Cientistas estudam as variações dos impactos climáticos do El Niño na América do Sul


Uma equipe de cientistas nacionais e internacionais publicou estudo apontando a acentuada variabilidade dos fortes impactos provocados pelo El Niño (fenômeno de aquecimento das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico), principalmente, na região Sul da América do Sul. As oscilações desses impactos climáticos afetam – socioeconômica e ambiental – diversas regiões do planeta, devido as alterações das chuvas e do calor, ocasionando seca e inundações.

IMAGEM: SeaWifs Global Biosphere Centered on the Pacific / Wikipedia

Os impactos do El Niño na América do Sul apresentam um padrão como as inundações ao longo da costa oeste do Equador, Peru e Colômbia, além de secas na Amazônia e no nordeste do continente.

Segundo os cientistas, diversos fatores envolvem os impactos do El Niño, incluindo a própria variabilidade climática dentro e fora do Pacífico. As interações climáticas entre bacias hidrográficas e o aquecimento pelo efeito estufa estão entre esses fatores, tornando desafiadora a previsão sazonal. As reduções de chuva induzidas pelo aquecimento efeito estufa podem superar os aumentos de chuva relacionados ao El Niño, como já foi encontrado no centro do Chile, levando a condições de seca persistentes.

Divulgado no último dia 10 de abril, na publicação científica internacional da Revista Nature, o artigo intitulado “Climate impacts of the El Niño– Southern Oscillation on South America ” ( Impactos climáticos do El Niño – Oscilação do Sul na América do Sul) teve seus estudos coordenados pelo pesquisador Wenju Cai, diretor do Centro de Pesquisa em Oceanos do Hemisfério Sul (CSHOR), com a participação do pesquisador José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)- unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)- além da participação de diversos institutos de pesquisa nacional e internacional.

Os estudos consideraram, também, os dados da seca no Brasil, com base na pesquisa coordenada pelo climatologista e pesquisador, José Marengo, trabalho publicado nos anais da Academia Brasileira de Ciências, intitulado “Características climáticas da seca de 2010-2016 na região semiárida do nordeste do Brasil”, que contou com a participação de diversos pesquisadores do Cemaden.

“A oscilação de impactos do El Niño – com aumento de ocorrências e impactos cada vez mais fortes – é considerada uma importante influência climática na América do Sul, afetando várias regiões no mundo”, destaca José Marengo, explicando que os esforços dos cientistas estão voltados agora para os estudos paleoclimáticos contínuos, ou seja, o estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra. “Esse estudos paleoclimáticos permitirão compreender os processos oceano-atmosfera que geram o impacto climático, a variabilidade dos eventos entre décadas e as respostas ao aquecimento antropogênico.”, finaliza Marengo.

Acesse o artigo científico “Climate impacts of the El Niño– Southern Oscillation on South America ” aqui.

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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