a Chatham House argumenta que a indústria está atingindo os limites do que pode fazer com as atuais medidas.
Se o setor tem alguma esperança de cumprir os compromissos que firmou em 2015 no Acordo de Paris, precisará considerar a revisão do processo de fabricação do cimento em si, não apenas reduzindo o uso de combustíveis fósseis.
Soluções
Preston, do Departamento de Energia, Meio Ambiente e Recursos da Chatham House, e seus colegas argumentam que o setor precisa urgentemente buscar uma série de estratégias de redução de CO2.
Esforços adicionais em termos de eficiência energética, substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas, além de captura e armazenamento de carbono, ajudam, mas não são o bastante.
"Temos um longo caminho para fechar esse fosso", diz Preston.
O que a indústria realmente precisa fazer é desenvolver esforços para produzir novos tipos de cimento, argumenta ele.
Cimentos de baixo carbono e "cimentos novos", afirma, podem eliminar completamente a necessidade de clínquer.
Novos cimentos
Um dos que tentam conseguir maior apoio para a produção de cimentos alternativos é Ginger Krieg Dosier, co-fundadora e CEO da BioMason - start-up da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, que usa trilhões de bactérias para cultivar tijolos de "bioconcreto".
A técnica, que envolve colocar areia em moldes e injetar nela microorganismos, desencadeia um processo semelhante ao que cria o coral.
"Eu tenho um grande fascínio por cimentos e estruturas marinhas", explica Krieg Dosier, arquiteta que se surpreendeu ao não encontrar alternativas ecológicas reais para tijolos e alvenaria quando começou a pesquisar em uma empresa de arquitetura há mais de 10 anos.
A descoberta a levou a criar sua própria solução - que, depois de anos de desenvolvimento, agora leva apenas quatro dias para ficar pronta.
O processo acontece à temperatura ambiente, sem a necessidade de combustíveis fósseis ou calcinação - duas das principais fontes de emissão de CO2 da indústria cimenteira.
Krieg Dosier acredita que os "cimentos verdes" e tecnologias como a dela oferecem uma solução para a questão das emissões do setor.
"As práticas tradicionais de produção de cimento Portland continuarão a liberar CO2 devido a sua química fundamental", diz ela, acrescentando que, em vez de recorrer à captura e armazenamento de carbono, é preciso investir mais em técnicas que removem efetivamente o carbono da atmosfera.
"Cimentos alternativos e tecnologias com ação fixadora vão além da captura evolutiva de CO2 para métodos revolucionários que fundamentalmente sequestram o CO2."
Outras forças
"Este setor de movimentação lenta e difícil de mudar está começando a se chocar com essas profundas rupturas (de modelo) que estamos começando a ver no ambiente construído", diz Preston.
Mas, com pouquíssimo cimento de baixo carbono chegando ao mercado, e nenhum sendo aplicado em larga escala, parece provável que o apoio contínuo do governo seja necessário.
Sem que os governos pressionem a indústria ou ofereçam financiamento, talvez não seja possível tirar a próxima geração de cimentos com baixo teor de carbono de dentro dos laboratórios no prazo necessário.
E o prazo está cada vez menor.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - o principal órgão internacional na área de aquecimento global - defendeu no mês passado que o aumento da temperatura média global precisava ser mantido abaixo de 1,5°C - e não de 2°C conforme registrado no Acordo de Paris. Isso significa que as emissões de CO2 precisam diminuir em 45% em relação aos níveis registrados no ano 2010. E isso até o ano 2030.
Como outras jovens empresas, Krieg Dosier descreve as dificuldades de desenvolver e comercializar simultaneamente seus produtos e ampliar os processos de fabricação para competir dentro da indústria de construção como um todo.
Mas ela vê razões para ser otimista.
"Acredito que a indústria da construção está se aproximando de um ponto em que materiais alternativos serão mais amplamente adotados", diz ela. "Isso se deve em parte à demanda do mercado, a outras tecnologias inovadoras e à preocupação mais ampla com as mudanças climáticas."
Preston diz que é crucial que os governos e a indústria ajam rapidamente.
"Há uma necessidade urgente de casas economicamente acessíveis e de qualidade", diz ela. "Há necessidade de nova infraestrutura. Só podemos enquadrar esse círculo se formos capazes de melhorar drasticamente o modo como construímos, de modo que, em geral, esses edifícios sejam construídos com emissões líquidas o mais próximas possível de zero."
Fonte: https://goo.gl/UYCTLj
]]>
COP 24 aprova 'livro de regras' do Acordo de Paris
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/15/COP-24-aprova-livro-de-regras-do-Acordo-de-Parishttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/15/COP-24-aprova-livro-de-regras-do-Acordo-de-ParisSun, 16 Dec 2018 01:57:00 +0000
Com um dia de atraso nas negociações, quase 200 países concordaram no sábado (15) sobre as regras para implementar o Acordo, firmado em 2015.
Depois de duas semanas de conversações e dois anos de trabalho, quase 200 países superaram, no último sábado (15), as divisões políticas para chegar a um consenso sobre uma estrutura mais detalhada para o Acordo de Paris de 2015, que visa limitar o aumento da temperatura média mundial para, no máximo, 2ºC até o fim do século.
Após as intensas negociações que começaram no último dia 2, os representantes de 197 países concordaram com o chamado "livro de regras" que governará a luta contra o aquecimento global nas próximas décadas. O Acordo de Paris estabelece que os compromissos de cada país para reduzir os gases estufa — as chamadas "contribuições nacionais" — são voluntários.
"Foi um longo caminho, não foi uma tarefa fácil. O impacto deste pacote de medidas é positivo para o mundo", comemorou o presidente da COP24, o polonês Michal Kurtyka, depois de uma reta final agonizante de negociações, que terminou mais de 24 horas atrasada. A previsão inicial era de que a conferência terminasse na sexta (14).
O acordo final inclui uma referência a um relatório científico do IPCC que apela para a importância do compromisso "urgente e sem precedentes" para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC.
Várias controvérsias adiaram a plenária — inclusive a recusa tardia do Brasil em modificar o atual sistema que regulamenta o mercado de carbono. A discussão foi adiada para o próximo ano, quando o Chile irá sediar a conferência. No mês passado, o Brasil anunciou que não seria mais o anfitrião da COP 25.
Discordâncias
Antes do início das negociações, muitos esperavam que o acordo não fosse tão robusto quanto necessário. A unidade que sustentou as negociações de Paris está fragmentada. Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, pretende retirar seu país — um dos maiores emissores do mundo — do Acordo de Paris.
No entanto, uma decisão de oito páginas foi criticada por alguns países e grupos ecológicos por não insistir em maiores ambições sobre os cortes de emissões o suficiente para conter o aumento das temperaturas.
"A maior parte do livro de regras para o Acordo de Paris foi criado, o que é algo para se agradecer. Mas o fato de os países terem que ser arrastados e gritados para a linha de chegada mostra que algumas nações não acordaram para o apelo urgente do relatório do IPCC", disse Mohamed Adow, líder internacional em clima da Christian Aid.
Na semana passada, a Arábia Saudita, os Estados Unidos, a Rússia e o Kuwait se recusaram acolher as conclusões do relatório. O texto da decisão agora apenas expressa gratidão pelo trabalho no relatório e convida as partes a usar as informações nele contidas.
Para muitos estados e ilhas de baixa altitude que estão em risco de elevação do nível do mar, isso não é forte o suficiente, mas teve que ser aceito em troca de outros ganhos.
"Os desafios serão com alguns dos maiores participantes, em termos de aumentar suas responsabilidades e o que é necessário para realmente operacionalizar o Acordo de Paris", disse Simon Stiell, ministro do Meio Ambiente de Grenada, à Reuters.
Fonte: https://goo.gl/DMWXZt
]]>
Portal reúne dados sobre eficiência energética
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Portal-re%C3%BAne-dados-sobre-efici%C3%AAncia-energ%C3%A9ticahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/19/Portal-re%C3%BAne-dados-sobre-efici%C3%AAncia-energ%C3%A9ticaSat, 15 Dec 2018 01:56:00 +0000
Agência FAPESP – Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em conjunto com outras universidades, ONGs e empresas, está envolvido na construção de um Portal Brasileiro de Indicadores de Eficiência Energética (PBIEE).
Segundo o Jornal da Unicamp, o endereço tornará disponível para toda a sociedade – consumidor, concessionárias de energia, indústria e governo – informações sobre os meios eficazes e projetos mais aderentes que estão sendo implantados, finalizados ou em andamento no Brasil sobre eficiência energética.
A ideia do portal é reunir informações sobre programas e projetos de eficiência energética, como o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), os programas mandatórios das distribuidoras regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), etiquetagem e outros, para acompanhar os progressos na área de eficiência energética no país.
Segundo os organizadores, o objetivo é produzir indicadores e análises de eficiência energética a partir de uma base de dados, de forma que o portal se torne uma referência nacional no tema, uma vez que ainda não existe nada similar que permita monitorar os instrumentos de política pública existentes.
De acordo com Gilberto de Martino Jannuzzi, coordenador do projeto e professor da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, esse tipo de informação é de grande importância para o consumidor porque, além de fiscalizar o setor, permite avaliar o seu gasto com determinados equipamentos, mensurar a eficiência desses aparelhos e qual o seu impacto na economia do país, além de conhecer quais os melhores programas e projetos que estão sendo desenvolvidos no Brasil em eficiência energética.
“O consumidor poderá também comparar o número de empregos gerados com eficiência energética e outros tipos de energia, saber se os programas da concessionária da sua região estão trazendo resultados positivos e quais são as barreiras existentes na implementação de determinado projeto. É uma forma simples e mais objetiva de prestar contas ao consumidor sobre como o seu dinheiro está sendo investido e o quanto a eficiência energética impacta no seu bolso”, disse Jannuzzi, que também é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.
Além dos diversos formatos de arquivos, como planilhas, tabelas, gráficos e infográficos, o usuário do portal terá acesso a análises realizadas pela equipe do projeto como, por exemplo, quais os melhores programas de iluminação que estão sendo realizados no país, além de contar com a opção de cruzar dados e informações para obtenção das suas próprias análises. Os dados são públicos e poderão ser baixados pelos usuários.
De acordo com Jannuzzi, o portal terá papel fundamental como instrumento de apoio para a coalizão em eficiência energética entre várias organizações com interesses afins, como o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e Transparência Brasil, entre outras.
Por isso, o espaço será muito bem delineado e dividido, sendo um voltado exclusivamente para o consumidor, que poderá verificar o investimento em função da energia economizada por tipo de uso final, permitindo observar o desempenho de cada distribuidora, e outro para os pesquisadores e especialistas da área de energia que poderão, no caso de empresas, conhecer melhor o mercado e os diferentes hábitos dos consumidores.
Para as instâncias de governo, as informações poderão auxiliá-las nos mecanismos de políticas públicas e no seu exercício de planejamento energético para o país; no caso das concessionárias, permitirá que elas invistam em projetos mais focados, específicos.
“Nessa primeira fase, estamos levantando os dados dos projetos finalizados e aprovados pela Aneel dos programas de eficiência energética das distribuidoras realizados entre 2008 e 2013. Serão ao menos 384 projetos”, disse Rodolfo Dourado Maia Gomes, da International Energy Initiative (IEI Brasil), idealizadora e executora do portal.
A próxima fase do projeto compreende, além da arquitetura do portal, o trabalho com esses dados e a obtenção de algumas análises, entre as quais o impacto social e econômico na comunidade onde determinado projeto foi desenvolvido e implantado, quais os resultados desses programas em uma região geográfica específica, qual o seu desempenho em determinada região, se deram resultados positivos, o que deu errado, e como foi a fiscalização.
Portal Brasileiro de Indicadores de Eficiência Energética (PBIEE): www.iei-brasil.org.
Fonte: https://goo.gl/q724pu
]]>
Verão terá temperaturas acima da média no Brasil
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/14/Ver%C3%A3o-ter%C3%A1-temperaturas-acima-da-m%C3%A9dia-no-Brasilhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/14/Ver%C3%A3o-ter%C3%A1-temperaturas-acima-da-m%C3%A9dia-no-BrasilSat, 15 Dec 2018 01:53:00 +0000
Média é de 31,5°C no trimestre dezembro, janeiro, fevereiro. El Niño ainda deve levar à ocorrência de mais chuvas no Sul do Brasil neste período.
O verão que começa oficialmente em 21 de dezembro deve ter temperaturas acima da média histórica no Brasil, conforme previsão do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE). O aquecimento é consequência da formação do fenômeno El Niño, que também vai impactar os regimes de chuvas em boa parte do Brasil.
De acordo com o órgão, a média histórica de temperatura máxima em todo o Brasil é de 31.5°C no trimestre (dezembro, janeiro, fevereiro). Esse é o valor que deve ser superado no período.
Os meteorologistas explicam que o fenômeno El Niño ocorre quando há o aquecimento das águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico. O vapor d’água mais quente altera os padrões de ventos, causando a variação na distribuição e intensidade das chuvas e na temperatura.
Mais chuvas
De acordo com os técnicos do CPTEC-INPE, deve chover mais que o normal no sul do país, especialmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já no norte, as precipitações terão redução, principalmente no norte do Pará, no Amapá e em Roraima.
“Os modelos que utilizamos indicam que o El Niño formado deve ser de fraca intensidade. Porém, os impactos são sentidos muito claramente, especialmente a questão do aumento da temperatura. Como o regime de ventos muda, a umidade é transportada de modo diferente e leva aos impactos nas chuvas, especialmente nas regiões Norte e Sul”, explica a meteorologista Renata Tedeschi, do CPTEC/Inpe.
Novembro acima da média
De acordo com o órgão, em novembro as temperaturas máximas ficaram acima da média na maior parte da Região Nordeste e no Rio Grande do Sul. "Já as temperaturas mínimas ficaram próximas da média climatológica em grande parte do país, as exceções ocorreram em alguns pontos das Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, com anomalias positivas."
Fonte: https://goo.gl/KzxcPK
]]>
Global Weather November 2018
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/12/Global-Weather-November-2018https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/12/Global-Weather-November-2018Wed, 12 Dec 2018 21:10:52 +0000
]]>
Calor chega a quase 40°C no Sul do BR e volta a chover
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/11/Calor-chega-a-quase-40%C2%B0C-no-Sul-do-BR-e-volta-a-choverhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/11/Calor-chega-a-quase-40%C2%B0C-no-Sul-do-BR-e-volta-a-choverTue, 11 Dec 2018 21:03:00 +0000
por Josélia Pegorim
O Rio Grande do Sul era a região mais quente e uma das mais secas do Brasil no meio da tarde da terça-feira, 11 de dezembro. Por volta das 15 horas, o aeroporto de Santa Maria registrava 39°C e 26% de umidade no ar. Na base aérea de Canoas, a temperatura era de 38°C e a umidade relativa de 23%. A região de Campo Bom, na Grande Porto Alegre, registrou até 39,3°C às 15 horas, pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia e muito provavelmente foi a maior temperatura no Brasil no dia 11 de dezembro.
Todo o Sul do Brasil esquentou muito e teve altas temperaturas. No Rio Grande do Sul, a maior foi 39,3°C, em Campo Bom. Em Florianópolis, a maior temperatura no estado foi de 37,4°C em Urussanga. No Paraná, a temperatura mais elevada no estado foi de 36,7°C, em Foz do Iguaçu. As medições foram do INMET.
Recorde de calor em capitais
As capitais Porto Alegre (RS), e Curitiba (PR) bateram recorde de calor para 2018. A tarde e 11 de dezembro foi a mais quente do ano.
Em Porto Alegre, a temperatura chegou aos 37,9°C. O recorde anterior era de 36,5°C no dia 9 de fevereiro.
Em Curitiba, o recorde de calor foi batido com a temperatura de 32,5°C. O recorde anterior era de 31,9°C, em 18 de março.
Calor e pancadas de chuva
O calor vai continuar intenso no Sul do Brasil nesta quarta-feira, mas as maiores temperaturas na Região devem ser observadas em Santa Catarina e no Paraná. No Rio Grande do Sul, esta quarta-feira será bastante abafada, mas a temperatura tem uma ligeira queda por causa do aumento da nebulosidade e da chuva.
A partir da quarta-feira, 12 de dezembro, com o calor a chegada de uma nova frente fria ao Rio Grande do Sul, nuvens carregadas vão crescer sobre os três estados do Sul do Brasil. Há risco de chuva intensa e volumosa sobre o Rio Grande do Sul, com rajadas de vento que podem chegar aos 90 km/h. Nos outros estados, as pancadas de chuva serão em poucas áreas. Não deve chover no oeste e norte do Paraná.
Esta frente fria se afasta rapidamente para alto mar e não terá força para fechar o tempo e nem para esfriar a Região Sul. A semana segue quente e abafada.
Fonte: https://goo.gl/Vy8W5K
]]>
É possível dar um preço à mudança climática?
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/09/%C3%89-poss%C3%ADvel-dar-um-pre%C3%A7o-%C3%A0-mudan%C3%A7a-clim%C3%A1ticahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/09/%C3%89-poss%C3%ADvel-dar-um-pre%C3%A7o-%C3%A0-mudan%C3%A7a-clim%C3%A1ticaSun, 09 Dec 2018 20:38:00 +0000
Um voo de curta distância de mil quilômetros teria um impacto ambiental de 235 euros por passageiro, contra apenas 46 euros nos trens movidos a eletricidade da Alemanha.
Por Deutsche Welle
Muitos hábitos cotidianos, de produtos a viagens, causam enormes prejuízos ao meio ambiente. Índices recém-divulgados expressam esse custo em moeda, em vez de medidas como toneladas de carbono, abstratas para o público.
Gases do efeito estufa e outras substâncias tóxicas prejudicam a saúde humana, destroem ecossistemas e aquecem o clima global. Por todo o mundo, aumentam as intempéries extremas, causando inundações, secas, destruição e muito sofrimento.
Segundo o mais recente Índice de Risco Climático Global, 11.500 pessoas perderam a vida em 2017 devido a extremos meteorológicos, e os custos materiais ultrapassaram os 375 bilhões de dólares.
