Energia solar em aeroportos pode abastecer cidades na Austrália

Estudo destaca o potencial de instalar painéis solares nos telhados de aeroportos.


Por Marcia Souza


Foto: Angie Warren - Unsplash


Incentivar residências a adotarem a geração de energia solar é essencial para um futuro menos poluente, mas investir em aplicações solares de larga escala é o que poderá mudar os rumos para as emissões zero. É o que revela um novo estudo do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne (RMIT University), na Austrália.


Pesquisadores geoespaciais usaram a cidade de Bendigo, no estado de Vitória, para realizar o estudo de caso. Foi estimada a eletricidade solar gerada ao longo de um ano na cidade que possui 17 mil painéis residenciais. Em comparativo, o estudo leva em consideração o potencial da instalação solar em 21 aeroportos de propriedade do governo australiano.


O que se descobriu foi que a instalação em larga escala seria capaz de gerar 10 vezes mais eletricidade do que as 17 mil placas. Além disso, mais de 151 mil toneladas de emissões de gases de efeito de estufa seriam evitadas por ano.


“Não podemos contar com pequenos painéis solares residenciais para nos levar a uma economia de emissão zero, mas a instalação de grandes painéis em locais como aeroportos nos deixaria muito mais próximos”, diz a Dr. Chayn Sun, cientista geoespacial da Escola de Ciências da RMIT. Ela espera que os resultados contribuam para orientar a política energética do país.


A ideia é que a energia gerada possa não só tornar os aeroportos autossuficientes como também que o excedente possa ser enviado para a rede.


A pesquisadora Chayn explica que “os aeroportos têm boa exposição ao sol porque não são sombreados por edifícios altos ou árvores, o que os torna um local perfeito para aproveitar a energia do sol”, mas este potencial tem sido desperdiçado. Ela calcula que aproveitar a fonte renovável evitaria que 63 mil toneladas de carvão fossem queimados na Austrália a cada ano.


Método

O autor principal Athenee Teofilo, um estudante de mestrado em ciências geoespaciais, mapeou os edifícios em todos os aeroportos federais – excluindo estruturas inadequadas. No estudo, foi determinado o ângulo de inclinação ideal para os painéis solares de cada aeroporto, para maximizar a eficiência.


Só o Aeroporto de Melbourne superaria a produção anual de eletricidade solar da cidade de Bendigo em quase 12 gigawatts-hora por ano. Agora o maior potencial energético foi identificado no Aeroporto de Perth. Lá, o potencial de geração solar é quase o dobro de toda a produção de Bendigo e igual à produção combinada dos aeroportos de Adelaide, Sydney, Moorabbin e Townsville.


Os pesquisadores ressaltam que mapearam somente os aeroportos governamentais, mas a Austrália tem mais de 150 aeródromos de propriedade privada, que também poderiam instalar painéis solares. Ou seja, o potencial de gerar energia limpa e renovável é gigantesco.


Para a RMIT University, as descobertas também podem ser estendidas para avaliar o potencial solar de outros locais, como grandes edifícios comerciais, armazéns ou centros de distribuição.


O estudo completo, em inglês, você confere no Journal of Building Engineering.

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