Oceano Índico também pode influenciar o clima no Brasil


Segundo especialista, modelos de previsão do tempo precisam ser mais abrangentes para aumentar eficiência


Por Monique Gentil



Desde o início de 2016, os centros internacionais de meteorologia discutem a possibilidade de um La Niña, que de acordo com as primeiras previsões, deveria ter se configurado no segundo semestre deste ano. Mas neste mês, as evidências para o La Niña têm oscilado, e causado discussões no meio meteorológico. Mas o que faz com que essas previsões oscilem tanto?


Com o objetivo de se aprofundar nesta discussão, a Somar Meteorologia recebeu na segunda-feira (17), o mestre da USP (Universidade de São Paulo), Pedro Leite da Silva Dias, doutorado em Ciências Atmosféricas pela CSU (Colorado State University) e pós-doutorado pelo National Center For Atmospheric Research.


Segundo Dias, existem muito mais interações na atmosfera, além das alterações do Oceano Pacífico como o El Niño e o La Niña, que influenciam nas condições do tempo e do clima. E como os programas utilizados pelos meteorologistas na previsão do tempo não registram esses dados, a dificuldade de processar as informações é maior.


“No Brasil, os softwares utilizados na previsão do tempo, analisam dados do Oceano Pacífico e da atmosfera, mas de acordo com a abordagem do Dr. Dias, é necessário que esses programas sejam atualizados e que passem a registrar informações de camadas de ar acima da atmosfera e de fenômenos que ocorrem em outros lugares do mundo, mas que também influenciam o clima no Brasil”, explica Marcio Custódio, meteorologista da Somar que participou da palestra.


Como exemplo, o palestrante citou anomalias que acontecem nas águas do Oceano Índico, mudanças de temperatura nas águas do mar que podem alterar características climáticas no sul do Brasil, mas que não são assimiladas pelos programas utilizados atualmente no país.


Como referência, Dias citou o modelo meteorológico do centro Europeu ECMWF (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts), um programa de acesso restrito que está entre os mais avançados do mundo, e trabalha com informações da estratosfera, ou seja, camadas de ar acima de 17km de distância da Terra, além de dados de fenômenos de vários lugares do planeta.


Para Olívia Nunes, coordenadora do grupo de operações da Somar, a apresentação do Dr. Dias trouxe um novo olhar aos meteorologistas. “Foi interessante analisar outros aspectos que podem influenciar nas previsões, percebemos que haviam outras oscilações e detalhes para os quais não estávamos dando tanta atenção e que também são importantes para se trabalhar. Coisas que vimos na época acadêmica, mas que acaba caindo em desuso no dia a dia”.


Fonte: http://www.tempoagora.com.br/sustentabilidade/oceano-indico-tambem-pode-influenciar-o-clima-brasil/


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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