Até agora, os causadores de danos ao clima, ao meio ambiente e à saúde em geral não arcam com os prejuízos. Nos raros casos em que os atingidos obtêm assistência, ela parte da comunidade ou do Estado.
"Temos de conseguir que os preços de nossos produtos digam a verdade ecológica", reivindica a especialista Astrid Matthey, do Departamento Federal do Meio Ambiente (UBA) da Alemanha. Com base em métodos científicos, ela e seus colegas de equipe avaliam os prejuízos dos diversos produtos para a humanidade em geral.
"Provocam-se danos à saúde, a edifícios e infraestrutura, em nossos ecossistemas", explica. "E, se eu monetizo esses danos, ou seja, se os expresso em euros, aí a maioria das pessoas consegue perceber melhor do que em termos de danos ao ecossistema ou de uma tonelada de CO2."
A equipe de Matthey acaba de divulgar as mais recentes cotas de custos para a Alemanha. Elas permitem avaliar a extensão dos custos ambientais da eletricidade a partir de carvão mineral ou vento, da calefação com óleo, gás ou energia solar, e de uma viagem de ônibus, trem, automóvel ou avião.
Segundo os cálculos do UBA, por exemplo, uma tonelada de dióxido de carbono provoca danos de cerca de 640 euros nos próximos 100 anos. "Com essa cota de 640 euros por tonelada de CO2, são avaliados tanto os danos às futuras gerações quanto à geração atual."
Aplicando-se essa taxa, por exemplo, a meios de transporte, um voo de curta distância de mil quilômetros teria um impacto ambiental de 235 euros por passageiro, contra apenas 26 euros para o mesmo trecho em uma viagem de ônibus, ou 46 euros nos trens movidos a eletricidade da Alemanha.
A viagem de carro é também muito prejudicial ao meio ambiente: um trecho de mil quilômetros provoca impacto duradouro de 193 euros num veículo movido a diesel, e de 152 euros num automóvel elétrico, tendo-se como base a atual matriz energética alemã.
No entanto o UBA sugere que, ao avaliar danos futuros, se aplique uma cota reduzida de 180 euros por tonelada de CO2, dando-lhes peso inferior aos danos atuais, ressalva Matthey. Em 2019, o departamento divulgará pela primeira vez o impacto ecológico da produção agropecuária.
Especialistas de todo o mundo discutem atualmente sobre como expressar num "preço do carbono" os custos ambientais, sobretudo em conexão com a proteção climática. Nesse sentido propuseram-se diversas abordagens, e já se aplicam ou vão se aplicar sistemas de comércio, impostos e preços mínimos sobre o CO2.
Para atingir a meta climática global dos dois graus centígrados, a Comissão de Alto Nível para Precificação do Carbono, sob direção de Nikolas Stern e do portador do Prêmio Nobel Josef Stiglitz, chegou a um preço acessível de 35 a 70 euros por tonelada de CO2 até 2020, e de 44 a 88 euros até 2030.
Se a meta for permanecer num aquecimento global de apenas 1,5ºC em relação ao início da era industrial, o preço até 2030 deveria ser "de três a quatro vezes maior", postulam economistas do Instituto de Pesquisa de Potsdam (PIK) e do Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change (MCC).
Diversos economistas do clima propõem reformas tributárias abrangentes, em nível mundial. A meta seria estabelecer um preço para o CO2, associado à redução de outros impostos. Para tal, poderiam receber restituições os cidadãos e empresas que invistam em infraestrutura favorável ao clima.
"Os ingressos da precificação do CO2 deveriam ser empregados para baixar outros impostos ou permitir investimentos urgentemente necessários em bens públicos", sugere Matthias Kalkuhl, do MCC. "A fim de evitar cargas adicionais de uma reforma dessas para os lares mais pobres, uma parte das arrecadações do CO2 pode ser devolvida, como já se pratica na Suíça."
Nesse país vigora uma "taxa de incentivo" de 85 euros por tonelada de CO2 sobre combustíveis automotivos e para calefação. As arrecadações resultantes são restituídas à população.
"Somente reformas socialmente equilibradas encontram aceitação", afirma Christian Hochfelder, do think tank Agora Verkehrswende, aludindo aos protestos dos "coletes amarelos" na França. O movimento foi desencadeado pelo anúncio de uma taxa sobre a gasolina. O especialista considera inevitável uma reforma no setor de transportes, caso se queira levar a sério as metas de proteção climática.
Entre os que reivindicam uma reforma ecológica e socialmente justa, estão também os conceituados climatologistas Hans-Joachim Schellnhuber e Claus Leggewie. Num documento recém-publicado, ambos recomendam um fundo para o futuro voltado a impulsionar e financiar a virada social-ecológica. Ao lado da taxação das emissões de CO2, eles aconselham a aplicação de um imposto sobre grandes heranças.
Sobretudo nos países escandinavos, França, Reino Unido e Suíça, os impostos sobre o carbono vêm ganhando peso. Na Alemanha, em contrapartida, até o momento não há um debate mais amplo sobre como, através de uma política otimizada de tributação e incentivos, o Estado pode desestimular as substâncias nocivas ao meio ambiente e fomentar tecnologias de futuro, a fim de manter o aquecimento global num máximo de 1,5ºC.
"No momento, o governo federal se recusa a esse debate e negligencia a precificação", critica a deputada federal Lisa Badum, do Partido Verde. "Além de um preço do carbono efetivo, precisamos também de outras medidas de política climática, entre elas o abandono do carvão até 2030, a expansão integral das energias limpas do sol e do vento, e uma ofensiva de investimentos para formas ecológicas de morar e sanear."
Fonte: https://goo.gl/uqja5e
]]>
Ibama aponta 'problemas técnicos' e nega licença para exploração de petróleo na Amazônia
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/08/Ibama-aponta-problemas-t%C3%A9cnicos-e-nega-licen%C3%A7a-para-explora%C3%A7%C3%A3o-de-petr%C3%B3leo-na-Amaz%C3%B4niahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/08/Ibama-aponta-problemas-t%C3%A9cnicos-e-nega-licen%C3%A7a-para-explora%C3%A7%C3%A3o-de-petr%C3%B3leo-na-Amaz%C3%B4niaSat, 08 Dec 2018 20:54:00 +0000
Entidade aponta riscos à vida marinha na área de perfuração na foz do rio Amazonas.
Por John Pacheco, G1 AP Macapá
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Energias Renováveis (Ibama) negou na sexta-feira (7) a licença ambiental para a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, na Costa do Amapá. O órgão alegou em despacho que encontrou "um conjunto de problemas técnicos" nos planos apresentados pela petroleira Total E&P, que venceu licitação para blocos na região.
A Rede Amazônica não conseguiu contato com a empresa até a última atualização desta reportagem. Para o Ibama, entre as deficiências apontadas, está a "incerteza" no Plano de Emergência Individual (PEI), que gerencia possíveis vazamentos de óleo e os efeitos na biodiversidade marinha na área.
A licença foi impedida para os cinco blocos de exploração arrematados pela empresa em 2013. O Ibama informou que todos as oportunidades para complementar e esclarecer os pontos detectados foram oferecidas à Total. A empresa foi notificada do despacho na sexta-feira.
"A empresa registra que existem no mercado diversas soluções tecnológicas que são empregadas para viabilizar o recolhimento de óleos pesados ou emulsões de água em óleo na superfície do mar, entretanto não informa, entre as metodologias apresentadas, qual será efetivamente adotada em caso de ocorrência de acidentes", diz trecho do parecer técnico.
As áreas para exploração das empresas ficam na costa norte do estado, e recentemente, foram descobertas pelo Greenpeace formações de corais na área, ameaçadas pela exploração. A ONG comemorou a decisão do Ibama e reforçou a campanha realizada mundialmente em defesa dos corais.
"Essa é uma ótima notícia para os Corais da Amazônia, um ecossistema único e do qual ainda se sabe pouco. E uma ótima notícia para as comunidades locais e o ativismo ambiental porque prova o poder da mobilização popular. Essa vitória mostra que o ativismo, assim como o trabalho técnico realizado pelo Ibama, devem ser valorizados no país", diz, em nota, Thiago Almeida, coordenador da campanha Defenda os Corais da Amazônia, do Greenpeace Brasil.
Corais da Amazônia
Identificados em 2016, o ecossistema considerado único está localizado há 100 quilômetros da costa, podendo ser percebido há 220 metros de profundidade. A estrutura do recife é formada por esponjas, corais e rodolitos, além de um grande paredão de carbonato de cálcio.
Como são de água barrenta, eles têm características próprias até então nunca vistas na ecologia marinha. A extensão dos corais é cerca de 20% maior que a região metropolitana de São Paulo.
Para o Greenpeace, que realizou uma expedição submarina na região no início de 2017, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados dentro dos lotes a serem explorados pelas petrolíferas. A viagem da entidade foi a primeira a descer na área.
Fonte: https://goo.gl/gRTHcR
]]>
Conheça 10 formas de colaborar com o combate ao aquecimento global
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/08/Conhe%C3%A7a-10-formas-de-colaborar-com-o-combate-ao-aquecimento-globalhttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/08/Conhe%C3%A7a-10-formas-de-colaborar-com-o-combate-ao-aquecimento-globalSat, 08 Dec 2018 20:48:00 +0000
Sabemos que o aquecimento global já se tornou realidade - mas há muitas coisas que podemos fazer para ajudar a mitigá-lo. Confira um guia preparado pela BBC com as estratégias mais eficazes.
Por BBC
Os principais especialistas do mundo em clima fizeram seu aviso mais severo até agora: as ações já implementadas não são suficientes para atingir a meta de aquecimento global de 1,5ºC. Segundo relatório divulgado em setembro, a humanidade precisa se esforçar mais.
Não existe dúvida de que a mudança climática é uma realidade, e há diversos exemplos de como isso nos afeta, desde incêndios na Califórnia a chuvas torrenciais no Brasil.
Mas não devemos nos perguntar se o aquecimento global está acontecendo ou se é potencializado pelos seres humanos. A pergunta mais importante é: o que podemos fazer para freá-lo?
Confira aqui nosso guia com as estratégias mais eficazes para ajudar a mitigá-lo, que envolvem transporte, alimentação, vestuário, reprodução entre outros temas.
1. Qual é a coisa mais importante que a humanidade deve fazer nos próximos anos - e o que isso significa para mim?
O objetivo número um? Limitar o uso de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural e substituí-los por fontes de energia renováveis e mais limpas, aumentando a eficiência energética.
"Precisamos reduzir as emissões de CO² quase pela metade (45%) até o final da próxima década", diz Kimberly Nicholas, professora associada de Ciência da Sustentabilidade no Centro de Estudos em Sustentabilidade da Universidade de Lund, na Suécia.
O caminho para essa transição inclui decisões diárias ao seu alcance - como dirigir e voar menos, optar (se possível) por um fornecedor de energia "verde" e até mesmo mudar o que você come e compra.
Claro que a mudança climática não será resolvida apenas pelos nossos hábitos de compra ou de transporte, embora muitos especialistas concordem que isso seja importante. Essa postura pode influenciar outras pessoas a mudarem também (leia mais abaixo).
Na prática, são necessárias mudanças que só podem ser feitas em uma escala maior, como reformular nosso sistema de subsídios para as indústrias de energia e alimentos, que continuam a depender de combustíveis fósseis, ou estabelecer novas regras e incentivos para setores como agricultura, desmatamento e gestão de resíduos.
Um bom exemplo da importância disso diz respeito aos refrigeradores. Um grupo formado por pesquisadores, empresários e ONGs chamado Drawdown descobriu que se livrar de HFCs (produtos químicos usados em geladeiras e ar condicionado) era a medida mais eficaz para reduzir as emissões. Isso porque eles causam 9.000 vezes mais aquecimento na atmosfera do que o CO². A boa notícia é que avançamos nisso, e há dois anos 170 países concordaram em começar a eliminar gradualmente os HFCs a partir de 2019.
Isso é importante porque precisamos de "mudanças sem precedentes em todos os aspectos da sociedade para lidar com o aquecimento global", diz o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). "Todos terão que se envolver", diz Debra Robert, co-presidente dessa organização.
2. Mudar como as indústrias são administradas ou subsidiadas não parece algo em que eu possa influenciar...ou eu posso?
Você pode. "Os indivíduos precisam exercer seus direitos tanto como cidadãos quanto como consumidores", dizem Debra Robert, do IPCC, e outros especialistas, "pressionando governos e empresas a fazerem as mudanças necessárias em todo o sistema".
Outra forma, cada vez mais adotada por universidades, grupos religiosos e recentemente até mesmo a nível nacional, é "alienar" recursos de atividades poluidoras - como evitar estoques de combustíveis fósseis ou bancos que investem em indústrias de alta emissão. Ao se livrar de instrumentos financeiros relacionados à indústria de combustíveis fósseis, as organizações podem tomar medidas climáticas e colher benefícios econômicos.
3. Fora isso, qual seria a melhor ação a tomar no meu dia a dia?
Um estudo de 2017, da Universidade de Lund (Suécia), listou 148 ações individuais sobre mudanças climáticas de acordo com seu impacto. Abdicar dos carros era a ação mais eficaz que um indivíduo poderia tomar (exceto não ter filhos - leia mais sobre isso abaixo). Os carros são mais poluentes em comparação com outros meios de transporte, como transporte público, bicicleta e seguir a pé.
Em países industrializados, deixar de usar o carro pode reduzir 2,5 toneladas de CO² - cerca de um quarto das emissões anuais médias (9,2 toneladas) por cada pessoa em países desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
"Devemos optar por veículos mais eficientes e, sempre que possível, pelos elétricos", diz Maria Virginia Vilarino, uma das especialistas que participaram da elaboração do último relatório do IPCC.
4. Mas a energia renovável não é muito cara?
Na verdade, as energias renováveis, como a eólica e a solar, estão se tornando cada vez mais baratas em todo o mundo (embora os custos finais dependam de circunstâncias locais). O último relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) descobriu que várias das fontes de energias renováveis mais usadas, como solar, geotérmica, bioenergia, energia hidrelétrica e eólica em terra, vão custar o mesmo ou serão até mais baratas do que os combustíveis fósseis até 2020. Algumas já são mais econômicas.
O custo dos painéis solares caiu 73% desde 2010, por exemplo, tornando a energia solar a fonte de eletricidade mais barata para muitos lares na América Latina, Ásia e África. No Reino Unido, as energias solar e eólica em terra são mais competitivas do que o gás e, até 2025, serão a fonte mais barata de geração de eletricidade.
Alguns críticos argumentam que esses preços desconsideram o valor da integração de energias renováveis no sistema elétrico - mas evidências recentes sugerem que esses custos são "modestos" e gerenciáveis para a rede.
5. Eu poderia fazer diferença mudando minha dieta?
Essa é mudança de comportamento muito importante. De fato, depois dos combustíveis fósseis, a indústria de alimentos - e, em particular, o setor de carnes e laticínios - é um dos que mais colaboram para a mudança climática. Se o gado fosse um país, seria o terceiro maior emissor mundial de gases de efeito estufa, depois da China e dos EUA.
A indústria da carne contribui para o aquecimento global de três grandes formas. Em primeiro lugar, o arroto das vacas libera muito metano, um gás de efeito estufa. Em segundo lugar, alimentamos o gado com outras fontes potenciais de alimentos, como milho e soja, o que gera ineficiência de processos. E, finalmente, esse tipo de atividade também exige grandes quantidades de água, fertilizantes que podem liberar gases de efeito estufa e terra - que acaba vindo de florestas desmatadas, outra fonte de emissões de carbono.
Você não precisa se tornar vegetariano ou vegano para fazer a diferença: reduza gradualmente e torne-se um 'flexitariano'. Ao reduzir seu consumo de proteína animal pela metade, você pode reduzir a pegada de carbono da sua dieta em mais de 40%.
6. Quão prejudicial é viajar de avião?
Os aviões funcionam a partir de combustíveis fósseis e ainda não foi descoberta uma alternativa à altura. Embora alguns dos primeiros esforços para usar painéis solares para alimentar aeronaves ao redor do mundo tenham tido êxito, ainda estamos a décadas de distância de voos comerciais movidos a energia solar.
Um voo transatlântico normal de ida e volta transatlântico pode liberar cerca de 1,6 toneladas de CO², de acordo com o estudo de Nicholas - quase tanto quanto as emissões anuais médias de uma pessoa na Índia. Isso também destaca a desigualdade da mudança climática: enquanto todos serão afetados, apenas uma minoria de humanos voará e menos pessoas farão vôos com frequência.
Há aqueles que decidiram desistir de voar ou voar menos. Reuniões virtuais, férias em destinos locais ou usar trens em vez de aviões são maneiras de reduzir seu impacto no aquecimento global.
Quer saber quanto sua viagem contribui para a mudança climática? Meça suas emissões de carbono nesta calculadora por pesquisadores da Universidade Berkeley, na Califórnia.
7. Eu deveria fazer compras de forma diferente?
Provavelmente. Tudo o que compramos tem uma pegada de carbono, seja na forma como é produzido ou na forma como é transportado.
Por exemplo, o setor de vestuário representa cerca de 3% das emissões globais de CO² da produção mundial, principalmente devido ao uso de energia para produzir roupas. O ritmo frenético da fast fashion contribui para isso, pois as roupas são descartadas ou se desfazem após curtos períodos.
O transporte internacional, incluindo o marítimo e o aéreo, também gera impacto. Os produtos enviados do Chile e da Austrália para a Europa, ou vice-versa, têm mais "milhas alimentares" e geralmente uma pegada de carbono maior do que a produção local. Mas esse nem sempre é o caso, já que alguns países cultivam plantações fora da estação em estufas com uso intensivo de energia - então a melhor coisa a fazer é comer alimentos cultivados localmente e sazonais.
Mesmo assim, tornar-se vegetariano ainda é melhor para o meio ambiente do que comprar alimentos locais.
8. Devo pensar em quantos filhos terei (ou não terei)?
O estudo de Nicholas concluiu que ter menos filhos é a melhor maneira de reduzir sua contribuição às mudanças climáticas, com quase 60 toneladas de CO² a menos por ano. Mas esse resultado é polêmico - e leva a outras questões.
Uma delas é se você se torna responsável pelas emissões climáticas dos seus filhos. A outra é onde esses bebês nascem.
