Mudanças climáticas vão acabar com seus vinhos preferidos


A produção mundial de vinho já caiu 3,2% no ano passado – e a tendência, com o aquecimento global, é continuar ladeira abaixo


Por Bruno Vaiano, da Superinteressante


Sabe aquele vinho francês de três mil reais que você sempre sonhou em tomar? Pois é, pode tirar o cavalinho da chuva. Até sua poupança ficar gorda o suficiente para comprá-lo, ele já não será o mesmo de antigamente.


As mudanças climáticas induzidas pela atividade humana no último século já afetam a rotina das regiões vinícolas mais famosas do mundo – gerando alterações no calendário de maturação das uvas e expondo as plantações a chuvas mais intensas e imprevisíveis que o normal.


“O impacto da mudança climática na produção de vinho é real”, afirmou ao youris.com, Elizabeth Wolkovich, professora de ecologia da Universidade de Harvard, nos EUA.


“Para produzir bons vinhos é necessário uma combinação precisa entre a variedade de uva e o clima do local. O desafio só vai aumentar se as temperaturas continuarem a subir e os regimes de chuvas continuarem a mudar.”

Na França, a temperatura média subiu 1,5ºC no último século.


A produção mundial de vinho caiu ao todo 3,2% em 2016. Um dos principais responsáveis foi justamente o Brasil, que graças ao El Niño sofreu uma queda de 55%.


“Estamos em uma média baixa devido a fenômenos climáticos que afetaram várias regiões do mundo”, comentou na época, em uma coletiva de imprensa, Jean-Marie Aurand, diretor-geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho.


A ciência, é claro, já entrou na briga contra o problema… ou você acha que pesquisadores passam o fim de semana sóbrios? Um projeto colaborativo internacional chamado Innovine – trocadilho entre innovation (inovação) e wine (vinho) – se dedicou por quatro anos a selecionar variedades de uva mais resistentes por meio de análises genéticas.


Mais de 2 mil testes de DNA já foram feitos em busca de genes que tornem as plantas mais aptas a sobreviver ao aumento das chuvas e à disseminação de pragas decorrentes do aquecimento da atmosfera.


Essa peneira genética, segundo os pesquisadores, é a maneira mais eficiente de aguentar o baque. “Adotar material genético novo, selecionando variedades mais adaptadas ao estresse, sempre tem mais impacto que qualquer outra maneira de lidar com o problema”, explica a pesquisadora Anne-François Adam-Blondon, que comandou o projeto.


Outra possibilidade é usar simulações de computador que avisam a hora certa de fazer a colheita de acordo com as variações climáticas a que as uvas foram submetidas conforme cresciam, os chamados sistemas de suporte de decisão (DSS).


Quanto mais quente o ambiente, mais cedo a fruta atinge o estado ideal para colheita. Além disso, já é possível calcular como uma praga afetará uma plantação de acordo com o estágio de desenvolvimento das uvas e a previsão do tempo, o que melhora as estratégias de combate e reduz o uso de pesticidas.


Truques científicos à parte, um aumento de pelo menos 1,5ºC na temperatura média do planeta, segundo a maior parte dos especialistas, já é irreversível.


Isso significa que as áreas ideais para plantar uvas inevitavelmente se deslocarão para o norte, desalojando Bordeaux, Alsace and Chianti de colinas francesas que um dia já foram a receita para o vinho perfeito. Alô, cerveja?


Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Superinteressante.


Fonte: https://goo.gl/pdSMbz


0 visualização

O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

Criatividade Coletiva