Mudanças climáticas podem reduzir habitats de espécies em 23% até 2100

Revolução industrial, expansão da produção agrícola, assentamentos e crescimento populacional desde o início de 1800 vêm reduzindo drasticamente o lar de muitos animais.


Por Redação Galileu



Mudanças climáticas podem reduzir habitats em quase um quarto até 2100 (Foto: Creative Commons)


Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, aponta que mamíferos, aves e anfíbios perderam, em média, 18% de seu habitat natural por causa das mudanças climáticas e do uso da terra. Essa perda poderia aumentar para 23% nos próximos 80 anos, de acordo com a pesquisa, publicada nesta sexta-feira (6) na revista Nature Communications.


Os pesquisadores analisaram as mudanças na distribuição geográfica de 16.919 espécies desde o ano de 1700 até os dias atuais. Os dados também foram usados ​​para prever futuras alterações, até o ano de 2100, em 16 diferentes cenários climáticos e socioeconômicos. Quanto mais altas as emissões de carbono, pior será o cenário para a maioria das espécies.


"O tamanho do habitat de quase todas as aves, mamíferos e anfíbios conhecidos está diminuindo, principalmente por causa da conversão de terras por humanos", disse, em nota, Robert Beyer, primeiro autor do relatório. A revolução industrial, a expansão da produção agrícola, os assentamentos e o crescimento populacional desde o início de 1800 reduziram drasticamente o lar de muitos animais.


Além disso, os resultados apontam que o aumento das temperaturas e a mudança nos padrões de chuva irão alterar os habitats significativamente. Inclusive, outros estudos já apontam que grande parte da Amazônia corre se transformar em savana nos próximos 100 anos.


"As espécies na Amazônia se adaptaram para viver em uma floresta tropical. Se as mudanças climáticas fizerem com que esse ecossistema mude, muitas dessas espécies não serão capazes de sobreviver — ou pelo menos serão empurradas para áreas menores de floresta tropical remanescente", afirmou Beyer.


O estudo, por fim, aponta um enorme potencial de ação política para deter, ou reverter parcialmente, perdas ambientais anteriores. “Tudo depende do que fizermos a seguir”, pontuou o cientista.

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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