Amazônia passou a emitir mais carbono do que absorver

Por abrigar a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia tem sido uma importante fonte de remoção de carbono da atmosfera, ajudando no combate as mudanças climáticas. Entretanto, devido a constante destruição da floresta, sua capacidade de absorver carbono está diminuindo!


Por Paola Bueno


Parte da floresta amazônica perdeu sua capacidade de absorver carbono da atmosfera e passou a emiti-lo! A revelação foi feita por um estudo liderado por uma pesquisadora brasileira do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Luciana Gatti, publicado na última quarta-feira (14) na revista Nature.


Regiões da Amazônia que registram um desmatamento de 30% ou superior emitem 10 vezes mais carbono que as regiões onde o desmatamento é menor que 20%

Para verificar o balanço de carbono, ou seja, a diferença do que era absorvido e emitido, os pesquisadores registraram 590 medições do perfil vertical de concentrações de dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) desde a superfície até a altura de 4,5 km, utilizando aviões. Esses registros foram feitos entre 2010 e 2018 em quatro regiões diferentes da Amazônia: noroeste, sudoeste, nordeste e sudeste.


Com esses dados, os autores descobriram que enquanto as regiões localizadas a oeste da Amazônia ainda absorvem carbono, de forma mais fraca, as regiões mais a leste passaram a emitir carbono para a atmosfera, principalmente no sudeste! Qual a principal diferença entre o leste e o oeste da Amazônia? A taxa de desmatamento e interferência humana, que no leste é muito maior.



Tendências de desmatamento, precipitação, temperatura (na estação seca) e fluxos de carbono. NBE é o saldo anual de carbono absorvido comparado com o carbono produzida pela floresta (NBE negativo indica que a floresta absorve carbono). Gatti et al., 2021.


Os pesquisadores também inferiram que as regiões com maiores taxas de desmatamento apresentam uma tendência mais clara de aumento das temperaturas e diminuição das chuvas. Isso fica ainda mais evidente nos meses de estação seca (agosto, setembro e outubro) onde a redução das chuvas chega a ser superior a 30% e a temperatura média 2°C mais quente. Com a estação seca mais quente, com menos umidade e maior duração, o estresse da vegetação é maior, o que compromete ainda mais a absorção de carbono e aumenta sua vulnerabilidade.


O balanço de carbono para toda a Amazônia Sul-Americana para o período estudado de 2010 a 2018 indica uma emissão de 1,06 bilhões de toneladas de carbono por ano para a atmosfera. A emissão gerada pelas queimadas nesse período foi de 1,51 bilhões de toneladas de carbono por ano, isso significa que a Amazônia é capaz de absorver somente 30% do total de emissões por queimadas. Considerando apenas a Amazônia brasileira, esse percentual cai para 18%.


O estudo por fim aponta que se não houvesse mais queimadas e o desmatamento fosse zerado, além de reduzirmos as emissões de carbono pela floresta, a Amazônia brasileira removeria cerca de 0,2 bilhão de toneladas de carbono por ano!

Número de queimadas e desmatamento bate recorde em junho

Infelizmente, na contramão do que foi mostrado no estudo publicado pela Nature, dados do INPE mostram que o número de queimadas na Amazônia aumentou drasticamente, registrando 2 308 focos no mês de junho deste ano, o maior valor desde 2007 para este mês.


Além das queimadas, de acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 926 km² de floresta foram destruídos em junho, uma área 3 vezes maior que a cidade de Fortaleza. Com isso, a área de desmatamento acumulada nos últimos 11 meses (agosto de 2020 a junho de 2021) chegou a 8 381 km², o que representa um aumento de 51% em relação ao período de agosto de 2019 a junho de 2020, que registrou 5 533 km² de área desmatada.


Considerando somente o ano de 2021, de janeiro a junho deste ano a Amazônia perdeu 4 014 km² de floresta, a maior taxa de desmatamento para um primeiro semestre nos últimos 10 anos!

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