Se você é responsável pelas emissões de seus filhos, seus pais seriam responsáveis pelas suas? E se você não for, como deveríamos considerar o fato de que mais pessoas provavelmente vão gerar mais emissões de carbono? Também poderíamos perguntar se ter descendentes é um direito humano indiscutível. E poderíamos questionar se ter filhos é necessariamente uma coisa ruim para resolver a mudança climática: talvez precisaremos de mais pessoas para solucionar os problemas das gerações futuras, e não menos.
Essas são questões filosóficas difíceis - e não vamos tentar respondê-las aqui.
O que sabemos é que cada pessoa gera emissões de CO² diferentes. Embora a média humana seja de 5 toneladas por ano, isso varia de acordo com o país: nações desenvolvidas como os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm médias nacionais mais altas (16,5 toneladas e 11,5 toneladas por pessoa, respectivamente) do que países em desenvolvimento, como Paquistão e Filipinas (cerca de 1 tonelada cada). Mesmo dentro de um mesmo país, pessoas mais ricas têm emissões mais altas do que aquelas com menos acesso a bens e serviços. Então, se você decidir levar essa questão em conta, tem que lembrar que não se trata apenas de quantos filhos você tem, mas sim de onde e quem você é.
9. Que diferença comer menos carne ou viajar menos de avião pode realmente fazer para o mundo?
Na verdade, não é só você. Sociólogos descobriram que, quando uma pessoa toma uma decisão rumo à sustentabilidade, outras pessoas também o fazem.
Aqui estão quatro exemplos:
Os especialistas dizem acreditar que isso ocorre porque estamos constantemente avaliando o que pessoas do nosso entorno estão fazendo, ajustando nossas crenças e ações de acordo com isso.
Quando as pessoas veem seus vizinhos tomando ações ambientais, como a conservação de energia, inferem que pessoas como elas também valorizam a sustentabilidade e se sentem mais compelidas a agir.
10. E se eu simplesmente não puder evitar viagens de avião ou reduzir minha locomoção por meio de carros?
Se você simplesmente não puder fazer todas as mudanças necessárias, considere a possibilidade de compensar suas emissões a partir de um projeto verde confiável - não um "cheque em branco", mas outro recurso para compensar o inevitável vôo ou viagem de carro.
A Convenção do Clima da ONU mantém um portfólio de dezenas de projetos em todo o mundo para os quais você pode contribuir. Para descobrir quantas emissões você precisa para 'comprar' de volta o que gastou, use essa calculadora de pegada de carbono.
Independentemente de onde você viva, já deve ter observado como a mudança climática impacta sua vida. Mas o oposto também é verdade: suas ações influenciarão o planeta nas próximas décadas - para melhor ou para pior.
Fonte: https://goo.gl/m9izXv
]]>
Brasileira que mora na Noruega conta como é viver sem sol durante semanas no inverno ártico
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/07/Brasileira-que-mora-na-Noruega-conta-como-%C3%A9-viver-sem-sol-durante-semanas-no-inverno-%C3%A1rticohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/07/Brasileira-que-mora-na-Noruega-conta-como-%C3%A9-viver-sem-sol-durante-semanas-no-inverno-%C3%A1rticoFri, 07 Dec 2018 21:05:00 +0000
Sol só volta a nascer em janeiro em Alta, cidade do extremo norte norueguês. Decoração apropriada e vida social ajudam a evitar efeitos da ausência de luz.
Por Lucas Vidigal, G1
A brasileira Nathália Pimenta, 30 anos, não vai ver o sol nascer de novo neste ano. Ela vive em Alta, cidade de cerca de 20 mil habitantes no extremo norte da Noruega, quase no Polo Norte. Lá, o próximo nascer do sol só vai acontecer em 17 de janeiro. Até esse dia chegar, a jovem verá apenas um mínimo de claridade no céu, que fica com um aspecto de fim de tarde em plena hora do almoço.
Isso acontece porque Alta fica a norte do Círculo Polar Ártico. Por causa do eixo de inclinação da Terra, entre novembro e dezembro a região fica fora da área iluminada pelo sol. O esquema se inverte seis meses depois e, entre maio e julho, a cidade onde Nathália mora ficará sob a luz do dia durante semanas.
Para quem vem de um país tropical como o Brasil, onde a duração do dia pouco alterna entre as estações, é preciso ajustar a rotina para não sofrer com os efeitos da ausência de luz. "A gente vira escravo do relógio", define Nathália, moradora de Alta há quase cinco anos.
Nathália nasceu em Indaiatuba (SP), onde só escurece por volta das 20h nesta época do ano. E, na Noruega, o corpo sente a falta do sol. O sono fica desregulado, cai a produção de vitamina D – que é em parte ativada pela luz solar –, e o humor muda.
"Tem que ter disciplina para morar aqui", afirma Nathália.
Por incrível que pareça, a chegada do filho Oliver, 6 meses, ajudou a brasileira a se habituar à escuridão neste ano. "Criança demanda ter rotina, né?", apontou Nathália, que é formada em jornalismo e agora se dedica a cuidar do bebê.
Sem rotina, conta a brasileira, o emocional ficava prejudicado. Esse ciclo de desânimo costuma começar logo após o verão, quando ocorre o dia polar – ou seja, o sol não se põe, o inverso do que ocorre agora em dezembro. A partir de agosto, os dias vão ficando cada vez mais curtos e os nórdicos sentem o efeito.
"Chega um momento que não tem mais dia. Só um 'lusco fusco', e traz uma sensação de solidão", descreve Nathália.
Os efeitos emocionais causados pela falta de luz solar são conhecidos dos sistemas de saúde dos países em altas latitudes. No Reino Unido, por exemplo, não há noite polar, mas os dias ficam bem curtos no inverno. O NHS – serviço público de saúde britânico – alerta para os sintomas causados pela escuridão prolongada do inverno relacionados à menor produção dos hormônios melatonina e serotonina nesses períodos:
Mau humor persistente;Perda de prazer ou interesse em atividades normais diárias;Irritabilidade;Sensação de desespero e culpa;Falta de energia e sono durante o dia;Excesso de sono.
'Koselig'
Como os noruegueses conseguem, então, driblar os sintomas da ausência de luz solar? A resposta está no conceito de "koselig", algo como aconchego, em uma tradução livre para o português.
Há várias maneiras de definir esse aconchego. Uma delas é o investimento no conforto dentro de casa. Não à toa, o design escandinavo ganha prêmios e é procurado por gente no mundo inteiro.
Um exemplo de como a decoração importa para o norueguês é que, para cada momento do dia, existe um tipo de iluminação. À noite e no fim da tarde, é comum os moradores de Alta deixarem as velas acesas. Próximo ao meio-dia, pode-se acender uma lâmpada cuja luz é muito forte, item muito comum nas casas acima do Círculo Polar Ártico.
Porém, ficar dentro de casa na noite polar não adianta. Os anos em Alta ensinaram Nathália que 'koselig' também é receber ou encontrar os amigos para animar os dias sem sol.
"O frio isola as pessoas. As pessoas tendem a ficar mais em casa, então é importante se esforçar para ter uma vida social", disse Nathália.
Nesta época do ano, inclusive, ocorrem os "julebord". São confraternizações de fim de ano entre amigos nas semanas que antecedem o Natal. "E além disso, tentamos marcar cafés durante a semana. É importante se manter em contato com os amigos para não sentir a solidão", comenta Nathália.
Outra forma de superar o problema da falta de luz solar é a prática de esportes. Mesmo sem sol, os moradores de Alta saem de casa para esquiar – menos a brasileira. "É nesta época que eles se esbaldam, mas eu realmente não consigo ficar de pé num esqui."
Como a noite polar acontece?
Por causa da inclinação do eixo da Terra, as áreas acima do Círculo Polar Ártico recebem pouca ou nenhuma luz solar nesta época do ano. Outras regiões no Hemisfério Norte até veem o sol nascer, mas passam menos tempo dentro da região iluminada. Quanto mais longe do Equador, menor a duração do dia.
Além da Noruega, os outros países onde acontece o fenômeno da noite polar são:
Estados Unidos (Alasca);Canadá;Dinamarca (Groenlândia);Islândia;Suécia;Finlândia;Rússia.
A situação se inverte em junho, quando é o Hemisfério Sul que recebe menos luz solar e, o Norte, vive o fim da primavera e o início do verão. Alta, a cidade onde a brasileira vive, passa mais de dois meses sem ver o sol se por durante a estação.
Portanto, enquanto Alta vive dias sem o menor sinal do sol, a maior parte do Brasil recebe em dezembro a maior quantidade de luz solar no ano. Em São Paulo, que é onde passa o Trópico de Capricórnio, o astro ainda estará bem no alto do céu.
Fonte: https://goo.gl/KWxRMJ
]]>
Emissões globais de CO2 crescem e atingem maior alta da história, diz estudo
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/06/Emiss%C3%B5es-globais-de-CO2-crescem-e-atingem-maior-alta-da-hist%C3%B3ria-diz-estudohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/06/Emiss%C3%B5es-globais-de-CO2-crescem-e-atingem-maior-alta-da-hist%C3%B3ria-diz-estudoThu, 06 Dec 2018 20:58:00 +0000
Aumento projetado de mais de 2% nas emissões de gases se deve ao aumento no uso de carvão e no crescimento do uso de petróleo e gás.
As emissões globais de carbono devem atingir a maior alta de todos os tempos em 2018 - de acordo com pesquisadores da Universidade de East Anglia (UEA) e do Global Carbon Project.
Um aumento projetado de mais de 2% foi impulsionado por um crescimento no uso de carvão pelo segundo ano consecutivo, e pelo crescimento sustentado no uso de petróleo e gás.
Poluição do ar causa 7 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano
Os novos dados para 2018, publicados na última quinta-feira (6) simultaneamente nos periódicos "Nature", "Earth System Science Data" e "Environmental Research Letters", revelam que as emissões globais da queima de combustíveis fósseis devem atingir 37,1 bilhões de toneladas de CO2 em 2018.
As emissões de CO2 aumentaram agora pelo segundo ano consecutivo, após três anos de pouco ou nenhum crescimento de 2014 a 2016. A alta este ano é projetada em 2,7%. Em 2017, foi de 1,6%.
A notícia serve como mais um apelo à ação dos governos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice,na Polôniaesta semana.
Em 2018, a principal tarefa da COP 24 será estabelecer o “livro de regras” do Acordo de Paris, ratificado em 2015 e no qual 195 países se comprometeram a limitar o aquecimento da Terra a até 2ºC até o fim do século.
Os maiores emissores de gases do ano
Os dez maiores emissores em 2018 são a China, os EUA, a Índia, a Rússia, o Japão, a Alemanha, o Irã, a Arábia Saudita, a Coréia do Sul e o Canadá. A UE como um todo região de países ocupa o terceiro lugar.
A principal pesquisadora do estudo, Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas e professora de Política e Ciência de Mudanças Climáticas da UEA, disse: "Estamos vendo um forte crescimento das emissões globais de CO2 novamente. As emissões precisam atingir um pico e diminuir rapidamente para lidar com as mudanças climáticas. Com o crescimento das emissões deste ano, parece que o pico ainda não está à vista".
"Para limitar o aquecimento global à meta do Acordo de Paris de 1,5°C, as emissões de CO2 precisariam diminuir em 50% até 2030 e chegar em torno de zero por volta de 2050. Estamos muito longe disso e muito mais precisa ser feito porque se os países se ativerem aos compromissos que já assumiram, estamos a caminho de ver 3°C de aquecimento global", disse.
"Este ano, vimos como as mudanças climáticas já podem ampliar os impactos das ondas de calor em todo o mundo. Os incêndios florestais na Califórnia são apenas um instantâneo dos impactos crescentes que enfrentamos se não reduzirmos as emissões rapidamente", completou Le Quéré.
O que está impulsionando a ascensão?
Os números crescentes de emissões deste ano são em grande parte devido ao sólido crescimento no uso de carvão, mas o carvão ainda permanece abaixo de sua alta histórica em 2013. O uso de carvão poderá em breve ultrapassar este pico de 2013 se o crescimento atual continuar.
O uso de petróleo está crescendo fortemente na maioria das regiões, com um aumento nas emissões de carros e caminhões, incluindo nos EUA e na Europa. Os voos também contribuíram para o aumento do petróleo. O uso de gás cresceu quase inabalável nos últimos anos.
Le Quéré disse: "A crescente demanda global por energia está superando a descarbonização por enquanto. Isso precisa mudar e mudar rapidamente para enfrentar a mudança climática. Precisamos de forte apoio político e econômico para a rápida implantação de tecnologias de baixo carbono para reduzir as emissões nos setores de energia e transporte, de edifícios e da indústria".
"As tendências de energia estão mudando rapidamente, com o uso de carvão diminuindo em muitas partes do mundo e ainda abaixo de seu nível em 2013, e uma explosão de energia eólica e solar. Mas enquanto as energias renováveis estão crescendo rapidamente, ainda não é suficiente para reverter as tendências de emissões globais"- Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas e professora de Política e Ciência de Mudanças Climáticas da UEA.
Glen Peters, diretor de pesquisa do Centro CICERO de Pesquisas Climáticas Internacionais em Oslo, que liderou a análise de emissões, disse: "Os compromissos globais assumidos em Paris em 2015 para reduzir as emissões ainda não estão sendo acompanhados por ações proporcionadas".
As emissões de CO2 por causa do desmatamento e de outras atividades humanas contribuíram com mais 5 bilhões de toneladas de CO2 este ano, elevando as emissões totais de CO2 para 41,5 bilhões de toneladas de CO2. As tendências globais nessas emissões não são claras devido às grandes incertezas nos dados.
As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera deverão aumentar em cerca de 2,3 partes por milhão em média em 2018, em resposta às contínuas emissões de CO2, e atingirão cerca de 407 partes por milhão ao longo do ano. Isso é 45% acima dos níveis pré-industriais. O aumento do CO2 na atmosfera é a principal causa das mudanças climáticas.
As boas notícias
Contra as emissões globais crescentes estão 19 países onde as emissões reduziram e sua economia cresceu. Aruba, Barbados, República Tcheca, Dinamarca, França, Groenlândia, Islândia, Irlanda, Malta, Holanda, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Suécia, Suíça, Trinidad e Tobago, Reino Unido, EUA e Uzbequistão reduziram suas emissões na última década (2008-2017).
A implantação de energia renovável em todo o mundo está acelerando exponencialmente, com a geração de eletricidade crescendo a uma média de 15% ao ano na última década. Mas isso não tem sido suficiente para compensar o crescimento da energia fóssil porque as energias renováveis estão crescendo a partir de uma base baixa. Porém, isso está mudando rapidamente.
Christiana Figueres, líder do grupo de campanha Mission 2020 e principal autora do "Nature Commentary", disse: "As emissões globais de CO2 devem começar a cair a partir de 2020 se quisermos atingir as metas de temperatura do acordo de Paris, mas isso está ao nosso alcance. Já conseguimos coisas que pareciam inimagináveis há apenas uma década".
"O progresso exponencial nas principais soluções está acontecendo e no caminho para substituir os combustíveis fósseis. Os custos com tecnologia de energia renovável caíram 80% em uma década e hoje, mais da metade de toda a nova capacidade de geração de energia é renovável. Antes de 2015, muitas pessoas acreditavam que o Acordo de Paris era impossível, mas milhares de pessoas e instituições fizeram a transição do impossível para o imparável. O mesmo se aplica à descarbonização da economia. Impulsionados pela busca de um ar limpo, empregos e independência energética entre outros benefícios, os intrépidos esforços coletivos dos jovens, da sociedade civil, das empresas, dos investidores, das cidades e dos estados estão traçando o caminho para as emissões líquidas zero até 2050", disse.
Como diferentes países comparam
Quase todos os países contribuíram para o aumento das emissões globais, quer através do crescimento das emissões, quer através de reduções mais lentas do que o esperado.
As emissões da China representam 27% do total global, tendo crescido cerca de 4,7 % em 2018 e atingindo um novo máximo histórico. O crescimento das emissões está ligado à atividade de construção e ao crescimento econômico, parte do qual pode ser devido ao crescimento temporário do crédito impulsionado por estímulo. A energia proveniente de fontes renováveis está crescendo 25% ao ano, mas a partir de uma base baixa.
As emissões nos EUA são responsáveis por 15% do total global e parecem ter crescido cerca de 2,5% em 2018, após vários anos em declínio. O novo aumento é devido ao crescimento robusto no uso do petróleo de cerca de 1,4%, associado a um aumento nas viagens de carro, e ao gás de cerca de 7,6%. As emissões do uso de carvão parecem ter diminuído cerca de -2,1% em 2018, continuando uma mudança de carvão principalmente para gás, e mais recentemente também para energias renováveis.
As emissões da União Europeia representam 10% das emissões globais e um pequeno declínio de cerca de -0,7 por cento é projetado, bem abaixo dos declínios de 2% ao ano na década até 2014. Quedas estimadas no uso de carvão e gás devido ao crescimento em energia renovável foi parcialmente compensado por um crescimento no uso de petróleo. A quantidade de combustível utilizado no transporte rodoviário e nos voos aumentou cerca de 4% na UE. Em geral, as emissões da UE ainda estão próximas ou acima dos níveis de 2014.
As emissões da Índia, responsáveis por 7% do total global, continuaram a crescer em cerca de 6,3%, à medida que sua economia cresce. O vento e a energia solar estão crescendo rapidamente, embora a partir de uma base baixa.
As emissões no resto do mundo, os 42% restantes das emissões globais, deverão crescer cerca de 1,8% este ano. Os cinco países que mais contribuem para o crescimento do restante nas emissões globais na última década são Arábia Saudita, Irã, Turquia, Iraque e Coréia do Sul.
Fonte: https://goo.gl/hh8bZj
]]>
Derretimento da camada de gelo da Groenlândia é o maior dos últimos três séculos, diz relatório
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Derretimento-da-camada-de-gelo-da-Groenl%C3%A2ndia-%C3%A9-o-maior-dos-%C3%BAltimos-tr%C3%AAs-s%C3%A9culos-diz-relat%C3%B3riohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Derretimento-da-camada-de-gelo-da-Groenl%C3%A2ndia-%C3%A9-o-maior-dos-%C3%BAltimos-tr%C3%AAs-s%C3%A9culos-diz-relat%C3%B3rioWed, 05 Dec 2018 20:45:00 +0000
Estudo fornece novas evidências dos impactos das mudanças climáticas no derretimento do Ártico e na elevação global do nível do mar.
