Oceano Pacífico segue em neutralidade climática


Nem El Niño, nem La Niña. Sem atuação de nenhum dos fenômenos, Oceano Pacífico segue em um período de transição. Descubra o que isso significa:



Por Monique Gentil


Em janeiro deste ano, foi confirmado o fim de um La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial. Desde então, as águas do oceano estão em um processo de aquecimento, mas que ainda não é suficiente para configurar um El Niño.


Sem a atuação de nenhum dos dois fenômenos, o que se vivencia é um período de neutralidade, que de acordo com a NOAA (Agência Americana de Meteorologia e Oceanografia), e o IRI (Instituto Internacional de Pesquisas) da Universidade da Colúmbia e Bureau of Meteorology, deve continuar pelo menos até o final do primeiro semestre de 2017, quando então um El Niño de fraca intensidade conhecido como El Niño Modock deve se estabelecer.


Apesar da “neutralidade” remeter a condições climáticas dentro da média, de acordo com a Somar Meteorologia, este período não indica necessariamente que as chuvas e as temperaturas sigam o padrão histórico, pois sistemas de curto prazo e com menor escala podem influenciar diretamente no clima brasileiro.


O que isso quer dizer?


O aquecimento gradativo das águas do Pacífico deve fazer com que o outono e inverno deste ano tenham ondas de frio menos rigorosas em comparação ao ano de 2016, quando o período de neutralidade também ocorreu, porém com o oceano em processo de resfriamento, o que trouxe frio mais intenso e duradouro para o Centro-Sul.


“Desta vez, as ondas de frio até atingem o país, mas com grandes intervalos entre elas, e não conseguem avançar tanto pelos Estados, além disso, o frio ocorre de maneira menos intensa e com pouca duração”, explica o meteorologista da Somar, Celso Oliveira. “Já as chuvas seguem acima da média na região Sul e nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul até o final do primeiro semestre de 2017, assim como foi observado ao longo de abril”.


Na faixa central do país, é que são esperadas condições climáticas mais próximas do normal. “Mas apesar de a chuva ocorrer dentro da média, vale ressaltar que a região está entrando no período seco, por isso, os volumes devem ser naturalmente mais baixos que nos últimos meses em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro”, afirma Oliveira.


De acordo com o meteorologista, as regiões Norte e Nordeste são as menos influenciadas pelo aquecimento do Pacífico. “A diminuição das chuvas já é esperada na região Norte e na faixa norte do Nordeste por conta do afastamento da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), responsável pela manutenção das chuvas no período úmido, e que agora se desloca rumo ao Hemisfério Norte”.


Já no leste do Nordeste é a temperatura do Oceano Atlântico que está mais fria que o normal, o que já provocou um verão com chuvas abaixo da média, e deve manter as precipitações mais escassas até o final do outono e início do inverno.


Fonte: https://goo.gl/xzLjUA


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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