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Por que o pôr do sol está tão bonito nesses dias?

Nos últimos dias algumas partes do Brasil, como as grandes cidades do Sudeste, presenciaram belíssimos pores do sol, que trouxeram momentos de beleza em meio a quarentena do coronavírus. Mas por que será que o pôr do sol está mais bonito?

 

 

 

Nesses primeiros dias de outono o céu tem nos presenteado com belíssimos pores do sol, trazendo momentos de beleza e deslumbramento em meio a pandemia da COVID-19. Mas por que o céu tem dado esse show de cores e luzes agora? Existem condições especiais para isso?

 

Como já mencionado em um artigo interior, as cores que vemos no céu são resultado da dispersão da luz do sol pelas partículas que compõe a atmosfera. Essa dispersão é seletiva, chamada de espalhamento Rayleigh, variando de acordo com o comprimento de luz incidente. Como as partículas de oxigênio e nitrogênio, as duas principais que compõe a atmosfera, são muito pequenas em comparação com os comprimentos de onda da luz solar, elas espalham com mais eficiência os comprimentos de onda mais curtos, que são as cores azul e roxa.

 

Quando o sol está no horizonte (nascer ou pôr do sol), os raios solares atravessam um caminho mais longo pela atmosfera e, como as partículas da atmosfera são boas para refletir e dispersar as cores de comprimentos de onda mais curtos, chegam aos nossos olhos as cores de comprimentos de onda mais longos, como o amarelo e vermelho.

 

Além das partículas que compõe a atmosfera, outras partículas, como poeira e poluição, também podem contribuir nesse processo de espalhamento da luz, modulando as cores que enxergamos. Costuma-se dizer que a poluição e poeira que se concentram na atmosfera, principalmente nas épocas mais secas do ano, são as responsáveis pelo céu colorido do final do dia. Mas será que é sempre assim? Se sim, como estamos vendo essas cores lindas no céu sendo que a poluição das grandes cidades diminuiu devido a quarentena?

 

De fato, em alguns casos os aerossóis, como partículas de erupções vulcânicas ou poeira do deserto, criam cores brilhantes. Porém, quando os aerossóis estão em abundância nos níveis baixos da atmosfera eles não contribuem para a criação das cores vivas no céu, pelo contrário, eles as atenuam. Isso porque as partículas de poluição dos centros urbanos geralmente são maiores, não sendo boas dispersoras de Rayleigh, e por existir uma ampla variedade de tamanhos, a dispersão da luz não depende muito do comprimento de onda. Por isso, quando temos uma camada densa de poluição próxima a superfície o céu parece meio acinzentado ou esbranquiçado e no pôr-do-sol temos tons de amarelo e rosa mais pálidos.

 

Vista do pôr do sol da Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo — Foto: Felipe Lopes/Arquivo pessoal

 

Outro elemento que contribui para um por do sol épico, são as nuvens altas! Nuvens do tipo altocumulus e cirrus, tornam o cenário ainda mais bonito ao capturar e refletir os últimos raios do sol para a superfície. Essas nuvens são comuns nos períodos de outono e inverno, associadas a passagem das frentes frias. E foi justamente uma frente fria que passou por São Paulo que contribuiu para o belo pôr-do-sol visto nos últimos dias!

 

Portanto, o pôr do sol que nos agraciou foi resultado da combinação da passagem da frente fria, que trouxe as nuvens altas, da atmosfera estar mais seca, algo característico do outono, e também mais limpa, graças a diminuição da poluição devido a quarentena do novo coronavírus. Dessa forma, podemos esperar mais pores do sol desse tipo para apreciarmos das janelas de nossas casas nesses próximos dias de quarentena!

 

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