O derretimento da superfície da camada de gelo da Groelândia começou a aumentar em meados do século XIX e depois aumentou drasticamente durante o século XX e início do século XXI, não mostrando sinais de diminuir, de acordo com uma nova pesquisa publicada em 5 de dezembro de 2018 na revista "Nature". O estudo fornece novas evidências dos impactos das mudanças climáticas no derretimento do Ártico e na elevação global do nível do mar.
"O derretimento da camada de gelo da Groelândia entrou em colapso. Como resultado, o derretimento está aumentando o nível do mar mais do que durante os últimos três séculos e meio", disse Luke Trusel, um glaciologista da Escola de Terra e Meio Ambiente da Universidade de Rowan. "E o aumento do derretimento começou na mesma época em que começamos a alterar a atmosfera em meados do século XIX", disse.
"A partir de uma perspectiva histórica, as taxas de derretimento de hoje estão fora das tabelas, e este estudo fornece as evidências para provar isso", disse Sarah Das, glaciologista do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) e co-autora do estudo. "Encontramos um aumento de 50% no total do escoamento de água de gelo em comparação com o início da era industrial e um aumento de 30% desde o século XX."
Aumento do nível do mar
A perda de gelo da Groelândia é um dos principais impulsionadores da elevação global do nível do mar. Os icebergs que chegam ao oceano a partir da borda das geleiras representam um componente da água que retorna ao oceano e eleva o nível do mar.
Mais da metade da água da folha de gelo que entra no oceano vem do escoamento da neve derretida e do gelo glacial no topo da camada de gelo. O estudo sugere que, se o derretimento da camada de gelo da Groelândia continuar em "taxas sem precedentes" - que os pesquisadores atribuem aos verões mais quentes - pode acelerar o ritmo já rápido da subida do nível do mar.
"Ao invés de aumentar constantemente conforme o clima se aquece, a Groelândia vai derreter cada vez mais para cada grau de aquecimento. A elevação do nível do mar e do derretimento que já observamos será diminuída pelo que pode ser esperado no futuro, enquanto o clima continua aquecido", disse Trusel.
O estudo
Para determinar com que intensidade o gelo da Groelândia derreteu nos séculos passados, a equipe de pesquisa usou uma broca do tamanho de um poste de luz para extrair amostras de gelo da camada de gelo e de uma camada de gelo costeira adjacente, em locais a mais de 2.000 metros acima do nível do mar.
Os cientistas perfuraram essas elevações para garantir que os núcleos contivessem registros da intensidade do degelo passado, permitindo-lhes estender seus registros de volta ao século XVII. Durante os dias quentes de verão na Groelândia, o derretimento ocorre em grande parte da superfície da camada de gelo. Em altitudes mais baixas, onde o derretimento é o mais intenso, a água derretida escorre da camada de gelo e contribui para a elevação do nível do mar, mas nenhum registro do degelo permanece.
Em altitudes mais elevadas, no entanto, a água de degelo do verão recua rapidamente do contato com a camada de neve abaixo do ponto de congelamento, que fica embaixo. Isso impede que ele escape da camada de gelo na forma de escoamento. Em vez disso, forma faixas geladas distintas que se acumulam em camadas de gelo denso ao longo do tempo.
As amostras do núcleo foram levadas aos laboratórios de gelo da Fundação Nacional de Ciência dos EUA em Denver, Colorado, e no Instituto de Pesquisa do Deserto em Reno, Nevada, onde os cientistas mediram as propriedades físicas e químicas ao longo dos núcleos para determinar a espessura e a idade das camadas fundidas. Faixas escuras correndo horizontalmente através dos núcleos, como os carrapatos em uma régua, permitiram que os cientistas registrassem visualmente a força do derretimento na superfície de ano para ano. As camadas mais grossas do derretimento representaram anos de maior fusão, enquanto as seções mais finas indicaram anos com menos derretimento.
Combinando resultados de múltiplos núcleos de gelo com observações de fusão de satélites e modelos climáticos sofisticados, os cientistas foram capazes de mostrar que a espessura das camadas de derretimento anuais que eles observaram claramente rastreou não apenas quanto derretimento estava ocorrendo nos locais de perfuração, mas também muito mais amplamente em toda a Groelândia. Essa inovação permitiu que a equipe reconstruísse o escoamento de água de degelo nas bordas de elevação mais baixa da camada de gelo - as áreas que contribuem para o aumento do nível do mar.
"Nós sentimos que houve um grande derretimento nas últimas décadas, mas antes não tínhamos base para comparação com as taxas de derretimento mais antigas", disse Matt Osman, que participou do estudo. "Através da amostragem de gelo, fomos capazes de estender os dados de satélite por um fator de 10 e obter uma imagem mais clara de quão extremamente incomum tem sido o derretimento nas últimas décadas em comparação com o passado".
Trusel disse que a nova pesquisa fornece evidências de que o rápido derretimento observado nas últimas décadas é altamente incomum quando colocado em um contexto histórico.
"Para poder responder o que pode acontecer com a Groelândia, precisamos entender como a Groelândia já respondeu à mudança climática", disse ele. "O que nossos núcleos de gelo mostram é que a Groelândia está agora em um estado onde é muito mais sensível a novos aumentos de temperatura do que há 50 anos atrás".
Um aspecto notável das descobertas, disse Das, foi o pouco aquecimento adicional que agora leva para causar grandes picos de gelo no derretimento das placas de gelo.
"Mesmo uma pequena mudança na temperatura causou um aumento exponencial no derretimento nos últimos anos", disse ela. "Portanto, a resposta da camada de gelo ao aquecimento causado pelo homem não foi linear" - Sarah Das, glaciologista do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) e co-autora do estudo.
Trusel concluiu: "O aquecimento significa mais hoje do que no passado".
Fonte: https://goo.gl/qo87H2
]]>
I Workshop de Meteorologia - Palestra Fabricio Polifke
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-Fabricio-Polifkehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-Fabricio-PolifkeWed, 05 Dec 2018 13:12:04 +0000
]]>
Como os satélites meteorológicos enxergam a Terra?
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Como-os-sat%C3%A9lites-meteorol%C3%B3gicos-enxergam-a-Terrahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Como-os-sat%C3%A9lites-meteorol%C3%B3gicos-enxergam-a-TerraWed, 05 Dec 2018 13:11:09 +0000
]]>
Exposição à poluição é desigual na cidade de São Paulo
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Exposi%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-polui%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-desigual-na-cidade-de-S%C3%A3o-Paulohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/05/Exposi%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-polui%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-desigual-na-cidade-de-S%C3%A3o-PauloWed, 05 Dec 2018 13:01:16 +0000
Maria Fernanda Ziegler, de Nova York (EUA) | Agência FAPESP – Há desigualdade em São Paulo também quando o assunto é poluição do ar. Passageiros de ônibus que fazem longos trajetos diários estão mais expostos à poluição que motoristas de carro ou passageiros de metrô. Há também uma diferença significativa entre os níveis de poluição em locais como faixas de ônibus, pontos de ônibus e nas principais vias da cidade, os chamados hotspots.
“Embora ainda esteja acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição na Região Metropolitana de São Paulo melhorou nos últimos 30 anos. Mas isso acontece quando se olha a média. A exposição à poluição não é homogênea entre as pessoas. Individualmente existem perspectivas muito acima dessa média, quando se leva em conta o tempo de exposição e os locais onde há mais poluição", disse Maria de Fátima Andrade, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em palestra na FAPESP Week New York, realizada de 26 a 28 de novembro de 2018.
O encontro, na City University of New York (CUNY), reuniu pesquisadores brasileiros e norte-americanos com o objetivo de estreitar parcerias em pesquisa.
De acordo com a OMS, o limite de exposição a material particulado é de 20 µg/m3 (micrograma por metro cúbico de ar). Índice superado por todas as estações de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Algumas chegam próximo a 40 µg/m3 de material particulado, como é o caso das estações de Osasco, Grajaú e Mauá. Um pouco acima de 20 µg/m3estão as estações de Capão Redondo, Mogi, Diadema e Cerqueira Cesar.
De acordo com Andrade, entre os motivos para a diferença da poluição entre as estações está o fato de que a frota dos carros e, sobretudo, de ônibus que circulam nas regiões periféricas é mais antiga – o que a torna mais poluente.
Andrade tem se dedicado ao estudo de poluição atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo. Em artigo publicado no ano passado na revista Atmospheric Environment, a pesquisadora e sua equipe mostraram que, embora ainda em níveis alarmantes, a qualidade do ar na Grande São Paulo melhorou nos últimos 30 anos graças, principalmente, ao controle de emissões veiculares e industriais.
O artigo é um resumo dos resultados alcançados no Projeto Temático Narrowing the uncertainties on aerosol and climate changes in São Paulo State: Nuance-SPS, apoiado pela FAPESP.
Justiça social
“Agora estamos com outro projeto temático e medimos a poluição em determinados pontos da cidade. O que vimos é que há diferença individual. Dependendo do cotidiano de cada um, a exposição à poluição será maior ou menor. Isso mostra que também do ponto de vista da poluição não há equidade em São Paulo”, disse Andrade sobre os resultados ainda não publicados do projeto temático “Astrid - accessibility, social justice and transport emission impacts of transit-oriented development strategies.
Duas bolsistas da FAPESP estão relacionadas diretamente com o projeto. A pós-doutoranda Anne Slovic está analisando a questão da desigualdade no acesso ao sistema de transporte e percepção sobre a poluição do ar, e a doutoranda Veronika Brandestá trabalhando com a aquisição de dados nas cidades envolvidas.
O projeto Astrid tem como objetivo comparar três regiões metropolitanas: São Paulo, Londres (Inglaterra) e Randstad South (que engloba Haia e Rotterdã, na Holanda) para identificar os processos e as circunstâncias que reduzem ou ampliam as diferenças sociais existentes, particularmente relacionadas à acessibilidade ao transporte, à percepção da qualidade do ar e às condições de mobilidade.
Em São Paulo, o projeto avalia a qualidade do ar no sistema de transporte (ônibus, carro e metrô), ao analisar quatro rotas entre o centro da cidade e a periferia.
Entre os resultados iniciais do projeto, cujos dados foram coletados em São Paulo, está a percepção de que a exposição a poluição é desigual. “Os dados médios não estão refletindo aquela população que está mais exposta. São pessoas que respiram mais poluentes e por mais tempo durante seu trajeto de casa para o trabalho”, disse.
Nas quatro rotas, o metrô foi o meio de transporte com menor exposição ao material particulado (variação de 12 a 17 µg/m3). Ônibus e carro permaneceram em níveis similares (mínima de 17 e máxima de 35 para ônibus e 28 µg/m3 para carro).
Estudos epidemiológicos relacionam a exposição ao material particulado, incluindo o carbono negro (ou fuligem), com mortalidade e morbidade causadas por doenças cardiovasculares, respiratórias e neurodegenerativas.
“Algumas pessoas são mais expostas, pois passam mais tempo se deslocando no transporte público. Nesse aspecto, consideramos um fator importante que é a exposição a grandes concentrações, que geralmente são desprezadas quando se olha para a média anual e para toda a região da cidade”, disse.
Poluição e a tomada de decisão
Andrade chama atenção para questões como a construção de ciclofaixas não levarem em conta as vias e os locais com maior poluição. “Em uma mesma via, um passageiro de ônibus estaria mais exposto à poluição atmosférica que um motorista de carro, pois a faixa de ônibus é um desses hotspots. Muitas ciclofaixas são instaladas próximas desses hotspots, tornando o ciclista mais exposto”, disse.
A medição da poluição nos hotspots pode contribuir também para a formulação de políticas públicas. Um exemplo, de acordo com Andrade, é a discussão sobre colocar ônibus elétricos na cidade.
“Do ponto de vista do total de emissões na Região Metropolitana de São Paulo, o efeito seria até pequeno, porque é pouco em relação ao total de emissões, mas quando se olha para a quantidade de pessoas que ficam esperando nos pontos de ônibus e dentro do sistema de transporte, expostas a essa poluição, é possível notar o benefício que a medida traria para elas. A avaliação do efeito à saúde não pode ser feita só a partir da média de concentração, mas sim considerando a rotina da população”, disse.
Fonte: https://goo.gl/BuXBAJ
]]>
Sonda espacial da Nasa chega a asteroide
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/04/Sonda-espacial-da-Nasa-chega-a-asteroidehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/04/Sonda-espacial-da-Nasa-chega-a-asteroideTue, 04 Dec 2018 12:56:00 +0000
por Redação Climatempo
Nave coletará amostras do asteroide Bennu, descoberto em 1999 e que ameaça colidir com a Terra no futuro. Viagem até o corpo celeste durou dois anos.
Depois de dois anos no espaço, a sonda Osiris-Rex da Nasa chegou nesta segunda-feira (03/12) ao seu destino: o asteroide Bennu. A missão tem com objetivo recolher amostras do de corpo rochoso.
A chegada de Osiris-Rex a Bennu foi saudada com aplausos no centro de controle da Nasa. "Nós chegamos", anunciou o engenheiro Javier Cerna.
A sonda chegou a 19 quilômetros do asteroide com formato de diamante e continuará se aproximando até 31 de dezembro, quando entrará na órbita do Bennu. Nenhuma outra espaçonave orbitou um corpo celeste tão pequeno quanto o asteroide.
Descoberto em 1999 e localizado a 130 milhões de quilômetros da Terra, Bennu, que tem cerca de 500 metros de diâmetro, é conhecido por ser rico em carbono, um composto básico para a vida. Cientistas acreditam que a amostra do asteroide possa conter evidências sobre o início do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos.
A sonda deve sobrevoar o asteroide por um ano. Nesse período, a Osiris-Rex estudará o corpo rochoso com o objetivo de selecionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha.
O braço robótico, que tem pouco mais de três metros de comprimento, tocará a superfície do asteroide durante cerca de cinco segundos, tempo em que será provocada uma explosão de gás nitrogênio, que causará oscilações na superfície, permitindo a coleta de fragmentos de rocha. Ao todo, só poderão ser feitas três tentativas de coleta.
O pedaço de asteroide, de pelo menos 60 gramas, chegará à Terra dentro de uma cápsula que irá se separar da sonda e está equipada com um escudo térmico e um paraquedas. O retorno da sonda à Terra está previsto para 2023.
Além da Nasa, o Japão trabalha atualmente num projeto semelhante. Desde junho, uma sonda desenvolvida no país está próxima ao asteroide Ryugu, que tem o dobro do tamanho de Bennu. A missão deve retornar à Terra, porém, com amostras bem menores do que a prometida pela Osiris-Rex. Essa é a segunda viagem japonesa a um asteroide. A primeira rendeu partículas minúsculas desse tipo de corpo rochoso.
Tanto Bennu quanto Ryugu são considerados asteroides potencialmente perigosos, ou seja, que poderiam colidir com a Terra. Segundo cientistas, quanto mais esses corpos rochosos forem estudados, melhor o planeta pode se preparar para evitar uma catástrofe.
A missão Osiris-Rex custou 800 milhões de dólares. A sonda foi lançada em 2016 de Cabo Canaveral, na Flórida.
Fonte: https://goo.gl/BfPo8F
]]>
A nação que busca na ficção científica soluções para não ficar submersa
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/03/A-na%C3%A7%C3%A3o-que-busca-na-fic%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-solu%C3%A7%C3%B5es-para-n%C3%A3o-ficar-submersahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/03/A-na%C3%A7%C3%A3o-que-busca-na-fic%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-solu%C3%A7%C3%B5es-para-n%C3%A3o-ficar-submersaMon, 03 Dec 2018 13:04:00 +0000
Documentário narra esforços de ex-presidente de Kiribati para encontrar novo lar para concidadãos.
Ele tenta convencer o mundo sobre a necessidade de medidas drásticas contra a mudança climática
Os mais de 100.000 habitantes de Kiribati, um pequeno arquipélago coralino do Pacífico, procuram com urgência soluções para evitar que em menos de duas gerações seu país acabe submerso sob as águas cristalinas do oceano.
Alguns cientistas acreditam que seria possível ganhar tempo com medidas de grande escala que envolvam a engenharia climática, como injetar partículas na atmosfera para repelir os raios solares e resfriar a Terra, mas pesquisadores britânicos advertiram que isso não salvará a república de seu desaparecimento. Acreditam também que providências como essas podem nos afastar do objetivo mais urgente: reduzir as emissões de poluentes.
O nível do mar já subiu entre 1 e 4 milímetros por ano desde que as medições começaram em Kiribati, em 1993, e calcula-se que grande parte de seus 33 atóis ficarão inundados antes do final do século. O aquecimento global também faz que os ciclones, que até recentemente não frequentavam essas regiões equatoriais, invistam com frequência cada vez maior contra essa ex-colônia britânica.
O destino fatal que aguarda o arquipélago fica refletido em um documentário que estreou nesta semana no Museu da Ciência de Londres. Anote's Ark (“a arca de Anote”), selecionado para o festival de documentários de Sundance, narra os esforços do ex-presidente Anote Tong para encontrar um novo lar para seus concidadãos e convencer a comunidade internacional sobre a necessidade de medidas drásticas contra a mudança climática.
Em 2014, a desesperada situação do arquipélago levou Tong a comprar 20 quilômetros quadrados de terras na vizinha Fiji, para ali instalar seus cidadãos quando o pior acontecer. Mas os problemas associados a transladar 100.000 migrantes para outro país estão longe de estarem resolvidos. Ele também discutiu com engenheiros japoneses a possibilidade de construir ilhas flutuantes, altamente tecnológicas, mas com um custo exorbitante para uma nação como Kiribati.
Tong, que presidiu Kiribati até dois anos atrás, não é o único a alertar que só uma boa dose de imaginação será capaz de frear a mudança climática. Em um artigo publicado em abril na revista Nature, um grupo de pesquisadores de países em desenvolvimento propõe que se considere seriamente a geoengenharia solar — injetar partículas de aerossol na estratosfera para refletir uma parte da radiação solar — como medida para ganhar tempo até que se possam reduzir as emissões de gases poluentes.
