Primavera 2018 - Tendência climática geral para o Brasil


por Josélia Pegorim


A primavera de 2018 no Hemisfério Sul começa oficialmente no dia 22 de setembro, às 22h54, pelo horário de Brasília, e vai até o dia 21 de dezembro, às 19h23, sem considerar o horário brasileiro de verão.


A primavera é uma estação de transição durante a qual a atmosfera gradualmente sai do padrão seco característico do inverno e ganha o padrão úmido e quente típico o verão. Mas esta transformação não ocorre de uma semana para outra.


O que quer dizer a palavra primavera?

A palavra "primavera" tem origens muito antigas. Vem do latim primus, que significa "antes", e provavelmente do sânscrito “ver”. Então, primavera significaria “resplandecer, iluminar, arder” e que, por extensão, acabou por indicar também a estação em que o Sol arde, isto é, o verão. Prima-vera, portanto, é a “estação antes do verão”.


Como é a chuva da primavera?


A chuva da primavera é mais esperada do ano, pois vai permitir que os agricultores comecem a semeadura da nova safra de verão. Os eventos de chuva volumosa ficam mais frequentes e se espalham pelo país no decorrer da primavera dando início a recuperação dos grandes reservatórios hidrelétricos e de abastecimento do país.


É durante a primavera que aumentam os transtornos causados pelos temporais que começam a acontecer com mais frequência por quase todo o país.


Para a maioria das áreas do Brasil, a primavera é uma estação caracterizada pelo aumento do calor e do retorno da chuva. Mas para algumas regiões, primavera significa seca. Em grande parte do Nordeste, esta é a estação mais quente e seca do ano. Na porção norte da Região Norte, onde estão Roraima, o Amapá, o norte do Pará e do Amazonas, a primavera é uma época em que chove menos, quando ocorrem vários dias consecutivos até sem chuva. A redução da chuva faz com que o calor aumente.


Por que a chuva aumenta e tem mais temporal?

Durante a primavera ocorre uma grande mudança na circulação dos ventos sobre o Brasil, que permite a formação do corredor de umidade entre o Norte, o Centro-Oeste e o Sudeste. Isto permite o crescimento de muitas áreas de instabilidade sobre estas Regiões, que provocam pancadas de chuva frequentes especialmente durante as tardes e noites.


É a maior disponibilidade de ar úmido e quente sobre o país que facilita a formação das enormes nuvens cumulonimbus, que causam os temporais com muitos raios, ventania, granizo e até tornados.


Tem frente fria na primavera?

Frentes frias, com suas massas de ar frio, de origem polar, avançam pelo costa do Sul e do Sudeste também durante a primavera. A maior influência do ar frio intenso é sobre as áreas próximas ao mar, mas algumas vezes o vento gelado consegue entrar pelo interior do país e aliviar o calorão.


Extremos de calor

Historicamente a primavera é época de extremos de calor. Os meses de outubro e novembro estão entre os mais quentes do ano em grande parte do país. O aquecimento que ocorre no Pacífico, com o processo de formação do El Niño, vai ajudar a deixar a primavera de 2018 mais quente no Brasil. O aumento da temperatura aquece muitos setores da economia.


O que esperar da primavera 2018?

A primavera de 2018 será influenciada pelo aquecimento da porção central e leste do oceano Pacífico Equatorial, na altura da costa do Peru, que vai gerar um novo episódio do fenômeno El Niño. Tudo indica que vamos terminar a primavera já com o El Niño formado.


A maioria das áreas do Brasil terá mais dias quentes do que com temperatura baixa. A chuva retorna ao país, mas o processo de formação do El Niño será um complicador para a chuva. A chuva da primavera já é normalmente irregular e não beneficia igualmente uma grande região. O aquecimento que ocorre no Pacífico vai aumentar esta irregularidade espacial.


O impacto negativo da irregularidade da chuva da primavera de 2018 será mais sentido nos setores de abastecimento de água para as populações e para a geração de energia do que na agricultura.


Fonte: https://goo.gl/t3zxyn



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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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