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Óleo terá impacto por décadas no ecossistema e afetará animais e seres humanos, dizem biólogos

31/10/2019

Segundo especialistas, por causa do desastre ambiental no litoral nordestino, existe o perigo de contaminação de toda a cadeia alimentar.

 

 

 

O impacto causado pelas manchas de óleo no litoral nordestino vai durar décadas nos ecossistemas atingidos pelo desastre ambiental, de acordo com biólogos. Os especialistas apontam que haverá prejuízo para espécies marinhas, para toda a cadeia alimentar e para os seres humanos.

 

Nesta terça-feira (22), o professor Clemente Coelho Junior, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE), explicou que os impactos causados ao meio ambiente podem ser divididos em dois grupos.

Segundo ele, há o impacto agudo, como o recobrimento de praias, arrecifes, mangues, áreas consolidadas, além de solos rochosos, que são "extremamente difíceis de serem limpos". Assim, afirma o doutor, são criadas zonas mortas "que nunca serão recuperadas".

 

Clemente Coelho Júnior diz, ainda, que existe o impacto crônico, que não é observado pela população. "As praias estão sendo limpas, mas nem sempre a limpeza é 100%. Os fragmentos se decompõem e há moléculas nocivas ao ecossistema e à fauna. Elas impactam na cadeia alimentar e no ser humano. Isso perpetua durante décadas”, afirmou.

 

Ainda de acordo com o especialista, os animais mais vulneráveis a serem afetados pelas manchas de óleo no litoral são as tartarugas e as aves.

 

Clemente Coelho Júnior explica que as tartarugas são afetadas por causa do comportamento de subir à superfície para respirar. As aves, afirma, sofrem o impacto em virtude elo período de migração.

"O impacto é infinitamente maior. E aí coloca na conta os micro-organismos que não vemos, pequenos animais como caranguejos, peixes que começam a aparecer mortos e fica difícil ver se foi por causa do óleo ou não. É imensurável”, disse.

 

Para a bióloga Clélia Rocha, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), as grandes manchas de óleo têm um impacto muito grande por causa do soterramento das espécies vivas, sejam elas vegetais, animais, vertebrados ou invertebrados.

 

Ela afirma também que as pequenas manchas provocam igual preocupação. A especialista aponta para o risco da fragmentação do produto, a partir do manuseio.

"Quando chegarem a pequenas porções, elas podem ser absorvidas por organismos marinhos, sejam peixes, aves ou pequenos crustáceos, vão intoxicar esses organismos que, por sua vez, dentro da cadeia alimentar podem ser ingeridos por outros organismos que vão se intoxicar também", declara.

 

A bióloga afirma, ainda, que há outros riscos, caso as partículas fiquem no ecossistema, de forma fragmentada. “Se elas permanecerem, até o tamanho de micropartículas e nanopartículas, podem entrar em suspensão na água e serem absorvidas pelos organismos filtradores, como ostras, que tiram o alimento das águas e descartam o que não serve”, observa.

 

Clélia Rocha ressalta que, por causa da consistência, que é viscosa, o óleo vai aderir aos tecidos desses organismos e intoxicá-los também.

 

“Isso pode causar uma grande mortandade nessas comunidades, que vai ter um impacto econômico trágico na população de marisqueiros do nosso litoral. Também pode provocar intoxicação na população humana que ingerir os organismos”, acrescenta.

 

A especialista diz, ainda, que é preciso levar em consideração a situação os pequenos animais, algas e pequenos corais, que são impregnados por óleo.

“As pessoas, leigalmente, lavam eles e devolvem ao ambiente. Esses organismos devem ser retirados do ambiente, porque se tornam contaminantes ambientais. Eles devem ser entregues aos órgãos de defesa ambiental”, declara.

 

Acionamento tardio do plano

 

Segundo Clemente Coelho Júnior, os efeitos seriam menos catastróficos se o Plano Nacional de Contingência tivesse sido acionado logo após o início do surgimento das primeiras ocorrências na costa da região.

Apesar de ter sido criado em 2013 e de as primeiras manchas terem surgido no final de agosto, o plano que contém medidas que deveriam ser tomadas foi acionado na primeira quinzena de outubro.

 

“Sem dúvida nenhuma, se fosse agilizado, não teria esse forte impacto, como aconteceu no litoral. Podia sim ser contido esse impacto mais próximo as costas se tivesse uma logística mais eficiente ou maior em relação a isso, mas o que vivenciamos foi uma corrida atrás do óleo”, afirmou Clemente Coelho Júnior.

De acordo com o especialista, o documento continha um conselho responsável por operacionalizar o plano. “O conselho foi derrubado por um decreto de abril deste ano. Então o plano está no papel, quem devia operacionalizar não existe mais e seria esse conselho quem iria passar as diretrizes buscando expertise para ter mais eficiência”, declarou.

 

Clemente criticou o trabalho para minimizar o impacto ambiental das manchas de óleo. “São 52 dias de um evento que poderia ser menos catastrófico. Acredito que teríamos tempo suficiente para minimizar o impacto do começo de outubro para cá, quando as manchas ficaram maiores, emulsificadas, cobrindo áreas maiores”, disse.

 

Fonte

 

 

 

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