El Niño Global x El Niño Costeiro


por Josélia Pegorim



Áreas costeiras ao norte do Peru e do litoral do Equador terminaram o verão de 2017 em situação dramática por causa dos danos causados pelo excesso de chuva. Alguns locais no Peru se transformaram num mar de lama ou ficaram completamente alagadas por causa do transbordamento de rios afetando milhares de pessoas.


As fotos mostram a situação nas regiões peruanas de Piura e de Trujillo no dia 21 de março de 2017.



No Equador, a chuva volumosa do verão de 2017 bateu recordes históricos causando enchentes e mortes. A tabela mostra alguns volumes de chuva acumulados em março, até o dia 27, em áreas do litoral do Equador, pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Equador (INAMHI).


Mas o que particularmente chamou a atenção dos meteorologistas peruanos e equatorianos é que há 18 anos não se observava um aquecimento tão intenso e rápido da água do mar na costa norte do Peru e na costa do Equador.



El Niño Costeiro


O grande volume de chuva no litoral do Equador e na costa norte do Peru está relacionado com a temperatura da água do mar acima do normal nestas regiões.


Com a água do mar mais quente do que o normal, a evaporação é maior. Mais umidade é injetada na atmosfera, o que aumenta a formação da nebulosidade e da quantidade de chuva.


A esse aquecimento anormal da água do Pacífico na costa norte do Peru e no litoral do Equador, os meteorologistas peruanos deram o nome de El Niño Costeiro, pelos efeitos semelhantes aos provocados pelo fenômeno El Niño Global.


O fenômeno El Niño, ou El Niño Global, foi batizado justamente pelos peruanos, pois o aquecimento anormal da água do mar foi percebido pelos pescadores na época do Natal. El Niño, em espanhol, também é uma denominação para "menino Jesus".


Efeito do novo nome do El Niño


Para os pesquisadores científicos, o nome El Niño Costeiro apenas batizou uma situação já conhecida e monitorada, que é o aquecimento anormal da água do oceano Pacifico entre costa do Equador e a costa norte do Peru. Mas para o público leigo, a semelhança entre os nomes gerou confusão, questionamentos e dúvidas.



O El Niño Costeiro é igual ao El Niño Global, que é o comum, conhecido? Onde ocorre o El Niño Costeiro? O que ele faz? O El Niño Costeiro pode virar um El Niño Global? É um fenômeno novo que não se conhecia? Ele afeta o Brasil?



El Niño Global X El Niño Costeiro


O El Niño Costeiro não é um novo fenômeno descoberto. O aquecimento da água do oceano Pacífico na costa norte do Peru e na costa do Equador ocorre com certa regularidade, assim como o esfriamento anormal.


A região onde acontece o aquecimento da água do mar associada ao El Niño Costeiro é bastante conhecida pelos pesquisadores. É uma das regiões normalmente monitoradas para acompanhamento do fenômeno El Niño Global e é conhecida como região Niño 1+2.


Niño 3+4 é a região entre as longitudes -120°C e -170°C e as latitudes 5° ao sul e 5°ao norte da Linha do Equador Terrestre

Niño 1+2 entre as longitudes -80° e -90°C e entre a Linha do Equador Terrestre e a latitude 10° S.


O quadro mostra as faixas de latitude e de longitude que delimitam cada região usualmente monitorada para acompanhamento do fenômeno El Niño Global. O aquecimento atípico na região Nino 3+4 é o que tecnicamente se avalia para a determinação do Niño Global.


No processo de desenvolvimento do El Niño Global sempre ocorre o El Niño Costeiro. O aquecimento na região Niño 1+2 (Costeiro) sustenta o aquecimento na região Niño 3+4 (Global).


Se existe o El Niño Global, então existe também o El Niño Costeiro. Mas a presença de um El Niño Costeiro, mesmo forte como o do verão de 2017, não determina necessariamente que um El Niño Global poderá surgir.


Entenda as diferenças e semelhanças entre o El Niño Global e o El Niño Costeiro



Fonte: https://www.climatempo.com.br/noticia/2017/03/27/el-nino-global-x-el-nino-costeiro-0632




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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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