Embora admita que essa tecnologia beira a ficção científica, os autores do artigo, liderados por Atiq Rahman, diretor-executivo do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh, em Daca, afirmam que “poderia desacelerar, deter e inclusive reverter a elevação das temperaturas globais em um ou dois anos”. Rahman e seus colegas defendem que lugares como Kiribati não podem esperar décadas até que se desenvolvam e difundam outras tecnologias em fase de estudo, como as usinas capazes de extrair o dióxido de carbono da atmosfera e enterrá-lo a grande profundidade.
A comunidade científica, entretanto, não chega a um consenso sobre a engenharia climática, como ficou claro no debate organizado pela Royal Society e pelo Museu de Ciência de Londres após a estreia britânica do documentário, dirigido por Matthieu Rytz.
Joanna Haigh, física atmosférica do Imperial College London, disse que a geoengenharia solar não só não salvará Kiribati como também pode desviar o foco do que ela considera ser a prioridade: reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
“O problema com a geoengenharia solar é que, se você começar a utilizá-la, deverá continuar para sempre. Pode ser que a gente consiga dar uma década a mais para as pessoas de Kiribati, mas de qualquer jeito elas acabarão encobertas pela água, porque não terá sido feito o que era preciso.”
É uma opinião compartilhada por Jack Stilgoe, especialista em inovação responsável do University College de Londres e autor de um livro sobre geoengenharia. “Não queremos nos enganar com esta forma de pensamento mágico onde continuamos inflando a bolha especulativa que sugere haver tecnologias que poderiam vir em nosso socorro, se não atualmente, pelo menos logo ali na esquina. Há muita especulação entre os que estudam a geoengenharia solar. Não digo que não devamos falar disso, mas talvez devêssemos falar disso de outra maneira.”
As propostas de geoengenharia solar são em sua maioria apenas “ideias e teorias” ainda muito distantes de serem levadas à prática, argumentou Naomi Vaughan, pesquisadora-sênior na Universidade de East Anglia, especializada em engenharia climática.
O divulgador científico Oliver Morton, autor do livro The Planet Remade: How Geoengineering Could Change the World (“o planeta refeito: como a geoengenharia pode mudar o mundo”), considera, contudo, que a geoengenharia solar merece uma oportunidade. “Ninguém acredita que vá solucionar todos os problemas. O que deveríamos pensar é quanto risco poderíamos reduzir com ela. Obviamente, ninguém responsável está pensando em aplicar a geoengenharia solar em vez de reduzir as emissões,” disse. “Temos o dever para com aqueles que virão de começar a pensar nas possibilidades, as vantagens e os inconvenientes, e como desenvolver isso. Dizer que esta tecnologia é ridícula significa descartar algo que poderia salvar muitas vidas se aplicado de maneira justa e sustentável.”
Fonte: https://goo.gl/gBYR74
]]>
Secretário-geral da ONU pede aposta por economia verde em abertura da COP 24
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/03/Secret%C3%A1rio-geral-da-ONU-pede-aposta-por-economia-verde-em-abertura-da-COP-24https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/12/03/Secret%C3%A1rio-geral-da-ONU-pede-aposta-por-economia-verde-em-abertura-da-COP-24Mon, 03 Dec 2018 12:48:00 +0000
Presidente polonês afirmou que o país "nunca vai desistir do carvão". A Polônia sedia a Conferência do Clima, que vai até o dia 14.
Por G1
O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, pediu nesta segunda-feira (3), na sessão inaugural da Conferência do Clima do Clima da ONU, a COP24, que acontece em Katowice, na Polônia, que governos e investidores apostem "na economia verde, não no cinza da economia carbonizada".
Guterres também lembrou a necessidade de "mobilizar recursos o mais rápido possível para diminuir o avanço da mudança climática" durante o seu discurso aos delegados presentes na cúpula. Destacou, ainda, a oportunidade econômica que a transição para um modelo econômico que respeite o meio ambiente representa.
"Mas para conseguir isso, é preciso eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, que tanto prejuízo causam ao meio ambiente", acrescentou o secretário-geral da ONU, uma mensagem que poderia ter sido dirigida expressamente à Polônia, país anfitrião da COP e no qual 80% da energia é baseada no carvão, um mineral que recebe fortes subsídios na economia polonesa.
Guterres defendeu a mobilização "sem demora dos US$ 100 bilhões anuais" que os países desenvolvidos se comprometeram a investir no Acordo de Paris de 2015.
Nenhum dos líderes dos principais países desenvolvidos compareceu à conferência.
Polônia "nunca vai desistir do carvão", diz o presidente.
O presidente polonês, Andrzej Duda, afirmou também nesta segunda (3) em coletiva de imprensa que o país, que sedia a COP pela terceira vez, não tem planos para remover completamente o carvão das suas fontes de energia.
Segundo a agência de notícias americana AP, Duda disse que "não há planos hoje para abandonar totalmente o carvão", já que os suprimentos da Polônia podem durar mais de 200 anos. Ele disse que o carvão era o "combustível fóssil estratégico" da Polônia, garantindo sua segurança e soberania energética, e "seria difícil não usá-lo".
Fonte: https://goo.gl/UabKsk
]]>
Uso consciente da água
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/Uso-consciente-da-%C3%A1guahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/Uso-consciente-da-%C3%A1guaThu, 29 Nov 2018 21:59:56 +0000
]]>
I Workshop de Meteorologia - Palestra Raquel Albrecht
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-Raquel-Albrechthttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-Raquel-AlbrechtThu, 29 Nov 2018 21:59:29 +0000
]]>
2018 foi o quarto ano mais quente
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/2018-foi-o-quarto-ano-mais-quentehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/29/2018-foi-o-quarto-ano-mais-quenteThu, 29 Nov 2018 13:08:00 +0000
Pessoas deslocadas por eventos climáticos extremos foram 2 milhões, diz Organização Meteorológica Mundial; 59 milhões de africanos foram expostos a desnutrição por secas e enchentes
DO OC – O ano de 2018 foi o quarto mais quente da história desde que os registros começaram a ser feitos, em 1850. Perdeu apenas para 2016, 2017 e 2015. Isso quer dizer que os quatro últimos anos foram todos os mais escaldantes desde o início das medições com termômetros.
Os dados são do relatório Estado do Clima Global, da Organização Meteorológica Mundial, a OMM. Divulgado todos os anos pouco antes das conferências do clima, o documento faz um compilado dos extremos climáticos do ano – um alerta para os negociadores de 196 países que se reunirão dias depois para tentar chegar a acordos sobre a melhor maneira de enfrentar esses extremos. A reunião deste ano começa no próximo domingo em Katowice, Polônia.
Segundo o relatório, a temperatura global até outubro de 2018 foi 0,98oC maior que a média da era pré-industrial (1850 a 1900). Entre 2014 e 2018, a média foi de 1,04oC. Neste ano, um fenômeno La Niña, o resfriamento cíclico das águas do oceano Pacífico, ajudou a abaixar os termômetros ligeiramente no mundo todo. Em 2016, o oposto aconteceu: um El Niño forte turbinou o esquentamento recorde.
Mas sem a tendência subjacente de aquecimento global o El Niño não teria esquentado tanto o mundo dois anos atrás e a La Niña o teria resfriado mais. Os quatro recordes consecutivos indicam que, mesmo removendo a variabilidade natural cíclica, o clima segue em marcha inexorável de aquecimento. Além disso, há sinais de um El Niño retornando em 2019, o que pode tornar o ano que vem mais quente do que este.
O gelo marinho no oceano Ártico teve sua segunda menor extensão máxima e sua quarta menor extensão mínima. O teor de calor nos oceanos foi, de janeiro a setembro, o maior ou o segundo maior da história, e o número de ciclones tropicais (furacões e tufões) foi maior do que a média.
Extremos de calor também marcaram o ano, em especial no hemisfério Norte. A OMM relata a onda de calor que atingiu a Escandinávia no primeiro semestre, causando incêndios florestais raros acima do Círculo Polar Ártico. A gélida Helsinque, na Finlândia, cuja média de temperatura no mês mais quente do ano é 17oC, viu 25 dias seguidos de calor acima de 25oC. O Japão e a Coreia do Sul bateram recordes nacionais de calor (41,1oC e 41oC, respectivamente), e uma cidade de Omã registrou a maior temperatura noturna já medida na Terra – 42,6oC. Neste mês, incêndios florestais arrasam partes da Califórnia, nos EUA, com 79 mortos no incêndio Camp – e contando.
Também houve frio intenso na Europa em fevereiro e março, uma das ondas de frio mais severas dos últimos anos (calma, Ernesto: extremos de frio também são previstos num mundo em aquecimento; entenda por que neste vídeo).
Neste ano, a OMM também computou os impactos socioeconômicos dos eventos extremos. Em 2017, ano para o qual há dados disponíveis, a fome associada a eventos climáticos afetou 59 milhões de pessoas apenas no continente africano. No mundo inteiro, das 17,7 milhões de pessoas forçadas a deixar seus lares, 2 milhões o fizeram por conta de eventos climáticos, segundo o relatório.
No começo de outubro, o IPCC, o painel de cientistas climáticos da ONU, publicou um relatório especial mostrando que a humanidade terá 12 anos para cortar 45% das suas emissões se quiser evitar um aquecimento global potencialmente catastrófico acima de 1,5oC. Na última terça-feira, a ONU Meio Ambiente lançou outro relatório indicando que mesmo para a meta menos ambiciosa de estabilizar o aquecimento em menos de 2oC será preciso triplicar os esforços.
“Nós não estamos no rumo de cumprir as metas climáticas e conter os aumentos de temperatura”, disse o secretário-geral da OMM, o finlandês Petteri Taalas. “As concentrações de gases de efeito estufa estão mais uma vez em níveis recorde e, se a tendência atual continuar, poderemos ver aumentos de temperatura de 3oC a 5oC no fim do século.” Taalas lembrou uma frase famosa do ex-presidente americano Barack Obama: “Vale repetir que nós somos a primeira geração a entender completamente as mudanças climáticas e a última que ainda pode dar um jeito nelas.”
Fonte: https://goo.gl/WQnSz3
]]>
União Europeia decide encerrar até 2050 a era dos combustíveis fósseis no bloco
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/28/Uni%C3%A3o-Europeia-decide-encerrar-at%C3%A9-2050-a-era-dos-combust%C3%ADveis-f%C3%B3sseis-no-blocohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/28/Uni%C3%A3o-Europeia-decide-encerrar-at%C3%A9-2050-a-era-dos-combust%C3%ADveis-f%C3%B3sseis-no-blocoWed, 28 Nov 2018 13:01:00 +0000
Comissão Europeia defende benefícios econômicos de eliminar por completo os gases do efeito estufa na região até meados deste século
A era da combustão na Europa – em que o carvão, o petróleo e o gás natural foram os motores de sua próspera economia – tem prazo para acabar: 2050. A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) propôs que as emissões de gases do efeito estufa no bloco desapareçam em meados deste século, o que implica deixar de lado esses combustíveis fósseis que permitiram o expressivo crescimento do Ocidente desde 1950. Bruxelas defende, entre outros pontos, que 80% da eletricidade provenha de energias renováveis em 2050, e também que sejam usadas ferramentas tributárias para combater as tecnologias mais sujas. A Comissão calcula inclusive que essa transição trará benefícios econômicos para a UE, ao invés de prejuízos.
O Parlamento Europeu insistiu há um ano para que a Comissão apresentasse uma estratégia de longo prazo destinada a livrar a UE dessas emissões até meados do século XXI. É esse documento que Bruxelas apresentará nesta quarta-feira. O estudo, ao qual o EL PAÍS teve acesso antecipadamente, destaca que as políticas hoje vigentes na UE só permitiriam uma redução de 60% nas emissões até 2050. “Isto não é suficiente para que a UE contribua para os objetivos do Acordo de Paris”, admite Bruxelas em seu documento. Daí a necessidade de novas políticas e de estabelecer a meta de zerar as emissões dentro de pouco mais de três décadas.
O Acordo de Paris reconhece que o aquecimento global já é irreversível, por isso os signatários se conformam em limitar o aumento da temperatura até o final deste século em 1,5 a 2 graus Celsius acima dos valores médios de 1990. Essa é a margem para evitar as piores catástrofes climáticas. Para atingir essa meta, é preciso que todos os países apresentem planos de redução de emissões de gases do efeito estufa. A Europa atualmente responde por 10% das emissões mundiais.
Mais ambicioso
A estratégia de emissão zero até 2050 implica aumentar a ambição europeia na guerra contra o aquecimento. Em 2009, a UE estabeleceu uma redução de 80% a 95% das suas emissões até 2050, em comparação aos níveis de 1990. Entre as razões mencionadas agora pela Comissão para intensificar seus esforços está o recente relatório em que o IPCC (equipe científica que assessora a ONU) pede aos países que tomem atitudes, frente ao risco de fracassar e descumprir o que foi decidido na cúpula climática de 2015 em Paris.
A Comissão tenta afastar os temores quando recorda em sua estratégia que é possível crescer economicamente e ao mesmo tempo reduzir as emissões de gases do efeito estufa. É algo que o continente já tem conseguido: entre 1990 e 2016, essas emissões diminuíram 22% na UE, enquanto o PIB cresceu 54%. Com sua proposta, Bruxelas envia agora um poderoso sinal político. Também para setores como o energético e dos transportes, com a indústria automobilística já envolvida numa corrida tecnológica para se adaptar ao novo modelo.
O documento salienta os benefícios dessa corrida de longo percurso. Os impactos econômicos totais “são positivos apesar dos importantes investimentos adicionais que exigem”, aponta a Comissão. Segundo os cálculos de Bruxelas, o PIB crescerá 2 pontos percentuais a mais com as políticas de descarbonização que permitirão zerar as emissões. E isso sem contar o benefício econômico representado pela erradicação dos danos provocados pela mudança climática, que um recente relatório oficial de Bruxelas estimou em 240 bilhões de euros (1,05 trilhão de reais) por ano se o Acordo de Paris fracassar.
Mas as boas intenções reveladas pela Comissão neste documento ainda precisam ser referendadas e concretizadas em um pacote de medidas amplo, como o que já existe para o período compreendido entre agora e 2030.
Os 27 países da UE ainda precisam dar luz verde a esta estratégia. A predisposição parece favorável. Os ministros de Meio Ambiente de uma dezena de Estados – entre eles França, Itália e Espanha – assinaram há duas semanas uma carta conjunta dirigida ao comissário (ministro) europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Árias Cañete, em que insistiam para que fosse ambicioso e cumprisse o objetivo de zerar as emissões até 2050. Entretanto, países como a Alemanha, o motor econômico europeu, não se pronunciaram a respeito.
Mortes prematuras
Uma vez que o plano for aprovado pelos Governos nacionais, o maquinário legislativo da UE começará a operar, mas tendo no horizonte o objetivo de eliminar as emissões. A estratégia para 2050 será debatida também nesta quarta no Parlamento Europeu.
Árias Cañete ressalta que o plano de Bruxelas também “reduzirá em mais de 40% as mortes prematuras por poluição atmosférica, e os custos sanitários diminuirão em 200 bilhões de euros (875 bilhões de reais) por ano”. Os cálculos da Comissão prognosticam ao mesmo tempo uma descomunal economia graças à nula dependência das importações de petróleo: ao todo, entre dois e três trilhões de euros (8,75 a 3,13 trilhões de reais) entre 2030 e 2050.
A estratégia da Comissão é explícita quando aborda a transformação do setor elétrico. O barateamento dos custos das energias renováveis permitiu uma rápida implantação dessa matriz limpa. Para 2050, Bruxelas recorda que “mais de 80% da eletricidade virá de fontes renováveis”. A isso a Comissão soma outros 15% procedentes da nuclear – que não emite CO2, mas gera outros problemas relacionados aos resíduos – para falar de um modelo de matriz elétrica 100% livre de gases do efeito estufa. Esse plano inclui o fechamento de todas as centrais termoelétricas alimentadas com carvão e gás natural.
No caso do transporte, onde há importantes pressões das montadoras de automóveis, a Comissão não se aprofunda tanto. Embora o documento se refira à importância da eletrificação de carros e caminhões, não fecha a porta a “combustíveis alternativos”, como os biocombustíveis. O documento menciona, isso sim, a polêmica técnica de captura e armazenagem de dióxido de carbono, alvo de uma grande rejeição social, defendendo que sua implantação continua sendo “necessária”. Bruxelas, além disso, destaca a importância de usar os impostos e subvenções como uma “ferramenta eficiente para a política ambiental”.
Fonte: https://goo.gl/SbY9M6
]]>
Países precisam triplicar esforços para alcançar objetivo do Acordo de Paris até 2030
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Tempestade-de-areia-gigantesca-engole-cidade-chinesa-1https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Tempestade-de-areia-gigantesca-engole-cidade-chinesa-1Tue, 27 Nov 2018 21:47:00 +0000
Relatório da ONU indica que países do G20 não estão no caminho para cumprir promessas climáticas. Em 2017, as emissões de CO2 aumentaram depois de três anos de estagnação.
Para alcançar os objetivos do Acordo de Paris até 2030, os países do G20 devem triplicar seus esforços no controle das emissões de gases do efeito estufa, informa relatório da Organização das Nação Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira (27), uma semana antes da nova Conferência do Clima.
Ainda de acordo com o documento, apesar de os países não estarem no caminho para cumprir as promessas climáticas, ainda é possível alcançar a meta para limitar o aumento de temperatura a 2° C ou 1,5 ° C. Para isso, precisam implementar políticas adicionais para reduzir ainda mais suas emissões de gases de efeito estufa.
O Acordo de Paris foi assinado por 195 líderes mundiais em 2015 e prevê que países devem manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC.
Ainda segundo o relatório, sem mudanças, o aumento de temperatura pode chegar a 3° C até 2100.
Aumento nas emissões de gases
Em 2017, as emissões de CO2 aumentaram depois de três anos de estagnação. As emissões anuais totais de gases de efeito estufa (GEE), incluindo as mudanças no uso da terra, alcançaram um recorde de 53,5 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) em 2017, um aumento de 0,7 GtCO2e em comparação com 2016.
