Desigualdade é obstáculo para acesso universal à energia sustentável

Novo relatório mostra que mais de 1 bilhão de pessoas tiveram acesso à eletricidade em todo o mundo na última década; impacto financeiro da Covid-19 tornou serviços básicos inacessíveis para mais 30 milhões de cidadãos.


Por ONU News


Na última década, uma parcela maior da população global obteve acesso à eletricidade, mas o número de pessoas sem energia elétrica na África Subsaariana aumentou.

A conclusão está no Relatório de Progresso de Energia, divulgado nesta segunda-feira, que avalia avanços na conquista do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7.


Foto: Karsten Würth - Unsplash

Metas

O estudo é assinado pela Agência Internacional de Energia, AIE, Agência Internacional de Energia Renovável, Irena, pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, Banco Mundial e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.


Segundo o relatório, se os esforços em países com maiores déficits não forem intensificados, o mundo não deverá cumprir o objetivo de acesso universal à energia acessível, confiável, sustentável e moderna até 2030.


Progresso

O progresso desde 2010 foi significativo, mas desigual entre as regiões.

Mais de 1 bilhão de pessoas obtiveram acesso à eletricidade em todo o mundo na última década, mas o impacto financeiro da Covid-19 tornou os serviços básicos inacessíveis para mais 30 milhões de usuários.


A maioria vive na África, com Nigéria, República Democrática do Congo e Etiópia indicando os maiores déficits, com a Etiópia substituindo a Índia no Top 3.

Globalmente, o número de pessoas sem acesso à eletricidade diminuiu de 1,2 bilhão em 2010 para 759 milhões em 2019.


Vários motivos contribuíram para essa descida. A eletrificação por meio de soluções descentralizadas renováveis, em particular, teve grande impulso.


Critérios

O número de pessoas conectadas a mini redes, por exemplo, mais que dobrou entre 2010 e 2019, passando de 5 para 11 milhões de pessoas.


A pesquisa afirma, no entanto, que com as medidas atuais 660 milhões de pessoas ainda não terão acesso em 2030, a maioria delas na África Subsaariana.

Ao mesmo tempo, cerca de 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a métodos de cozimento ecológicos, que cumpram os critérios da OMS.


Nessa área, praticamente não houve progresso desde 2010, levando a milhões de mortes a cada ano por respirar fumaça de cozinha. Sem ação rápida, o mundo ficará aquém de sua meta em 30% em 2030.


Na África Subsaariana, 910 milhões de pessoas não têm acesso a estes métodos de cozinha. Na República Democrática do Congo, Etiópia, Madagascar, Moçambique, Níger, Uganda e Tanzânia 5% da população ou menos têm este tipo de acesso.


Propostas

O relatório inclui várias propostas, destacando o aumento de energias renováveis​, que se mostraram mais resilientes durante a crise da Covid-19.


O setor teve um crescimento sem precedentes na última década, mas sua participação no consumo total permaneceu estável, já que este indicado cresceu a uma taxa semelhante.


Nesse momento, as energias renováveis ​​são mais dinâmicas no setor elétrico, atingindo cerca de 25% em 2018. Nos setores de aquecimento e transporte o progresso tem sido muito mais lento.


Mais de um terço do aumento na geração de energia renovável em 2018 aconteceu no Leste Asiático, impulsionado por grandes aumentos de energia solar e eólica na China.


Foto: Zbynek Burival - Unsplash

Bioenergia

No mesmo ano, em nível de país, os maiores avanços em energia renovável aconteceram na Espanha, devido à maior geração de energia hidrelétrica, seguida pela Indonésia, onde a bioenergia teve um grande crescimento.


Sobre financiamento, o relatório mostra que o apoio financeiro internacional continua concentrado em alguns países e não chega a muitos dos mais necessitados.

Os fluxos para os países em desenvolvimento em apoio à energia limpa e renovável alcançaram US$ 14 bilhões em 2018, com apenas 20% indo para os países menos desenvolvidos.



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