Aquecimento de 2 °C liberaria 230 bilhões de toneladas de carbono do solo

Essa estimativa é mais de quatro vezes o total das emissões da China e mais que o dobro das emissões dos Estados Unidos nos últimos 100 anos


Por Redação Galileu


O aquecimento de 2°C causaria liberação de 230 bilhões de toneladas de carbono do solo (Foto: Reprodução Greenpeace)


Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, revela que um aquecimento global de 2 °C faria com que cerca de 230 bilhões de toneladas de carbono fossem liberadas do solo da Terra


Segundo a pesquisa, publicada nesta segunda-feira (2) na revista Nature Communications, os solos globais contêm de duas a três vezes mais carbono do que a atmosfera, e temperaturas mais altas no planeta aceleram sua decomposição. Como consequência, diminuir o tempo que o gás passa na superfície, processo conhecido como transformação de carbono no solo.


A estimativa de 230 bilhões de toneladas de carbono liberadas com o aquecimento terrestre de 2 °C é mais de quatro vezes o total das atuais emissões da China e mais que o dobro das emissões dos Estados Unidos nos últimos 100 anos.


"Nosso estudo descarta as projeções mais extremas — mas mesmo assim sugere que haveria perdas substanciais de carbono do solo devido à mudança climática com aquecimento de apenas 2 °C", pontua Sarah Chadburn, coautora da pesquisa, em nota.

A resposta do carbono do solo às mudanças climáticas é a maior incerteza na compreensão do ciclo do gás nas projeções das alterações do clima. Para resolver isso, os pesquisadores usaram uma nova combinação de dados observacionais e Modelos do Sistema Terrestre, que simulam o clima e o ciclo do carbono e, posteriormente, fazem previsões sobre as mudanças climáticas.


"Nós investigamos como o carbono do solo está relacionado à temperatura em diferentes locais da Terra para descobrir sua sensibilidade ao aquecimento global", relata Rebecca Varney, líder do estudo. 


De acordo com Peter Cox, coautor do artigo, conhecer esses riscos é "vital para calcular um orçamento de carbono acurado e cumprir com sucesso as metas do Acordo de Paris."


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