As emissões globais de GEE em 2030 precisam ser aproximadamente 25% e 55% mais baixas do que em 2017 para colocar o mundo em um caminho para limitar o aquecimento global.
Em 2018, as emissões globais de dióxido de carbono devem subir novamente, segundo a Agência Internacional de Energia e o Global Carbon Project, que divulgarão os dados oficialmente na próxima semana.
O que pode ser feito
O documento apresenta ainda dois tópicos que considera cruciais para uma política de emissão zero de gases do efeito estufa:
Políticas fiscais que permitam resultados sem impactos sociais e econômicosPolíticas de inovação e criação de mercados que usem tecnologias que permitam baixa emissão de gases
Segundo a ONU, a reforma da política fiscal pode desempenhar um papel fundamental na criação de fortes incentivos para investimentos de baixo carbono e na redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE).
"As receitas da precificação de carbono podem ser usadas para reduzir outros impostos, aumentar os gastos com questões sociais e / ou compensar as famílias de baixa renda. Pacotes de reforma fiscal bem concebidos podem reduzir os custos de mitigação de emissões, tornando assim essas reformas fiscais mais socialmente aceitáveis. O uso de precificação de carbono para reduzir as emissões de GEE ainda está emergindo em muitos países e geralmente não é aplicado em um nível suficiente para facilitar uma mudança real para sociedades de baixo carbono", diz trecho do relatório.
Metas não-cumpridas pelos países
Atualmente, os países do G20 não estão no caminho para cumprir suas metas até 2030. Cerca de metade dos membros não alcançaram suas metas incondicionais (Argentina, Austrália, Canadá, União Europeia, República da Coréia, Arábia Saudita, África do Sul e Estados Unidos).
O Brasil, a China e o Japão estão a caminho de cumprir suas metas nacionais sob as políticas atuais, enquanto as emissões sob as políticas atuais de três países adicionais (Índia, Rússia e Turquia) são projetadas para ser mais de 10% abaixo de sua meta incondicional.
Os membros do G20 precisarão implementar políticas adicionais para reduzir ainda mais suas emissões anuais de gases de efeito estufa em cerca de 2,5 GtCO2e para alcançar suas metas nacionais e cerca de 3,5 GtCO2e para alcançar suas metas condicionais até 2030. Essas reduções adicionais necessárias diminuíram em aproximadamente 1 GtCO2e em 2017 devido a menores projeções de emissões sob as atuais políticas na China, na União Europeia e nos Estados Unidos.
O pico global de emissões de gases do efeito estufa (GEE) é determinado pelas emissões agregadas de todos os países. Embora tenha havido um progresso constante no número de países que atingiram o pico de suas emissões de GEE ou se comprometeram a fazê-lo no futuro, o número não é grande o suficiente para permitir que as emissões mundiais atinjam o pico no curto prazo. Apenas 49 países já o fizeram e representam apenas 36% de participação global de emissões.
Fonte: https://goo.gl/XCGimY
]]>
Tempestade de areia gigantesca 'engole' cidade chinesa
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Tempestade-de-areia-gigantesca-engole-cidade-chinesahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Tempestade-de-areia-gigantesca-engole-cidade-chinesaTue, 27 Nov 2018 21:45:00 +0000
Uma tempestade de areia engoliu a cidade de Zangye, de 1,2 milhão de habitantes, no noroeste da China. O solo do deserto de Gobi foi levado por ventos de mais de 60 km/h.
A visibilidade se reduziu para menos de 100 metros na cidade. O volume de partículas voando pelos ares formou uma "muralha” de areia, de cerca de 10 metros.
A tempestade de areia causou caos no trânsito e forçou os moradores a caminharem com panos sobre o rosto, para evitar problemas respiratórios.
As ruas da cidade também pareciam ter mudado de cor, adquirindo um tom amarelado causado pela névoa de poeira. Em áreas rurais, o vento alimentou focos de incêndio.
Autoridades lançaram um alerta de que o clima seco poderia causar queimadas e pediu que os moradores "tomassem precauções".
Assista aqui: https://goo.gl/rWozzX
Fonte: BBC News Brasil
]]>
Após pouso, sonda da Nasa ativa painéis solares e envia foto da superfície de Marte
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Ap%C3%B3s-pouso-sonda-da-Nasa-ativa-pain%C3%A9is-solares-e-envia-foto-da-superf%C3%ADcie-de-Martehttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/27/Ap%C3%B3s-pouso-sonda-da-Nasa-ativa-pain%C3%A9is-solares-e-envia-foto-da-superf%C3%ADcie-de-MarteTue, 27 Nov 2018 21:38:00 +0000
Sonda deverá medir abalos sísmicos em Marte. Com painéis solares ativados, equipamento poderá recarregar as baterias todos os dias, o que é crucial para a missão.
Após pousar em Marte nesta segunda-feira (26), a sonda Mars Insight, da Nasa, conseguiu transmitir uma foto nítida da superfície de Marte e emitiu sinais que indicam que os painéis solares estão abertos e coletando a luz do Sol na superfície do planeta vermelho.
Segundo a Nasa, isso significa que a espaçonave poderá recarregar as baterias todos os dias, o que é crucial para a missão, que deverá medir abalos sísmicos em Marte.
Já a foto foi feita por uma câmera instalada no braço robótico.
"A equipe da InSight pode ficar um pouco mais tranquila sabendo que as matrizes solares estão sendo implantadas e recarregando as baterias", disse Tom Hoffman, gerente de projeto da InSight no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, que lidera a missão.
"Tem sido um longo dia para a equipe. Mas amanhã começa um excitante novo capítulo para o InSight: operações de superfície e o início da fase de implantação do instrumento", disse.
A Insight tem um par de placas solares, com 2,2 metros de comprimento cada uma. Quando abertos, diz a Nasa, ficam do tamanho de um carro conversível dos anos 1960.
Em Marte, a luz solar é mais fraca se comparada àquela captada na Terra, porque o planeta vermelho está mais distante do Sol. Entretanto, segundo a agência espacial americana, a sonda está preparada para este cenário: ela produz de 600 a 700 watts em um dia claro, o suficiente para manter os instrumentos operando no planeta. Ainda que a poeira cubra os painéis, o sistema continuará produzindo pelo menos de 200 a 300 watts.
Próximos passos
Nos próximos dias, a equipe da missão vai ativar o braço robótico da InSight e usar a câmera acoplada para tirar fotos do solo. Com essas informações, os engenheiros vão decidir onde colocar, no planeta vermelho, os instrumentos científicos da espaçonave. A Nasa estima que levará de dois a três meses até que esses instrumentos sejam totalmente implantados e possam enviar dados.
Enquanto isso, a InSight usará seus sensores meteorológicos e magnetômetro para fazer leituras do local de pouso na Elysium Planitia - sua nova casa em Marte.
Fonte: https://goo.gl/MYrT2Y
]]>
A preocupante volta do CFC, o gás que provoca o buraco na camada de ozônio
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/25/A-preocupante-volta-do-CFC-o-g%C3%A1s-que-provoca-o-buraco-na-camada-de-oz%C3%B4niohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/25/A-preocupante-volta-do-CFC-o-g%C3%A1s-que-provoca-o-buraco-na-camada-de-oz%C3%B4nioSun, 25 Nov 2018 21:50:00 +0000
O buraco na camada de ozônio, símbolo da causa ambientalista a partir dos anos 1980, diminuiu depois de um esforço mundial para reduzir a emissão de gases poluentes. Mas cientistas sinalizam que o risco a essa barreira protetora natural está de volta.
O ozônio é um gás incolor que forma uma fina camada na atmosfera e absorve componentes nocivos da luz solar, conhecidos como raios "ultravioleta B" ou "UV-B". Ele protege os seres humanos dos riscos de desenvolver câncer de pele ou catarata, entre outras doenças, e impede mutações nocivas em animais e plantas.
Em seu relatório anual sobre gases que causam o efeito estufa, a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) detectou o ressurgimento do gás CFC-11, um dos principais causadores do buraco, cuja produção é banida pelo Protocolo de Montreal.
O buraco é bem embaixo
Nos anos 1980, cientistas descobriram que a produção humana de gases CFC (clorofluorocarboneto) tinha causado um buraco enorme na camada de ozônio, colocando em risco a vida no planeta. A abertura, encontrada em cima no Polo Sul, acendeu um alerta global e se tornou o maior ícone da luta pela preservação ambiental da época.
Em 1987, foi assinado o Protocolo de Montreal, um acordo global para proteger a camada de ozônio no qual os países signatários se comprometeram a reduzir a produção e a comercialização de substâncias consideradas responsáveis pelo dano – entre elas os CFCs, incluindo o CFC-11.
Os gases do tipo foram substituidos por outros, como hidroclorofluorcarbonos, hidrofluorcarbonos e perfluorcarbonos – que embora não sejam nocivos à camada de ozônio, contribuem para o aquecimento global, segundo o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
Os CFCs eram facilmente encontrados em sprays aerossóis, geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, equipamentos contra incêndio e solventes. Desde então, a quantidade deles na atmosfera vem caindo, mas neste ano os pesquisadores da WMO notaram que as reduções do nível do CFC-11 vêm diminuindo – o que indica que alguém, em algum lugar, voltou a produzir o gás.
A produção do CFC-11 é duplamente nociva: além de aumentar o buraco na camada que nos protege dos raios UV-B, ela contribuiu para o aquecimento global.
No início de 2018, a Agência de Pesquisa Ambiental, no Reino Unido, rastreou a produção de CFC e chegou a uma série de fábricas na China.
A agência afirmou que esses gases poderiam ser provenientes da produção de espumas de isolamento térmico de poliuretano, feitas na China para uso doméstico a custo baixo. O caso ainda está sob investigação.
Cientistas afirmam que os níveis detectados dessa substância hoje podem indicar uma piora ainda maior no futuro. "É possível que as novas emissões sejam o ponta do iceberg", diz químico e metereologista Matt Rigby, da Universidade de Bristol.
"Pode haver muito mais que está preso nesses materiais e que vai acabar sendo liberado para a atmosfera nas próximas décadas."
Ameaça constante
De acordo com a última avaliação da Nasa, agência espacial norte-americana, realizada em setembro de 2018, o tamanho do buraco na camada de ozônio é de 23 milhões de km², quase a mesma superfície da América do Norte (24,7 milhões de km²).
Mas, apesar dessa lacuna, a quantidade de moléculas de ozônio na atmosfera ao redor do planeta ainda é "bastante constante, com uma redução de cerca de 2% nos últimos anos", diz o químico Stephen Motzka, pesquisador da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês).
Com a diminuição dos gases que geram o buraco, a tendência é que a camada se recomponha sozinha – em 2017, a Nasa informou que o buraco atingiu o menor tamanho registrado desde 1988. A melhora "excepcional", segundo os cientistas, está relacionada a condições climáticas.
Se as medidas para diminuição da produção de CFC pelo Protocolo de Montreal não tivessem sido tomadas, o Pnuma calcula que o consumo de CFC teria alcançado 3 milhões de toneladas em 2010 – o que seria suficiente para que o buraco aumentasse até ocupar 50% da camada.
As consequências seriam "20,5 milhões de casos de câncer de pele e 130 milhões casos de cataratas oculares", segundo o órgão da ONU.
Os especialistas esperam que o buraco seja reduzido para os níveis de 1980 até o ano de 2070 – mas o cronograma está em risco caso a volta na produção CFC-11 não seja contida.
Por que o buraco da camada está sobre a Antártida?
Quando tentamos localizar no planeta onde está o dano à camada de ozônio, olhamos para a Antártida.
"A Antártida é onde a redução do ozônio é mais flagrante e maior durante uma época específica do ano, quando é a primavera (setembro-novembro)", explica Motzka.
O frio extremo da região e a grande quantidade de luz ajudam a produzir as chamadas nuvens estratosféricas polares.
Nestas nuvens frias, é produzida a reação química a partir dos gases CFC que destrói o ozônio.
É por isso que alguns países da América Latina são mais afetados que outros pelo aumento dos níveis de radiação.
"Países com altas latitudes no hemisfério sul podem ter uma exposição maior e ser mais afetados pelos danos da camada de ozônio sobre a Antártida", diz Motzka.
Aqueles que estão mais próximos do buraco, como Argentina e Chile, são os mais vulneráveis, segundo o especialista. Neles já foram encontrados uma série de plantas e animais com mutações e câncer de pele devido aos efeitos dos raios UV-B.
Fonte: https://goo.gl/ZxEDfJ
]]>
Utqiaġvik, o povoado que só voltará a ver a luz do sol em 23 de janeiro
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/23/Utqia%C4%A1vik-o-povoado-que-s%C3%B3-voltar%C3%A1-a-ver-a-luz-do-sol-em-23-de-janeirohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/23/Utqia%C4%A1vik-o-povoado-que-s%C3%B3-voltar%C3%A1-a-ver-a-luz-do-sol-em-23-de-janeiroFri, 23 Nov 2018 21:56:00 +0000
Por Carolina Dantas, G1
O desmatamento na Amazônia cresceu 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, de acordo com nota conjunta divulgada na última sexta-feira (23) pelos ministérios do Meio Ambiente e Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A área desmatada é de 7.900 km², contra 6.947 km² perdidos no mesmo período dos anos anteriores.
A taxa preliminar foi obtida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ela é criada por meio de imagens de satélite que registram e quantificam as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O levantamento usa apenas dados de quando há remoção completa da cobertura florestal por corte raso.
O desmatamento registrado é o maior desde 2008, quando a área desmatada de floresta foi de 12.911 km².
Em nota, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, disse que "o recrudescimento do crime organizado que atua no desmatamento ilegal da Amazônia, destruindo as riquezas naturais do país e causando danos para toda sociedade, está associado a outras práticas criminosas, como tráfico de armas e animais, trabalho escravo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro".
Os estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas são os que têm a maior área de perda da floresta. O Acre é o estado onde mais cresceu o desmatamento: 82,9% em relação ao mesmo período analisado anteriormente.
O Observatório do Clima avalia que essa alta na taxa de desmatamento não é surpreendente, e "acontece apesar dos esforços do Ministério do Meio Ambiente de intensificar o combate aos crimes ambientais na Amazônia. É provavelmente fruto de uma série de circunstâncias climáticas e cambiais – o dólar alto eleva os preços dos produtos agrícolas e estimula a devastação".
A organização também disse que "ao longo do último ano, o Palácio do Planalto e governos estaduais fizeram uma série de acenos à bancada ruralista, como a anistia à grilagem de terras, assinada pelo Presidente da República em julho de 2017 (pouco antes de começar a contagem dos dados de 2018)".
Emissões em 2017
No ano passado, a taxa de emissões dos gases do efeito estufa caiu 2,3%. De acordo com Carlos Rittl, do Observatório do Clima, isso se deve à queda de 16% na taxa de desmatamento registrada entre agosto de 2016 e julho de 2017. A mudança no uso da terra, indicador ligado à perda das florestas, é a principal causa para uma alta das emissões brasileiras.
"A principal fonte das emissões, historicamente aqui no Brasil, ainda é o desmatamento, principalmente na Amazônia. Mas não é pequena a contribuição do desmatamento no Cerrado, onde a gente destrói mais floresta do que na Amazônia", disse Rittl.
Como neste periodo entre 2017 e 2018 o desmatamento voltou a crescer, Rittl acredita que a taxa de emissões também deverá subir neste ano. Os estados do Pará e Mato Grosso, além de serem os que mais desmatam, são os que mais emitem gases do efeito estufa. O dado comprova a relação entre os dois indicadores ambientais.
"Embora tenhamos que avaliar cada setor, e dados consolidados para cada um, definitivamente terão aumentado [as emissões em 2018]. E isso ainda não inclui o grosso do período eleitoral, de agosto pra cá. Estamos em curva de ascensão perigosa de desmatamento e emissões", completou Rittl.
Fonte: https://goo.gl/8VDBA8
]]>
Desmatamento na Amazônia cresce 13,7% entre 2017 e 2018, dizem ministérios
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/23/Desmatamento-na-Amaz%C3%B4nia-cresce-137-entre-2017-e-2018-dizem-minist%C3%A9rioshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/23/Desmatamento-na-Amaz%C3%B4nia-cresce-137-entre-2017-e-2018-dizem-minist%C3%A9riosFri, 23 Nov 2018 21:55:00 +0000
Área perdida de floresta é de 7.900 km², contra 6.947 km² desmatados no mesmo período analisado anteriormente.
Por Carolina Dantas, G1
O desmatamento na Amazônia cresceu 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, de acordo com nota conjunta divulgada na última sexta-feira (23) pelos ministérios do Meio Ambiente e Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A área desmatada é de 7.900 km², contra 6.947 km² perdidos no mesmo período dos anos anteriores.
A taxa preliminar foi obtida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ela é criada por meio de imagens de satélite que registram e quantificam as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O levantamento usa apenas dados de quando há remoção completa da cobertura florestal por corte raso.
O desmatamento registrado é o maior desde 2008, quando a área desmatada de floresta foi de 12.911 km².
Em nota, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, disse que "o recrudescimento do crime organizado que atua no desmatamento ilegal da Amazônia, destruindo as riquezas naturais do país e causando danos para toda sociedade, está associado a outras práticas criminosas, como tráfico de armas e animais, trabalho escravo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro".
Os estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas são os que têm a maior área de perda da floresta. O Acre é o estado onde mais cresceu o desmatamento: 82,9% em relação ao mesmo período analisado anteriormente.
O Observatório do Clima avalia que essa alta na taxa de desmatamento não é surpreendente, e "acontece apesar dos esforços do Ministério do Meio Ambiente de intensificar o combate aos crimes ambientais na Amazônia. É provavelmente fruto de uma série de circunstâncias climáticas e cambiais – o dólar alto eleva os preços dos produtos agrícolas e estimula a devastação".
A organização também disse que "ao longo do último ano, o Palácio do Planalto e governos estaduais fizeram uma série de acenos à bancada ruralista, como a anistia à grilagem de terras, assinada pelo Presidente da República em julho de 2017 (pouco antes de começar a contagem dos dados de 2018)".
