Entenda o frio desta primavera no Centro-Sul do Brasil


Quando se trata de atmosfera, muitas variáveis impactam na temperatura. Confira!



Mas que frio é esse? Tem muita gente se perguntando se é normal estarmos com estas temperaturas mais baixas em plena primavera. Em novembro episódios de queda acentuada na temperatura já foram registrados, o que já estava chamando a atenção. A primavera normalmente tem como suas principais características chuva forte e calor. Então o que está acontecendo?


Dezembro começou e apesar de ainda ser primavera, muita gente já está com o pensamento no verão. E aí vem a principal pergunta, cadê o calor? Algumas combinações nos explicam a razão desses dias frios no meio da nossa estação quente. Primeiro vamos falar da própria primavera, caracterizada pelo período de transição entre o inverno e o verão. Essa transição já é suficiente para dar margem à mudanças bruscas no tempo e na temperatura.


Porém, quando se trata de atmosfera, muitas variáveis nos impactam. Existem aquelas que vêm primeiro do oceano, por exemplo, quando temos um aquecimento da água do Oceano Pacífico, o tal El Niño. Depois esse aquecimento passa para a atmosfera que aí sim provoca mudanças na distribuição de chuva e temperatura. Entre uma coisa e outra existe um pequeno “delay”. Neste momento não estamos com El Niño e nem estamos em Lã Niña que seria o contrário, a água mais fria no Pacífico. Estamos em período de neutralidade. Só que neutralidade está longe de significar normalidade, quando tudo acontece conforme as regras de cada estação do ano. “Essa neutralidade do Pacífico dá ainda mais margem para as mudanças bruscas, ora com picos de calor, ora com picos de frio, e é exatamente isso que estamos vivendo”, explica Amanda Souza, meteorologista da Somar.


Segundo ela, para um aumento expressivo da temperatura precisamos da aproximação de uma frente fria, onde os ventos sopram de Norte e trazem um ar mais quente, aí vem o calor que todo mundo espera na primavera/verão. “Mas uma hora essa frente fria vai embora e atrás dela vem uma massa de ar seco e frio, onde os ventos sopram de Sul, por isso a queda na temperatura”, diz Amanda. A questão é como essa massa de ar seco e frio avança, se de forma continental (mais eficaz na diminuição da temperatura porque passa por cima do continente) ou se de forma mais costeira (pelo litoral), também capaz de mudar o tempo e provocar o declínio da temperatura.


A capital paulista vem enfrentando uma gangorra das temperaturas nas últimas semanas, mas isso também tem ocorrido em outras localidades do país. Por exemplo, em plena primavera episódios de geada têm sido registrados na serra catarinense, e lembrando, para isso acontecer, a temperatura mínima tem que ficar abaixo dos 3°C. Frio não é mesmo? Aliás, nessa primeira quinzena de dezembro, a expectativa é de muita variação, temperaturas amenas não só em São Paulo como também no Rio de Janeiro, em Vitória e Belo Horizonte devido a frequência de frentes frias chegando ao Sudeste. Mas uma tendência importante, tudo pode mudar e o calor deve predominar especialmente entre Natal e Réveillon.




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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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