Brasil é um dos países onde mais se morre por raios, aponta Inpe


Levantamento inédito realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe analisa mortes pelo fenômeno e explica como se proteger — dentro e fora de casa

Talvez você não saiba, mas o Brasil está em primeiro lugar na lista de países com maior incidência de raios no mundo: são 77,8 milhões de descargas no solo a cada ano. E esse número não apenas impressiona como também preocupa: um estudo inédito feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, aponta que o país ocupa a sétima posição no ranking global de mortes provocadas pelo fenômeno.

Só neste século, já foram registrados 2.194 casos, uma média de 110 casos por ano desde 2000. Esses dados foram levantados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Inpe, reunindo informações coletadas pelo Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, veículos da imprensa e dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“As pessoas subestimam os riscos porque acham que as chances [de serem atingidas por raios] são de uma em 1 milhão", observa Osmar Pinto Junior, coordenador do ELAT, em entrevista a GALILEU. Mas não é bem assim. "Se estiver em um local aberto durante uma tempestade, a chance pode ser de uma em 1 mil", complementa o especialista. Estima-se que entre 80% e 90% das mortes por raios poderiam ser evitadas com medidas de segurança.

Por isso, o ELAT lançou uma cartilha com orientações de como se proteger do fenômeno. “Hoje somos um dos cinco países líderes no estudo com raios. Isso é muito importante, pois temos poucos recursos perto de outros países, como EUA, China e Japão. É motivo de orgulho”, destaca Junior.

O documento explica, por exemplo, que os raios podem acontecer pouco antes da chuva começar ou no estágio final da tempestade. Sendo assim, buscar abrigo, evitar sair para lugares abertos ou entrar no mar, no rio ou na piscina são ações fundamentais para prevenir acidentes.

Os mesmos cuidados valem para dentro de casa: quando estiver chovendo, não use equipamentos elétricos ligados à rede elétrica ou fique perto de tomadas; não fale ao telefone com fio ou ao celular conectado ao carregador; procure não tomar banho em chuveiro elétrico; mantenha-se longe de janelas e portas metálicas, além da rede hidráulica (torneiras e canos).

O Brasil está em primeiro lugar na lista de países com maior incidência de raios no mundo (Foto: Inpe/ELAT)

Não é brincadeira: a probabilidade de uma pessoa morrer atingida por raio no Brasil ao longo de sua vida é de uma em 25 mil. É mais fácil do que ser mordido por um cachorro (uma em 100 mil, segundo o Inpe). O risco aumenta 2,5 vezes se o indivíduo estiver em uma área descampada durante uma tempestade típica, que produz cerca de três raios por minuto. Já durante uma tempestade mais forte, com 30 raios por minuto, a probabilidade é de um em 1 mil.

O levantamento mostra que o Sudeste concentra o maior número de casos (26%) e que a maior parte das mortes (67%) acontece no verão e na primavera. Os homens são os que mais morrem: representam 82% dos óbitos. Já as mulheres respondem por 18%.

As principais circunstâncias em que essas fatalidades acontecem estão ligadas ao agronegócio (26%) e estar dentro de casa próximo à rede elétrica ou hidráulica (21%). Também estão na lista atividades na água ou próximo a praias, rios ou piscinas (9%), embaixo de árvores (9%), em áreas cobertas que protegem da chuva, mas não dos raios (8%), em áreas descampadas (7%), próximo a veículos ou em veículo abertos (6%), em rodovias, estradas ou ruas, sem estar dentro de veículos (4%), próximo a cercas, varal ou similares (4%) e outros casos (6%). Não há registro de fatalidade dentro de veículos fechados.

"Antes, o cálculo era muito abrangente, sendo o número de pessoas atingidas por raios versus número de habitantes de todo brasil. O cálculo não considerava a diferença de pessoas que trabalham em escritório e pessoas que trabalham nos campos. Isso importa”, analisa o coordenador do ELAT.

Estima-se que, do total de atingidos, cerca de 300 pessoas sobrevivam aos raios a cada ano no Brasil. Mas pode haver sequelas, como queimaduras e traumas físicos e neurológicos. Portanto, proteja-se sempre — não importa onde esteja.

*Com supervisão de Luiza Monteiro

Fonte

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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