Por que desprendimento de iceberg gigante na Patagônia intriga cientistas


Com área de 16 campos de futebol, iceberg se soltou da geleira Grey, no sul do Chile; enquanto estiver à deriva e em fragmentação, ameaça passeios turísticos na região.


Um iceberg gigante que se desprendeu da geleira Grey, no sul do Chile, pegou de surpresa autoridades locais e está intrigando especialistas.


Funcionários da Corporação Florestal Nacional, entidade vinculada ao governo que responde pela política florestal do país, afirmam ter se deparado com o fenômeno na última segunda-feira (27).


O glaciar é uma das formações de gelo do Parque Nacional Torres del Paine, uma área formada por montanhas, lagos e geleiras na Patagônia chilena.


Encontrar blocos de gelo soltos na região não é incomum, mas esse caso foi classificado como "especial".


De acordo com o glaciologista Andrés Rivera, há algum tempo não era visto um iceberg com características tão particulares.

"É um iceberg muito grande, por sua forma e dimensão", disse ele, especialista do Centro de Investigações Científicas chileno.


O especialista detalhou quais características tornam esse iceberg tão inusitado:


1. Seu tamanho


Análises preliminares indicam que o iceberg tem cerca de 350 metros de comprimento por 300 metros de largura, o que significa uma área de aproximadamente 100 mil metros quadrados.


Para efeito de comparação, seria algo equivalente a 16 campos de futebol profissional.


"Sempre há a liberação de icebergs, mas essa geleira tem sofrido recuos e perdido massa praticamente durante todo o século 20. E isso se acelerou na última década", observa Rivera.


No caso do glaciar Grey, o especialista atribui esse grande desprendimento à perda de massa do gelo originado recentemente.


2. Seu formato incomum


É muito comum a formação de grandes blocos de gelo ou icebergs, mas não como o visto nesta semana.


Ele tem uma forma muito retangular, ao contrário da maioria dos icebergs, que são muito irregulares.


"Em geral, eles (os icebergs) são menores e têm características complexas, mas não um formato de mesa. O nome desse tipo de iceberg é tabular. Não há muitos vistos com esse formato. É um fenômeno incomum", explica Rivera.


Já foram registrados desprendimentos maiores que este na geleira Grey, especificamente em 1997 e 2011. A diferença é que nesses dois casos foram produzidas dezenas de icebergs, e não apenas um com esse formato.


"A grande surpresa deste caso é que se gerou um grande bloco tabular", diz o glaciologista.


3. O risco de fragmentação


Enquanto esse iceberg permanecer como um bloco grande de gelo, ele não representa perigo.


Mas os especialistas acreditam que, ao ficar à deriva e sujeito a um derretimento natural, ele se fragmentará nas próximas semanas – e isso traz riscos.


Um deles é à navegação de embarcações turísticas, que representam uma das principais fontes de renda para a economia local.


"Esses lagos são visitados por milhares de turistas, e a presença de icebergs pode impedir e dificultar o deslocamento dessas embarcações", disse Rivera.


O glaciologista Ricardo Jaña, do Instituto Antártico Chileno, concorda que o iceberg pode ser uma ameaça quando houver a desfragmentação, segundo apontou em um comunicado.


De 1945 até hoje foram perdidos cerca de 500 quilômetros quadrados na área de gelo da América do Sul, segundo Rivera, o que tem efeitos colaterais nas encostas de terra que estão descobertas.


"À medida que ocorrem esses desprendimentos, essas encostas ficam instáveis, e há a queda de rochas. É um risco geológico importante."


Fonte: https://goo.gl/i1676W


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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