As imagens de satélite que mostram avanço de fumaça de queimadas no Brasil

Fotos coletadas pelo Inpe registram maneira como poluição causada por incêndios na Amazônia e no Pantanal se dispersou pelo país nos últimos dias.


Por BBC



Imagem de satélite do Inpe mostra fumaça de incêndios sobre a América do Sul —

Foto: Inpe/Cira/Rammb


A movimentação da coluna de fumaça gerada pelos incêndios na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado pelo país foi registrada por imagens de satélite coletadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


Só na última semana, entre os dias 14 e 19 de setembro, é possível ver as partículas liberadas na atmosfera pelas queimadas sendo levadas pelo vento em direção às regiões Sudeste e Sul do país.


Nos últimos dias, a fumaça dos incêndios nos biomas brasileiros, e também da Bolívia, avançou para locais como as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e municípios de Minas Gerais, segundo a Metsul Meteorologia.


Essa fumaça já havia chegado ao Sul do país. No dia 13, houve relatos de chuva preta na cidade de São Francisco de Assis, no Rio Grande do Sul. A suspeita é de que a coloração escura tenha sido causada pelos incêndios no Pantanal, que enfrenta o pior período de queimadas das últimas décadas.


As intervenções nas imagens foram feitas pelo pesquisador Alberto Setzer, do Inpe, utilizando satélites da Nasa e comparando-as com sistemas que monitoram especificamente a concentração de aerossóis — partículas finíssimas de poluentes — no ar.



Imagem de satélite do Inpe mostra fumaça de incêndios sobre a América do Sul — Foto: Inpe


Fotos como estas são produzidas pelo Inpe durante todo o ano e disponibilizadas no site do órgão. É possível compará-las com o mesmo período no ano passado e com outros meses deste ano.



Imagem de satélite do Inpe, do dia 1º de agosto, mostra o estado de Mato Grosso quase sem fumaça. — Foto: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

Aumento confirmado pelos dados

De janeiro a meados de setembro deste ano, foram registrados 69,5 mil focos de calor (que costumam representar incêndios) na Amazônia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


Somente na primeira quinzena deste mês, na Amazônia, houve crescimento de 86% de focos de calor, em comparação ao mesmo período do ano passado.



Imagem de satélite do Inpe mostra fumaça de incêndios sobre a América do Sul — Foto: Inpe


No Cerrado, foram registrados 40,8 mil focos de calor de janeiro a meados de setembro deste ano. Somente nas duas primeiras semanas deste mês, foram 13,6 mil registros, crescimento de 9,21% em comparação ao mesmo período em 2019.


Já o Pantanal teve o maior crescimento de focos de calor entre os biomas neste ano. Os registros aumentaram 219% em comparação ao mesmo período de 2019 — de janeiro à primeira quinzena de setembro. Até sábado (19/09), havia 15,9 mil focos correspondentes a 2020.


Somente nas duas primeiras semanas de setembro deste ano, foram registrados 5,3 mil focos de calor no Pantanal. Em 2019, no mesmo período, havia 1,6 mil.


Na quinta-feira (17/09), houve registro de chuva escura também em municípios de Santa Catarina. A Defesa Civil do Estado confirmou que eram precipitações contaminadas por partículas de fumaça de incêndios no Pantanal.


Nas fotos da última semana, é possível ver como a coluna de fumaça que se movimenta dos estados da Amazônia Legal se une gradualmente à que sai de outros focos de incêndio, no Pantanal e no Cerrado. Já no dia 19 de setembro, boa parte do território brasileiro aparece encoberto pela fuligem.


Nos próximos dias, segundo serviços meteorológicos, existe a possibilidade de registro de chuva preta na cidade de São Paulo, que está encoberta por fumaça dos incêndios florestais.


O céu tomado pela fumaça é uma realidade frequente nos nove estados que compõem a Amazônia Legal. As pessoas que vivem nessas regiões sofrem diretamente os impactos das queimadas intensas e podem ser expostas a níveis de poluição do ar acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

27 visualizações

O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

Criatividade Coletiva