Área queimada no Pantanal em 2020 supera em 10 vezes a área de vegetação natural perdida em 18 anos

Entre 2000 e 2018, IBGE estimou em 2,1 mil km² a área devastada no Pantanal, que era o bioma mais preservado do país. Já em 2020, pesquisadores estimam a perda de pelo menos 23 mil km² consumidos pelo fogo.


Por Daniel Silveira



Área queimada no pantanal em 2020 supera em 10 vezes o que foi devastado na região entre os anos de 2000 e 2018 — Foto: Chico Ribeiro/ Governo de MS


Os incêndios que atingem o Pantanal já consumiram, pelo menos, dez vezes mais área de vegetação que em 18 anos de devastação. O bioma já registra, este ano, o maior número de focos de incêndio da história.


Dados divulgados na quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2000 e 2018, o Pantanal perdeu cerca de 2,1 mil km² de área nativa.

Já em 2020, conforme os dados mais recentes divulgados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o bioma já viu cerca de 23 mil km² serem consumidos pelas chamas. A análise do IBGE considera apenas a área nativa perdida acumulada nos 18 anos de análise, sem diferenciar por qual meio se deu a perda. Já os dados no INPP e da UFMT consideram toda a área queimada, mesmo aquela que não é composta somente por vegetação natural.


Somente nos 23 primeiros dias de setembro, o Pantanal já registrou 6.048 pontos de queimadas. Trata-se do maior número mensal de focos de incêndio de toda a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciada em 1998. Até então, o recorde mensal havia sido em agosto de 2005, quando foram registrados 5.993 focos de incêndio no bioma.



Pantanal já perdeu em 2020 cerca de 2,3 milhões de hectares em queimadas, o que equivale a 23 mil km² — Foto: Economia/G1

Até 2018, o Pantanal era o bioma mais preservado no país. A área devastada no período analisado pelo IBGE correspondeu a apenas 1,6% de sua vegetação nativa. Já a área devastada pelos incêndios em 2020 já representa aproximadamente 17,4% da vegetação remanescente dois anos antes, estimada pelo IBGE em cerca de 133 mil km².



Proporcionalmente, pampa é o bioma mais devastado, enquanto o pantanal é o mais preservado — Foto: Economia/G1


O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e é protegido internacionalmente pela Convenção de Ramsar, do qual o Brasil é signatário. Ele foi o bioma mais preservado no período analisado pelo IBGE.


Segundo o levantamento, a área úmida do bioma se manteve estável ao longo do tempo, “mas suas transformações são dinâmicas”. De toda a área perdida nos 18 anos de análise, 59,9% foi convertida em pastagens.

“É uma conversão típica do bioma: o pasto nativo vai sendo substituído por uma pastagem com inserção de técnicas e tecnologias agropecuárias”, apontou a gerente de Contas e Estatísticas Ambientais do IBGE, Maria Luisa Pimenta.

A pesquisadora explica que a pesquisa não mapeia qual a característica da ação humana foi responsável pelas perdas registradas no período, se por meio de queimadas ou derrubada de árvores, por exemplo.

O IBGE destacou que, embora tenha sido o bioma mais preservado entre 2000 e 2018, o Pantanal foi o que sofreu as alterações mais intensas de sua vegetação, seguido pelo Pampa.


Embora tenha sido o bioma mais preservado entre 2000 e 2018, o Pantanal é o que sofreu alterações mais severas segundo o IBGE — Foto: Reprodução/IBGE



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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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