INFORMATIVO

Formação de 'ciclone bomba' e passagem de tempestades provocam ao menos 3 mortes em SC

Ventos chegaram a 120 km/h e mais de 1,5 milhão de unidades consumidoras estavam sem energia por volta das 19h.

 

Estragos causados em Itajaí pelo temporal na tarde desta terça-feira — Foto: Paulo Tomio/ Arquivo pessoal

 

A formação de um fenômeno conhecido como "ciclone-bomba" e a passagem de tempestades provocaram estragos em Santa Catarina nesta terça-feira (30). Houve destelhamento de imóveis, queda de árvores e pelo menos três mortes, segundo o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. As rajadas de vento passaram dos 120 km/h em algumas regiões e, conforme as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), mais de 1,5 milhão de unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica. O mau tempo deve continuar até esta quarta (1º).

 

O fenômeno recebe esse nome porque, associado ao ciclone, há uma queda rápida de pressão atmosférica, o que causa ventos intensos, segundo o professor Ernani de Lima Nascimento, do curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

 

Em Chapecó, no Oeste, uma idosa morreu após ser atingida por uma árvore. Em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, um homem perdeu a vida depois de ser atingido pela fiação elétrica de um poste depois da queda de uma árvore. A terceira morte foi em Tijucas, também na Grande Florianópolis, em uma estrutura que caiu. Segundo o governo do estado, há uma pessoa desaparecida na cidade. 

 

De acordo com o governo do estado, o levantamento inicial das coordenadorias regionais da Defesa Civil, ao menos 25 municípios foram atingidos e os bombeiros atenderam mais de 900 ocorrências só no Oeste catarinense.

A Defesa Civil informou que o vento passou de 120 km/h no Morro da Igrej, na Serra catarinense. Em outros locais ficou entre 90 e 111 km/h.

 

Muitas rede elétricas foram afetadas em todo estado e as equipes da Celesc trabalham para restabelecer a energia. Segundo a empresa, o cabo com a empresa de fibra ótica da operadora de telefonia foi rompida também com o veto e , por isso, muitos cientes não estão conseguindo contato com Call Center da empresa.

A orientação do governo do estado é para que as pessoas fiquem em casa e evite contato com fiações e estruturas metálicas nas ruas.

 

Placa derrubada pela força do vento em Florianópolis — Foto: Guarda Municipal de Florianópolis/ Divulgação

 

 

Prejuízos causados em Xanxerê — Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

 

Ciclone bomba e linha de instabilidade

 

 

Chuva na tarde desta terça-feira em Santa Catarina — Foto: Defesa Civil/ Divulgação

 

Segundo o professor Ernani de Lima Nascimento, do curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o que ocorreu durante esta terça-feira em Santa Catarina foi uma combinação de dois fatores, que geraram vento intenso. "Estamos no processo de formação de um ciclone extratropical no Litoral do Sul do Brasil e de fato a previsão da sua taxa de intensificação o classifica como um ciclone bomba", afirma.

 

Segundo o professor, o fenômeno tem esse nome porque é um ciclone, em que a pressão tem uma queda rápida e isso acaba formando ventos intensos. "Desde o início do dia houve relatos de ventos intensos em Santa Catarina, e somado à formação do ciclone houve o desenvolvimento do que se chama de uma linha de instabilidade, que é como se fosse várias tempestades se alinhando. Estas tempestades geraram rajadas de vento localmente mais fortes".

 

Ele explica que essa linha de linha de instabilidade veio desde o Oeste de Santa Catarina passou pelo Norte do Rio Grande do Sul também, atravessou o estado até o Litoral.

 

"Podemos atribuir a maior parte dos danos a essa linha de instabilidade e o ciclone é o contexto maior em que essa linha se formou. Porque temos na atmosfera os fenômenos em diferentes escalas. Então, na escala maior é o ciclone, que está ganhando força", disse.

 

Os ciclones extratropicais são recorrentes na região, conforme explica Nascimento. "Não é um fenômeno extraordinário, ele ocorre várias vezes durante o ano e é comum no inverno, é só que esse foi mais intenso e por isso satisfaz esse apelido de ciclone bomba. A formação desse ciclone gerou as condições numa escala maior favoráveis a formar ventos intensos e dentro desse ambiente gerou essa linha de instabilidades, essa linha de tempestades, que varreu o estado de Oeste pra Leste, e essas tempestades são capazes de gerar vento ainda mais intenso, capaz de produzir danos como quedas de árvores e postes", conclui.

 

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