Como os antigos previam o tempo antes da Meteorologia?

Observar o tempo sempre foi uma necessidade humana, mas como os antigos faziam sem a tecnologia atual?


Por Aventuras na História


The Great Wave off Kanagawa - Wikimedia Commons


Desde as eras bíblicas, observar o tempo sempre foi uma necessidade da humanidade, já que o cultivo das plantações dependia dos ciclos das chuvas. A própria Bíblia cita a forma como se previa o tempo na época de Jesus: “Vai chover, porque o céu está vermelho-escuro”. (Mateus, capítulo 16, versículos 2 e 3).


Pois era justamente assim que as previsões eram feitas antigamente: a olho nu e sem nenhum rigor científico. As pessoas olhavam para o céu e tentavam adivinhar se iria chover, fazer frio ou calor, de acordo com o que se acreditava na época.


O termo meteorologia foi usado pela primeira vez no século 4 a.C., quando o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu um tratado chamado Meteorológica. No livro, o filósofo faz considerações sobre o clima, astronomia e ciências naturais. Algumas partes do texto são muito avançadas para a época, como o capítulo que trata da condensação da água.


O filósofo grego Teofrasto (372- 287 a.C.), que era discípulo de Aristóteles e herdou todos os escritos do mestre após a sua morte, escreveu sobre a previsão de chuvas no seu Livro dos Sinais. Na obra, publicada por volta de 300 a.C., Teofrasto menciona oito maneiras de prever a chuva, 50 de prever tempestades e sete para o tempo, com até um ano de antecedência. Claro que ele cometeu erros, mas também houve muitos acertos.


Teofrasto afirma na obra, por exemplo, que após um nevoeiro há pouca chance de chuva. A meteorologia moderna só surgiu no século 19, quando, em 1854, uma esquadra de navios franceses afundou por causa de um violento temporal na costa da Crimeia.


Para prever tempestades, foi criado na França no séc. 19 um sistema de informação em rede acertos. Para evitar novos problemas, o governo francês solicitou ao diretor do Observatório de Paris, Urbain Le Verrier, a criação de um sistema para prever as tempestades.


Verrier criou uma rede de 24 estações meteorológicas espalhadas por toda a Europa, que passaram a observar e relatar as adversidades do tempo. O diretor descobriu, pelo relato dos observadores, que a tempestade que assolou a frota francesa havia se formado dias antes e castigado partes do continente.


Ele reuniu os dados e apresentou um estudo mostrando que, graças à informação em rede, era possível ter previsto o mau tempo com antecedência e avisado a frota através do recém-inventado telégrafo. Estava, assim, inaugurada a era dos boletins meteorológicos.

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