Emissões em 2017
No ano passado, a taxa de emissões dos gases do efeito estufa caiu 2,3%. De acordo com Carlos Rittl, do Observatório do Clima, isso se deve à queda de 16% na taxa de desmatamento registrada entre agosto de 2016 e julho de 2017. A mudança no uso da terra, indicador ligado à perda das florestas, é a principal causa para uma alta das emissões brasileiras.
"A principal fonte das emissões, historicamente aqui no Brasil, ainda é o desmatamento, principalmente na Amazônia. Mas não é pequena a contribuição do desmatamento no Cerrado, onde a gente destrói mais floresta do que na Amazônia", disse Rittl.
Como neste periodo entre 2017 e 2018 o desmatamento voltou a crescer, Rittl acredita que a taxa de emissões também deverá subir neste ano. Os estados do Pará e Mato Grosso, além de serem os que mais desmatam, são os que mais emitem gases do efeito estufa. O dado comprova a relação entre os dois indicadores ambientais.
"Embora tenhamos que avaliar cada setor, e dados consolidados para cada um, definitivamente terão aumentado [as emissões em 2018]. E isso ainda não inclui o grosso do período eleitoral, de agosto pra cá. Estamos em curva de ascensão perigosa de desmatamento e emissões", completou Rittl.
Fonte: https://goo.gl/8VDBA8
]]>
A Holanda afunda mais depressa que o previsto
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/22/A-Holanda-afunda-mais-depressa-que-o-previstohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/22/A-Holanda-afunda-mais-depressa-que-o-previstoThu, 22 Nov 2018 13:06:00 +0000
Mapa digital mostra rebaixamento do solo por causa da mudança climática e ação humana
A Holanda do ponto de vista geográfico é um delta, e seu solo está afundando a uma velocidade maior do que se esperava, por causa da ação humana e da mudança climática. Os verões muito calorosos dos últimos anos intensificaram o afundamento do terreno, e em áreas onde prepondera a turfa — o carvão formado pela decomposição de vegetais — esse processo é irreversível. Um novo mapa digital revelou um processo de deterioração ambiental que, segundo a Agência de Avaliação Ambiental do país, causará gastos de 22 bilhões de euros (96 bilhões de reais) até 2050. Tanto o campo como a cidade estão sendo afetados, e a evolução desse mapa será atualizada diariamente a partir de agora.
O rebaixamento do solo em grande parte da Holanda costumava ser compensado pela areia e a argila depositadas durante as inundações pelos grandes rios que atravessam seu território, especialmente o Reno, o Mosela e o Escalda. Mas a construção de diques remonta à Idade Média, e os rios já não transbordam com tanta periodicidade.
“Estamos há 400 anos bombeando a água para cultivar e criar animais em terra seca, e solo foi caindo abaixo do nível do mar. Já se sabia, mas com este novo mapa vemos claramente que no oeste do país, com terrenos de argila e turfa, esta última desaparece uma vez exposta, devido à sucção periódica de água. Oxida-se ao entrar em contato com o ar e contribui para as emissões de CO2”, diz Ramón Hanssen, catedrático de Geodesia e Observação da Terra por Satélite na Universidade Técnica do Delft e chefe da pesquisa que resultou no mapa. Atualizado com informação de satélite, suas medições são exatas e servirão para diferenciar as causas naturais e as provocadas do afundamento do solo.
“É um problema que pode não só alterar a típica paisagem holandesa, com seus prados, moinhos e cidades monumentais. O dano causado aos alicerces das casas e ruas é visível em algumas cidades”, diz Hanssen. Em Gouda, no oeste do país e famosa por seus queijos, isso já se nota. Com 73.000 habitantes, seu casco antigo desce em média três milímetros por ano, ou até 10 milímetros em alguns pontos, segundo a Prefeitura.
As fachadas e portas de alguns edifícios se desequilibram, há rachaduras nas paredes, e o problema chega às bocas-de-lobo. As autoridades locais decidiram tratar da situação de forma estrutural, já que muitos imóveis estão construídos sobre pilares de madeira, algo que ocorre no resto dos bairros históricos da Holanda.
“A mudança climática agravou o problema, com os verões cada vez mais calorosos e secos que aceleraram o desaparecimento da turfa”, diz Hanssen. Também influiu a extração de gás natural, do qual a Holanda tem uma das maiores jazidas do mundo na província de Groningen, no nordeste. Obtê-lo provoca sismos (400 desde o final da década de 1980) de até 4,5 graus, segundo os sismólogos. “O mapa mostrará se uma redução da extração diminuirá a deterioração do solo”, conclui Hanssen.
MEIO METRO NOS PRÓXIMOS 50 ANOS
O novo mapa digital do solo holandês, apresentado pelo Centro da Geodesia e Geoinformática do país, pontilha em vermelho as zonas onde o chão afunda ao ritmo de cinco milímetros anuais. O amarelo é para as que descem um milímetro por ano, e o azul — excepcional, sobretudo no sul do país — é para a terra que sobe, porque a água bombeada pela mineração volta para fundo.
Se não houver medidas imediatas, dizem os pesquisadores, o solo dos Países Baixos pode afundar até 50 centímetros nos próximos 50 anos.
Com 31 milhões de pontos de medição, o mapa revela “um problema inescapável, agravado pela mudança climática, outra realidade inevitável”, segundo Ramón Hanssen, líder do estudo.
Em um país acostumado a lutar com a água, rapidamente surgiram propostas para elevar as ruas das cidades afetadas. Alguns municípios avaliam as propriedades da lava, ou mesmo o poliestireno extrudido, uma espuma rígida, semelhante ao isopor, que pode ser usada como isolante térmico. No campo, a melhor forma de evitar que o solo decaia é mantendo-o molhado, algo pouco conveniente para o gado. Entretanto, para a tifa, uma planta aquática, ou para os mirtilos, uma superfície úmida não é um problema.
Fonte: https://goo.gl/BcCy99
]]>
A impressionante tromba d'água flagrada em cidade italiana
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/A-impressionante-tromba-d%C3%A1gua-flagrada-em-cidade-italianahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/A-impressionante-tromba-d%C3%A1gua-flagrada-em-cidade-italianaWed, 21 Nov 2018 21:43:00 +0000
Uma enorme tromba d'água foi registrada em vídeo e fotos no momento em que ela se deslocou do mar até atingir a cidade de Salerno, no sudoeste da Itália.
Testemunhas disseram que a coluna giratória de ar e água levantou contêineres quando atingiu a área portuária da cidade. Não houve relatos de feridos.
O fenômeno raro foi observado por volta das 15h do horário local (12h em Brasília), segundo autoridades.
Uma tromba d'água é uma intensa coluna de água e ar que surge sobre a água e se dissolve rapidamente sobre uma superfície seca.
Assista ao vídeo: https://goo.gl/DP1ngn
Fonte: https://goo.gl/vZonSU
]]>
Global Weather - October 2018
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/Global-Weather---October-2018https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/Global-Weather---October-2018Wed, 21 Nov 2018 12:24:00 +0000
]]>
I Workshop de Meteorologia - Palestra de Hassan Barakat
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-de-Hassan-Barakathttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/I-Workshop-de-Meteorologia---Palestra-de-Hassan-BarakatWed, 21 Nov 2018 12:23:35 +0000
]]>
Chuva na Arábia Saudita - Choveu em 2 dias o que não chove em 6 anos
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/Chuva-na-Ar%C3%A1bia-Saudita---Choveu-em-2-dias-o-que-n%C3%A3o-chove-em-6-anoshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/21/Chuva-na-Ar%C3%A1bia-Saudita---Choveu-em-2-dias-o-que-n%C3%A3o-chove-em-6-anosWed, 21 Nov 2018 12:23:01 +0000
]]>
Os efeitos das mudanças climáticas nos Alpes Bávaros
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/14/Os-efeitos-das-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-nos-Alpes-B%C3%A1varoshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/14/Os-efeitos-das-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-nos-Alpes-B%C3%A1varosWed, 14 Nov 2018 12:58:00 +0000
por Redação Climatempo
Desaparecimento de geleiras, diminuição da neve e aumento de deslizamentos de terra são sinais de que o aquecimento global já está deixando marcas nos Alpes alemães, afetando moradores e turistas.
Trinta anos atrás, temperaturas congelantes e as primeiras nevascas já eram registradas na montanha mais alta da Alemanha, a Zugspitze, no mês de setembro. Hoje, turistas vestindo shorts e camisetas ainda exploram uma paisagem pedregosa e sem neve nessa época.
Muita coisa mudou na montanha nas últimas três décadas, diz Toni Zwinger, de 33 anos, que cresceu na Zugspitze, no estado da Baviera, no sul da Alemanha. A família dele administra a Münchner Haus, uma pousada a 2.959 metros de altitude, pertinho do cume, desde 1925, quando somente alpinistas intrépidos conseguiam alcançá-la.
Quando menino, Zwinger brincava em volta das geleiras e viajava para o lado austríaco da montanha em busca de batata frita. Na época, ele conhecia quase todo mundo por lá, mas agora há muitas pessoas no cume – um fluxo constante de turistas e trabalhadores, conta, ainda usando um avental de brim azul logo após concluir mais um dia de tarefas.
Os glaciares da sua infância desapareceram. O Schneeferner do Norte encolheu para apenas 25% do volume que tinha em 1950. No Schneeferner do Sul, a situação é ainda pior: restam apenas 6% do antigo volume.
"Este ano foi o mais quente dos últimos 25 anos", disse Zwinger à DW, sentado em uma sala da pousada, decorada com painéis de madeira e vigas. "Você pode ver pela geleira. Está diminuindo."
Durante a noite, ele ouve as pedras do lado de fora se deslocando – algo que os cientistas que pesquisam as mudanças climáticas na Zugspitze e nas montanhas ao redor também observaram.
À medida que as temperaturas aumentam, o permafrost – uma camada de sedimentos, rocha ou solo que permanece congelada por mais de dois anos consecutivos e que estabiliza a rocha da montanha – também recua. Isso e o aumento das chuvas têm feito com que as rochas percam sua estabilidade, levando a mais de mil quedas de rochas nos Alpes no ano passado, aponta Michael Krautblatter, professor de pesquisa de deslizamentos da Universidade Técnica de Munique (TUM).
"As pessoas vêm aqui e esperam que eu lhes diga algo sobre o futuro", disse Krautblatter em um hotel que virou estação de pesquisa ao lado da Zugspitze. "É só vir aqui e ver como o permafrost mudou nos últimos 20 anos. As mudanças climáticas já estão aqui."
A vista de cima
Há mais de uma década, Krautblatter visita regularmente a estação Schneefernerhaus para estudar as mudanças no permafrost dos Alpes alemães, onde se encontra a Zugspitze.
Ele e uma pequena equipe de cientistas carregam equipamentos em um pequeno teleférico particular para uma breve pesquisa de campo na estação, a qual irá envolver a escalada de um dos lados da montanha para instalarem equipamentos de medição.
Parte do trabalho envolve colocar eletrodos dentro da rocha para medir a condutividade elétrica – onde ela não está mais congelada, a condutividade elétrica é boa, explica Krautblatter. Isso permite que os pesquisadores vejam como o "pedaço congelado da rocha" muda com o tempo.
Segundo o pesquisador, a Zugspitze registrou um aquecimento de cerca de 1 grau Celsius desde 1985. As temperaturas antes chegavam a -20 °C em janeiro, e agora atingem mínimas de apenas -10 °C ou -5 °C.
"Isso não é gelado o suficiente para que [o permafrost] se sustente durante o verão", explica Krautblatter, que prevê que dentro de dez a 15 anos, não haverá mais permafrost.
Uma vertente de sua pesquisa analisa como isso provocará uma queda nos recursos hídricos. As previsões de sua equipe estão ajudando a região a se adaptar às mudanças e a melhorar os sistemas de alerta antecipado para deslizamentos de terra.
Uma série de cabanas alpinas já começou a ceder à medida que o solo sob elas se desloca, disse o pesquisador. Âncoras para teleféricos e outras infraestruturas também precisam ser estabilizadas. Por razões de segurança, algumas rotas tradicionais de escalada também foram fechadas.
"Acho que precisamos ser muito ágeis na compreensão desses sistemas de permafrost em mutação. Porque a única maneira de torná-lo seguro é entender onde as coisas acontecem e tentar evitar a presença de pessoas no local", acrescentou Krautblatter.
A vista de baixo
A aldeia de Schwaigen-Grafenaschau fica a nordeste da Zugspitze. Os deslizamentos de terra sempre foram um problema para essa pequena comunidade de pouco mais de 600 pessoas, aninhada no sopé de uma pequena montanha. Mas eles estão se tornando mais frequentes, explica Hubert Mangold, o jovial e enérgico prefeito da cidade, vestindo shorts jeans e uma camisa quadriculada de manga curta.
Em 2016, depois de fortes chuvas, uma lenta corrente lamacenta de pedras e rochas arrasou uma área de 30 hectares, enterrando árvores de 40 metros de altura, disse Mangold, falando com um forte sotaque bávaro típico da região.
"Foi o maior deslizamento de lama na Alemanha. E ainda é", disse ele, apontando para um ponto vazio no meio da encosta florestal.
Ninguém ficou ferido no desastre, mas o episódio trouxe prejuízos significativos para o serviço florestal da Baviera e outros negócios florestais privados que operam no local. Mangold disse que as ruas atingidas pelo deslizamento de terra também tiveram que ser reparadas. Para ele, não há dúvida de que isso tudo foi influenciado pelas mudanças climáticas.
"Está ligado às mudanças climáticas, não porque chove mais, mas porque chove mais num curto espaço de tempo", afirmou, acrescentando que 80 litros de chuva em 30 minutos não é uma ocorrência incomum nos dias de hoje. "Não tínhamos essas quantidades antigamente."
Pesquisadores do vizinho Instituto de Meteorologia e Pesquisa Climática, situado no popular destino alpino de férias de Garmisch-Partenkirchen, fizeram observações semelhantes.
"Tem havido uma grande influência sobre a neve", disse Harald Kunstmann, professor da Universidade de Augsburg e vice-diretor do instituto. "Porque a precipitação que caía antes na forma de neve no inverno agora cai na forma de chuva. Isso significa que ela não fica no solo, mas flui diretamente no inverno, aumentando o risco de inundações."
A longa visão do futuro
Kunstmann tem trabalhado com modelos de computador altamente detalhados para prever como a região alpina ficará em 2050 com as mudanças climáticas, em parte para ajudar as comunidades a se prepararem para o que está por vir. Até meados do século, a região deverá registrar um aumento de 20% nas precipitações.
Se o mundo continuar em seu curso atual e ultrapassar o limite de aquecimento de 2 °C acordado em Paris em 2015, isso significaria um aquecimento de 4 °C nas montanhas, afirmou Kunstmann. Historicamente, os Alpes têm se aquecido duas vezes mais rápido do que a média global. Há uma série de teorias sobre o porquê disso, mas o professor acredita que nenhuma explique suficientemente o fenômeno.
Mas se as previsões se concretizarem, uma coisa é certa: os Alpes ficarão muito diferentes no que diz respeito à neve, aos glaciares, às plantas, aos animais e à sua própria superfície rochosa. Resta saber se estabelecimentos comerciais, como a pousada administrada pela família de Zwinger há quase um século, sobreviverão pelos próximos 30 anos.
Fonte: https://goo.gl/A4h2md
]]>
Como estas bolinhas para lavadora de roupas podem reduzir a contaminação dos oceanos
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/14/Como-estas-bolinhas-para-lavadora-de-roupas-podem-reduzir-a-contamina%C3%A7%C3%A3o-dos-oceanoshttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/14/Como-estas-bolinhas-para-lavadora-de-roupas-podem-reduzir-a-contamina%C3%A7%C3%A3o-dos-oceanosWed, 14 Nov 2018 12:49:00 +0000
Microfibras plásticas ameaçam transformar os oceanos em 'sopas de plástico'. Felizmente, a tecnologia pode ajudar.
A contaminação dos oceanos - e de outros ecossistemas - com plástico e pequenas partículas de materiais sintéticos preocupam cada vez mais.
Será que a tecnologia poderia ajudar a resolver este problema?
Em outubro de 2009, a instrutora de windsurfe Rachael Miller estava ajudando a limpar uma ilha na costa do Maine, no nordeste dos EUA, que tinha sido atingida por uma forte tempestade.
"Encontramos a praia repleta de detritos", ela recorda. Em sua maioria, os dejetos eram provenientes de equipamentos de pesca feitos de plástico.
Seu marido estava indignado. "Lixo marinho é uma das poucas coisas que me deixam realmente irritado", disse ele.
Foi ali que Miller, que tinha estudado arqueologia subaquática, decidiu fazer algo mais para evitar que os resíduos plásticos chegassem ao oceano.
Nos anos seguintes, ela se dedicou a desenvolver um dispositivo que batizou de Cora Ball, uma bolinha feita de borracha reciclada com 10 centímetros de diâmetro, cuja estrutura imita a de algumas espécies de corais dos oceanos.
À venda desde abril, ele captura pedacinhos minúsculos de microfibra, que se soltam da nossa roupa durante a lavagem na máquina - aqueles "pelinhos" que aparecem quando você deixa cair uma camiseta escura na máquina repleta de roupas claras, por exemplo.
'Grande sopa de plástico'
Imogen Napper, pesquisadora de ciências marítimas da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, afirma que até 700 mil partículas de microfibra podem se desprender em uma lavagem de roupas doméstica.
Muitas dessas fibras, que podem medir até três micrômetros (a milésima parte do metro), são pequenas demais para serem eliminadas pela rede de tratamento de esgoto e vão parar nos oceanos.
Um único metro cúbico de água do mar pode conter até 100 mil destas partículas, a depender do local.
Parte desse material acaba sendo ingerido pela fauna marinha - um dos caminhos pelos quais as micropartículas "voltariam" para os seres humanos.
Nesse sentido, Lisbeth Van Cauwenberghe, da Universidade de Gante, na Bélgica, afirma que podemos estar ingerindo 11 mil partículas de plástico por ano somente ao comer frutos do mar.
Mais de dois terços das espécies de peixe à venda em mercados da Califórnia (EUA), por exemplo, contêm algum tipo de microfibra, ressalta Chelsea Rochman, professora de ecologia aquática da Universidade de Toronto (Canadá).
