Rio de mil quilômetros pode estar correndo sob geleiras da Groenlândia

Por meio de radares, cientistas descobriram que a água da região não flui livremente, o que indica que possa haver um longo curso d'água subglacial no local


Por Redação Galileu


Estudos revelam lago subglacial que teria cerca de mil quilômetros (Foto: Christopher Chambers et al, The Cryosphere)


Uma pesquisa publicada recentemente na revista "The Cryosphere" sugere que o derretimento da água proveniente do interior da Groenlândia poderia fluir por toda a extensão de um vale subglacial e sair no Fiorde Petermann, ao longo da costa norte da ilha. A análise pode fornecer informações importantes sobre futuras mudanças climáticas.


Christopher Chambers e Ralf Greve, cientistas do Instituto de Ciência de Baixa Temperatura da Universidade de Hokkaido, no Japão, foram responsáveis pelo estudo. Com um radar, eles mapearam todo o leito rochoso enterrado sob dois a três quilômetros de gelo, na Groenlândia. Modelos matemáticos foram usados ​​para preencher as lacunas e identificar a profundidade da região. As pesquisas mostram que, apesar do longo vale, sua área segmentada impede que a água flua livremente.


Os pesquisadores, em colaboração com a Universidade de Oslo, na Noruega, fizeram várias simulações para comparar como seria a dinâmica da água na região com e sem segmentação. O resultado mostra uma grande mudança em como a água derretida da base da camada de gelo fluiria se o vale fosse realmente aberto.


"Os resultados são consistentes com um longo rio subglacial", diz Chambers, em nota, "mas permanece uma incerteza considerável. Por exemplo, não sabemos quanta água, se houver, está disponível para fluir ao longo do vale e se realmente sai no Fiorde Petermann ou é recongelado, ou foge do vale ao longo do caminho." O curso d'água subglacial se estende desde o local do degelo até o Fiorde Petermann, localizado a mais de mil quilômetros de distância, na costa norte da Groenlândia.


Se a água estiver fluindo, o modelo sugere que ela pode atravessar todo o comprimento do vale porque ele é plano e semelhante ao leito de um rio — sem nenhum bloqueio físico. As simulações também mostram que havia mais fluxo de água em direção ao fiorde com uma base de vale nivelada fixada em 500 metros abaixo do nível do mar do que quando fixada em 100 metros abaixo.


Quando a fusão é aumentada apenas no interior da região conhecida como fusão basal, a descarga simulada é aumentada ao longo de todo o comprimento do vale quando ele é desbloqueado. Isso sugere que uma relação bem sintonizada entre a forma do vale e o gelo sobrejacente pode permitir o desenvolvimento de um longo caminho de água no local.


“Levantamentos adicionais de radar são necessários para confirmar se as simulações são precisas”, diz Greve, que vem desenvolvendo o modelo usado no estudo, denominado Código de Simulação para Folhas de Gelo Polythermal (Sicopolis). "Isso poderia introduzir um sistema hidrológico fundamentalmente diferente para a camada de gelo da Groenlândia. A simulação correta de um sistema hidrológico subglacial tão longo pode ser importante para futuras simulações sob mudanças no clima."

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