20% das emissões de carbono vêm da cadeia de produção de multinacionais

Novo estudo publicado na "Nature Climate Change" mostra quanto e como essas empresas influenciam nas mudanças climáticas


Por Redação Galileu


20% das emissões de carbono vem da cadeia de produção de multinacionais (Foto: Unsplash)

Um quinto das emissões de dióxido de carbono vem das cadeias de abastecimento globais geridas por empresas multinacionais, segundo um novo estudo liderado pela Universidade College London, na Inglaterra, e pela Universidade de Tianjin, na China. O artigo, publicado nesta segunda-feira (7) na revista Nature Climate Change, mostra o quanto essas empresas influenciam nas mudanças climáticas.


Na pesquisa, os cientistas mapearam as emissões geradas pelo patrimônio e pelos fornecedores das multinacionais e descobriram que o fluxo de investimento ocorre de países desenvolvidos para os em desenvolvimento. Isso sugere, segundo os autores, que as emissões são "terceirizadas" para partes mais pobres do mundo.


O estudo demonstrou o impacto que as multinacionais podem ter ao incentivar uma maior eficiência energética entre seus fornecedores ou ao escolher fornecedores que gerem menos carbono. "Se as empresas líderes mundiais exercessem liderança nas mudanças climáticas, por exemplo, exigindo eficiência energética em suas cadeias de abastecimento, elas poderiam ter um efeito transformador nos esforços globais para reduzir as emissões", disse Dabo Guan, um dos pesquisadores, em comunicado.


Os autores também propõem que as emissões sejam atribuídas aos países de onde vem o investimento, e não aos países onde elas são geradas. "Atribuir emissões ao país investidor significa que as multinacionais são mais responsáveis ​​pelas emissões que geram", defendeu Guan.


Os cientistas constataram que as emissões de carbono resultantes do investimento estrangeiro nas multinacionais caíram de um pico de 22% em 2011 para 18,7% em 2016. Para eles, isso foi resultado de três fenômenos: a tendência de "desglobalização", a redução de investimento estrangeiro e a criação de novos métodos de produção menos danosos ao meio ambiente.


Mapeando o fluxo global de investimentos, os pesquisadores encontraram aumento constante nos investimentos de países desenvolvidos naqueles em desenvolvimento. Por exemplo, entre 2011 e 2016, as emissões de carbono geradas por investimentos dos Estados Unidos na Índia aumentaram consideravelmente: de 44 milhões de toneladas para 64 milhões de toneladas. No mesmo período, as emissões de carbono geradas por conta de investimentos da China no sudeste da Ásia aumentaram de 0,6 milhão de toneladas para 7,4 milhões de toneladas.

"As multinacionais estão cada vez mais transferindo investimentos de países desenvolvidos para países em desenvolvimento. Isso tem o efeito de reduzir as emissões dos países desenvolvidos, ao mesmo tempo que impõe uma carga maior de emissões aos países mais pobres", explicou Zengkai Zhang, líder do estudo. "É provável que [esse processo] crie emissões mais altas em geral, à medida que o investimento é movido para regiões com maior concentração de carbono."


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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