Mudanças climáticas, a maior ameaça para monumentos naturais do planeta

Um terço dos 252 espaços naturais incluídos na lista do patrimônio mundial da Unesco está ameaçado pelas mudanças climáticas – alerta um novo relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).


Por AFP


Grande Barreira de Coral: mais de 2.000 quilômetros de rica biodiversidade. (Steve Parish/Flickr)


No total, 94 monumentos naturais, 32 a mais que no último relatório apresentado pela UICN em 2017, estão em risco significativo, ou crítico, devido a fatores como turismo, caça, incêndios, ou poluição das águas.


Segundo a UICN, órgão que reúne mais de 1.400 organizações e governos, as espécies invasoras e exógenas não são mais a maior ameaça a esses sítios naturais excepcionais, mas as mudanças climáticas.


Um dos locais que acaba de entrar na lista é a Grande Barreira de Corais da Austrália, a maior estrutura do planeta criada por organismos vivos, que está em risco de acidificação e aquecimento dos oceanos.


O relatório também inclui várias áreas protegidas do Golfo da Califórnia, no México.

Cerca de 7% desses espaços estão em situação crítica, ou seja, “requerem medidas adicionais urgentes e de conservação em larga escala” para serem preservados, e um terço do total está em risco significativo.


As mudanças climáticas representam uma ameaça elevada, ou muito elevada, para 83 desses monumentos naturais.


Segundo o diretor-geral da UICN, Bruno Oberlé, o relatório “revela as transformações causadas pelas mudanças climáticas nessas áreas naturais protegidas, desde o degelo de geleiras, ou branqueamento de corais, a incêndios e secas que estão-se tornando mais frequentes e sérios”.


Por exemplo, as chamas que atualmente devastam a Ilha Fraser, na Austrália, inscrita no Patrimônio Mundial.


O relatório também lamenta que o Pantanal brasileiro tenha sido severamente afetado por incêndios sem precedentes entre 2019 e 2020.


“O documento enfatiza o quão urgente é encontrar uma solução conjunta e abrangente para os desafios ambientais do planeta”, acrescenta Oberlé.

O relatório também aborda o exemplo dado pela pandemia da covid-19, que mostrou a necessidade de a comunidade internacional “permanecer unida e trabalhar para o bem comum”.


Efeitos do coronavírus


As investigações do relatório da UICN começaram antes da pandemia da covid-19 (que afeta todo planeta de forma mais ou menos intensa), mas a organização incluiu uma análise sistemática do efeito da crise sanitária em áreas naturais protegidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).


A UICN considera que a pandemia e as restrições que a acompanham tiveram um impacto positivo, ou negativo, em 50 deles.

Entre os aspectos positivos, “o mais notável é a diminuição da pressão dos turistas sobre esses ecossistemas naturais”, explica a entidade.


Mas “os aspectos negativos são inúmeros”, ressalta a UICN.


As restrições de viagens ocasionaram uma queda significativa na receita desses locais, e as medidas de prevenção de contágio afetaram o pessoal encarregado de fiscalizá-los, o que deixou a porta aberta para o desenvolvimento de atividades ilegais.

“Esses fatores aumentam o risco de caça ilegal de espécies silvestres e o uso ilegal de recursos naturais”, explica o relatório.


Apesar de todas as ameaças enfrentadas por esses monumentos naturais, a UICN também destaca que oito desses locais melhoraram seu estado de conservação desde seu relatório de 2017.

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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