Além do contato com a fauna, as micropartículas podem ainda "se grudar" a contaminantes orgânicos também presentes nos oceanos e criar uma amálgama com efeitos bastante danosos para o meio ambiente marinho.
Assim, junto com outras fontes de contaminação dos oceanos, nossas roupas estariam convertendo os mares em uma "grande sopa de plástico", resume Napper.
Esse é um problema que tem chamado cada vez mais atenção - não à toa, antes mesmo do lançamento, em 2017, a Cora Ball tinha 15,5 mil encomendas no site de crowdfunding Kickstarter.
O produto, contudo, que retém entre um terço e um quarto das microfibras que se desprendem das roupas em uma lavagem, é apenas uma dentre várias invenções desenvolvidas por pequenas empresas que trabalham para manter os microplásticos longe dos oceanos.
A bolsa GuppyFriend
Outras duas pessoas que trabalham para manter as microfibras fora do mar são Alexander Nolte e Oliver Spies, ambos surfistas amadores que moram em Berlim, na Alemanha.
Os dois inventaram uma bolsa para a máquina de lavar roupas chamada GuppyFriend. O invólucro acomoda a roupa durante a lavagem de forma que solte menos fibras plásticas - e também segura as que se soltam, diz Nolte.
"Se a bolsa estiver com roupas feitas de tecidos sintéticos, 86% menos de fibras se soltam. E as que saem ficam retidas na bolsa", afirma.
Da mesma forma que a Cora Ball, os dois começaram com uma campanha de crowdfunding, que foi encerrada em dezembro passado.
A princípio, os dois achavam que a bolsa era uma "ideia bem divertida" e que podiam levá-la ao mercado muito rapidamente, diz Nolte. "Mas nós estávamos enganados."
O maior desafio, disse, era permitir que o tecido da bolsa tivesse o tamanho correto para deixar entrar a água, mas sem permitir que as microfibras saíssem.
"É bastante fácil fazer uma bolsa, mas fazê-la de forma que reduza a liberação de fibra é algo que requer alta tecnologia", conta.
Filtrando os esgotos
Na Dinamarca, 60% de todo o lodo dos esgotos é "usado na agricultura", segundo Lars Monster, do grupo KD, uma companhia de tecnologia de águas residuais da cidade de Vejle, no sul do país.
Os restos sólidos do processo de tratamento de esgoto são distribuídos nas lavouras, para serem usados como fertilizante. O problema é que o plástico presente no lodo, dessa forma, também acaba entrando na cadeia alimentícia.
A maioria das estações de tratamento de esgoto não foi planejadas para eliminar as microfibras, em grande parte porque a legislação atual não o exige.
Assim, a empresa para a qual Monster trabalha desenvolveu uma nova tecnologia de filtragem que pode eliminar até 90% dos microplásticos do lodo. A expectativa é que esta taxa chegue a 96% em breve.
O objetivo final é reciclar todos os plásticos retirados do lodo, diz Monster, e "chegar ao ponto em que os microplásticos sejam um recurso".
Fonte: https://goo.gl/QPwY9z
]]>
Camada de ozônio pode estar recuperada até meados deste século
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/13/Camada-de-oz%C3%B4nio-pode-estar-recuperada-at%C3%A9-meados-deste-s%C3%A9culohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/13/Camada-de-oz%C3%B4nio-pode-estar-recuperada-at%C3%A9-meados-deste-s%C3%A9culoTue, 13 Nov 2018 12:34:00 +0000
por Redação Climatempo
Após décadas de proibição do uso de químicos prejudiciais à camada protetora do planeta, ela está finalmente se regenerando. Buraco sobre a Antártida pode estar completamente fechado até a década de 2060, aponta ONU.
A camada de ozônio, que protege a Terra contra os raios ultravioleta solares, vem se recuperando a uma taxa de cerca de 2% ao ano desde 2000 e pode estar completamente regenerada até meados deste século, aponta um estudo da ONU.
O levantamento atribui essa taxa de sucesso ao histórico Protocolo de Montreal, de 1987, que proibiu os clorofluorcarbonetos (CFCs), usados em aerossóis e refrigeradores, e outras substâncias destruidoras da camada de ozônio.
Se a redução atual de emissões prejudiciais à camada de ozônio for mantida, o Hemisfério Norte poderá estar recuperado por volta de 2030, e o Hemisfério Sul, até 2050, prevê o relatório.
O buraco sobre a Antártida, que chegou a ser tão grande quanto a América do Norte, pode estar completamente fechado até a década de 2060, constatou o estudo da ONU.
Se não fosse pelo Protocolo de Montreal, grande parte da camada de ozônio poderia vir a ser destruída até 2065. Isso teria consequências devastadoras, já que a camada protege a vida do planeta dos efeitos dos raios ultravioleta, que podem causar câncer de pele ou catarata em humanos e animais.
China culpada pelo aumento das emissões
Apesar dos esforços globais terem dado resultado, nem todos os problemas foram resolvidos. A Agência de Investigação Ambiental (EIA) constatou um retrocesso na diminuição global das emissões globais de CFC-11, prejudicial à camada de ozônio. Segundo os investigadores, a fonte das emissões é a China.
Apresentando-se como compradores, eles descobriram que 18 fábricas chinesas estavam produzindo CFCs proibidos, para vendê-los como espuma plástica para o setor de construção devido a seu baixo custo.
A EIA disse que várias empresas da China admitiram exportar CFCs, etiquetando-os falsamente como compostos de hidrofluorcarbono (HFC). Desde a descoberta, o governo chinês prometeu fechar tais fábricas.
"Se essas emissões de CFC-11 continuassem nesse nível, a recuperação do buraco na camada de ozônio na Antártida seria adiada por sete a 20 anos", afirmou Paul Newman, um dos autores do estudo da ONU e geocientista-chefe no laboratório de pesquisas espaciais Goddard Space Flight Center da Nasa.
Tanto HFCs quanto CFCs são químicos usados em refrigeradores. Embora os hidrofluorcarbonos (HFCs) já tenham sido comercializados como uma alternativa ecologicamente correta aos CFCs, eles emitem altos níveis de poluição na atmosfera – até milhares de vezes maiores que os do dióxido de carbono.
Uma recente emenda ao Protocolo de Montreal têm os HFCs e outros gases prejudiciais à camada de ozônio como alvo. A emenda, que também deve ajudar a conter as mudanças climáticas, deve entrar em vigor no início de 2019. Apesar de avanços relativos à camada de ozônio, cientista seguem preocupados com a integridade do Protocolo de Montreal.
"Qualquer aumento nos produtos químicos que reduzem a camada de ozônio, como vimos com o CFC-11, pode prejudicar não apenas o trabalho dos últimos 30 anos, mas a reputação do Protocolo de Montreal e o potencial que ele tem para o futuro", apontou Keith Weller, porta-voz do Programa Ambiental das Nações (Pnuma).
"O Protocolo de Montreal é um dos acordos multilaterais de maior sucesso na história por uma razão. A mescla cuidadosa de ciência e colaboração resultou no prognóstico positivo para o ozônio que vemos hoje", disse Weller.
O protocolo não apenas serviu para reduzir as emissões, mas também é um exemplo positivo do que as pessoas podem realizar para o bem global, acrescentou.
Ozônio regenerado, Antártida mais quente?
No entanto, curar a camada de ozônio pode ter efeitos colaterais negativos. Com a regeneração do ozônio sobre a Antártida, temperaturas mais elevadas são esperadas na região, já que a camada poderia reter um pouco mais de calor.
Os cientistas não sabem ao certo em quanto essa recuperação aumentaria as temperaturas na Antártida, mas o clima mais quente certamente afetaria uma área que já sofre com mudanças climáticas provocadas pelo homem.
Isso não é de todo uma notícia ruim. Certamente uma camada de ozônio regenerada seria benéfica, já que protegeria da radiação ultravioleta do Sol. E o controle das emissões de gases-estufa causadas pelo homem poderia combater o aumento das temperaturas globais, disse o geocientista Paul Newman.
"Embora as mudanças climáticas e a redução da camada de ozônio sejam problemas distintos, existem algumas sobreposições interessantes. Se as nações cumprirem o Protocolo de Montreal, o controle dos HFCs reduzirá o aquecimento global em cerca de 0,5°C até 2100", afirma Newman.
Fonte: https://goo.gl/SF3d4E
]]>
O projeto que levou um exército de 'caçadores de tempestades' à Argentina
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/09/O-projeto-que-levou-um-ex%C3%A9rcito-de-ca%C3%A7adores-de-tempestades-%C3%A0-Argentinahttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/09/O-projeto-que-levou-um-ex%C3%A9rcito-de-ca%C3%A7adores-de-tempestades-%C3%A0-ArgentinaFri, 09 Nov 2018 12:41:00 +0000
Mais de 150 cientistas de um grande projeto internacional estão na Argentina para caçar tempestades. O que de especial chama a atenção dos especialistas? A BBC News Mundo conversou com alguns deles para descobrir.
Cerca de 160 pessoas, incluindo meteorologistas, estudantes, engenheiros e técnicos, estão na Argentina em busca de tempestades.
E eis que, segundo os cientistas, as tempestades que ocorrem no centro-norte do país "são realmente as melhores das melhores".
"Acreditamos que as tempestades na Argentina produzem mais granizo e mais raios do que em qualquer outro lugar do mundo", diz Stephen Nesbitt, que lidera o projeto Relâmpago, que é a sigla em inglês para Detecção Remota de Processos de Eletrificação, Raios e Mesoescala/microescala com Observações de Campo.
Agora, um exército de cientistas quer estudar de perto as tempestades "únicas" produzidas no país para, com base nos resultados, melhorar as previsões do tempo.
Mas o que eles procuram? Como fazem isso? E o que faz da Argentina o lugar ideal para esse tipo de trabalho?
Relâmpago-CACTI
Os pesquisadores fazem parte de dois projetos que trabalham em conjunto.
Do projeto Relâmpago participam a Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos, a NASA, a Agência Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Argentina, a Secretaria de Ciência da Província de Córdoba, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (Inpe) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Pesquisadores do projeto usam o Twitter, por exemplo, para divulgar fotos do que ocorre na Província de Córdoba e disponibilizar um canal para que a população envie suas próprias imagens para publicação.
O projeto CACTI, por sua vez, é um estudo financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, projetado para melhorar a compreensão do crescimento, organização e decomposição das nuvens em relação às condições ambientais, descreve a página do Relâmpago-Cacti na internet.
No total, há cerca de 160 pesquisadores da Argentina, dos Estados Unidos e do Brasil que têm Villa Carlos Paz, em Córdoba, na região central da Argentina, como base de trabalho de campo, e a partir dali partem diariamente em busca dessas tempestades intensas.
"Todos os dias, às 6 horas da manhã e às 9 horas da noite, nós (pesquisadores) nos reunimos e, com base na previsão, decidimos o que fazer naquele dia ou no dia seguinte", disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Paola Salio, doutora em Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires, que participa do projeto.
"Então, partem diferentes veículos contendo diferentes tipos de instrumentos (em busca dessas tempestades). Alguns (dos veículos) são verdadeiras estações meteorológicas", descreve Salio.
O que eles medem?
Essas estações medem temperatura, umidade, pressão atmosférica, vento e instrumentos lançados na atmosfera - chamados de "rádio-sondas".
"Em geral, duas (medições com) rádio-sondas são feitas por dia, mas podemos chegar a 8 em um período de 4 horas. É muito", diz a cientista.
Os pesquisadores, então, vão em busca das tempestades. Eles não chegam a entrar nelas. As observam a uma distância de 10 a 12 km.
"Em geral, ficamos ao lado. Não queremos que o granizo caia sobre nossas cabeças", diz Salio.
Caminhões 'caça-tempestades'
Esta é a primeira vez que uma campanha tão intensa é realizada na Argentina com um grande aparato instrumental, dizem os cientistas.
A pesquisa de campo começou no início de novembro e se estenderá até o fim de dezembro nas províncias argentinas de Córdoba e Mendoza.
"Medimos as tempestades com radares portáteis. Esses radares permitem chegar muito perto, obter detalhes muito importantes da estrutura destes sistemas e entender como eles são internamente", diz Salio, que trabalha como pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet ), na Argentina.
Os especialistas usam caminhões do tipo Doppler on Wheels, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, que levam os radares para medir a intensidade das tempestades.
"São caminhões muito pesados que transportam um radar cujo sinal permite interpretar como é a estrutura de uma gota, que tipo de gota é, se é granizo, se é cristal de gelo, se é grande ou pequena", explicou Salio.
Por que a Argentina?
A área dessas fortes tempestades engloba as Províncias argentinas de Córdoba, Chaco, Santa Fé, Entre Ríos e Corrientes.
"Essas tempestades têm uma grande carga de atividade elétrica e alcançam grandes altitudes, podendo chegar a 19 km de altura, o que não é comum. Uma tempestade típica das planícies centrais dos Estados Unidos, das que produzem tornados, atinge 12 km de altura, com casos muito excepcionais de 15 km ", diz Salio.
E ainda não se sabe por que elas são assim e por que ocorrem na Argentina.
"Estamos tentando entender por que estas tempestades extremas são capazes de gerar pedras gigantes de gelo, granizo de 17 ou 18 cm de diâmetro. É um absurdo", acrescenta.
Os pesquisadores explicaram que, após observações por satélite, um aspecto fundamental identificado nessas tempestades na Argentina foi que elas se formam muito rapidamente.
"Além disso, muitas delas continuam crescendo e se transformam em grandes sistemas, por isso a partir daqui conseguimos observar diferentes aspectos e várias tempestades", diz à BBC News Mundo, Adam Varble, do programa Cacti, do Departamento de Energia dos EUA.
As tempestades aqui são "poderosas", observa Stephen Nesbitt.
O professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Illinois assegura que este tipo de tempestade também ocorre na África Subsaariana, em partes da Índia e de Bangladesh.
Mas as da Argentina "são as melhores" em termos de quantidade de granizo e raios, diz ele.
Além disso, ele explica que o país tem uma infraestrutura muito boa para estudá-las em comparação com os outros lugares do mundo onde essas tempestades intensas se formam.
Os cientistas acreditam que os primeiros resultados dessas observações provavelmente serão obtidos em cerca de seis meses.
"O objetivo é entender as tempestades para prevê-las melhor e gerar ferramentas para dar respostas à população, possibilitando às pessoas tomarem melhores decisões", diz Salio.
Fonte: https://goo.gl/oDZWYV
]]>
Aquecimento global afeta crescimento e regeneração da floresta Amazônica, diz estudo
]]>
https://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/08/Aquecimento-global-afeta-crescimento-e-regenera%C3%A7%C3%A3o-da-floresta-Amaz%C3%B4nica-diz-estudohttps://www.climadeensinar.com.br/single-post/2018/11/08/Aquecimento-global-afeta-crescimento-e-regenera%C3%A7%C3%A3o-da-floresta-Amaz%C3%B4nica-diz-estudoThu, 08 Nov 2018 12:38:00 +0000
Por G1
Segundo pesquisadores, algumas espécies de árvores não conseguem crescer com a mudança climática.
Uma equipe de mais de 100 cientistas avaliou o impacto do aquecimento global em milhares de espécies de árvores em toda a Amazônia para descobrir os vencedores e perdedores de 30 anos de mudança climática. Sua análise descobriu que os efeitos das mudanças climáticas estão alterando a composição das espécies arbóreas da floresta tropical, mas não o suficiente para acompanhar o ambiente em mudança.
A equipe, liderada pela Universidade de Leeds em colaboração com mais de 30 instituições em todo o mundo, usou registros de longo prazo de mais de cem parcelas como parte da Rede de Inventário da Floresta Amazônica (RAINFOR) para rastrear as vidas de árvores individuais em a região amazônica.
Seus resultados mostraram que, desde a década de 1980, os efeitos das mudanças ambientais globais - secas mais fortes, aumento da temperatura e níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera - afetaram lentamente o crescimento e a mortalidade de espécies específicas.
Em particular, o estudo descobriu que as espécies de árvores que preferem a umidade estão morrendo mais freqüentemente do que outras espécies e aquelas adequadas para climas mais secos não foram capazes de substituí-las.
A autora do estudo, Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds, disse: "A resposta do ecossistema está atrasada em relação à taxa de mudança climática. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amazônica nas últimas décadas tiveram sérias consequências a composição da floresta, com maior mortalidade em espécies arbóreas mais vulneráveis a secas e crescimento compensatório insuficiente em espécies melhor equipadas para sobreviver a condições mais secas."
A equipe também descobriu que árvores maiores - predominantemente espécies de dossel nos níveis superiores das florestas - estão competindo com plantas menores. As observações da equipe confirmam a crença de que as espécies do dossel florestal seriam "vencedores" da mudança climática, pois se beneficiam do aumento do dióxido de carbono, o que pode permitir que cresçam mais rapidamente. Isso sugere ainda que concentrações mais altas de dióxido de carbono também têm um impacto direto na composição da floresta tropical e na dinâmica da floresta - a forma como as florestas crescem, morrem e mudam.
Além disso, o estudo mostra que as árvores pioneiras - árvores que brotam rapidamente e crescem em clareiras deixadas para trás quando as árvores morrem - estão se beneficiando da aceleração da dinâmica da floresta.
O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da rede RAINFOR, disse: "O aumento em algumas árvores pioneiras, como a cecropia de crescimento extremamente rápido, é consistente com as mudanças observadas na dinâmica da floresta, que também pode em última análise, ser impulsionado pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono".
O co-autor Dr. Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, disse: "O impacto das alterações climáticas nas comunidades florestais tem importantes consequências para a biodiversidade das florestas tropicais. As espécies mais vulneráveis às secas estão duplamente em risco, pois são tipicamente as mais restritas para menos locais no coração da Amazônia, o que os torna mais propensos a serem extintos se esse processo continuar".
"Nossas descobertas destacam a necessidade de medidas rigorosas para proteger as florestas intactas existentes. O desmatamento para agricultura e pecuária é conhecido por intensificar as secas nesta região, o que está exacerbando os efeitos já causados pela mudança climática global", disse Dexter.