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INFORMATIVO

Que calor é esse?

20/12/2018

por Josélia Pegorim – Climatempo

 

 

 

A primavera de 2018 está terminando e teve muitos eventos de frio atípico nos estados do Sul, do Sudeste e em Mato Grosso do Sul. No começo de dezembro ainda geou por vários dias consecutivos na região serrana de Santa Catarina, onde o frio intenso chegou a congelar roupas que ficaram ao relento na madrugada, como se fosse alto inverno. Mas de repente, o calor entrou na roda e dominou as manchetes dos boletins do tempo fazendo quase todo mundo esquecer do estranho (e persistente) frio desta primavera.
 

Fazer muito calor nesta época do ano no Brasil de forma geral é comum. Mas o que muita gente estranhou foi esta mudança marcante na temperatura ocorreu no centro-sul do país. Há vários dias, cidades dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, de todos os estados da Região Sul e do Mato Grosso do Sul têm estado na lista das 10 mais quentes do país, pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia e não é com calor de 30°C, 32°C, mas um calor realmente extremo entre 37°C e 40°C.

 

 

Por que esquentou tanto nos últimos dias?
 

O calor tem feito em particular no centro-sul do Brasil desde o fim da primeira quinzena de dezembro não é um calor qualquer! É um calor de quase 40°C em áreas do Sul, de São Paulo e de Mato Grosso e que atingiu efetivamente o dígito dos 40°C na cidade do Rio de Janeiro.

 

Confira alguns recordes de calor em capitais que ocorreram nos últimos dias da primavera de 2018:

 

 

Rio de Janeiro (RJ): 40,6°C em 18/2/18 - recorde de calor do ano

São Paulo (SP): 34,1°C em 17/12/18 e 34,4° em 18/12/18 - recordes sucessivos de calor para 2018

Curitiba (PR): 33,5°C em 13/12/18 e em 15/12/18 - recorde de calor para este ano

Porto Alegre (RS): 37,9°C em 11/12/18 - recorde de calor para este ano

 

O calor extremo dos últimos dias da primavera de 2018 em estados do centro-sul do Brasil pode ser explicado por uma combinação de fatores atmosféricos e astronômicos.

 

1 - Falta de ar polar

 

A partir de 9 de dezembro, uma mudança na circulação dos ventos sobre a América do Sul fez com que o ar frio de origem polar das frentes frias fosse desviado para o oceano, antes de conseguir penetrar pelo interior do centro-sul do Brasil. A última vez que isto o ar frio foi sentido com força no país foi no dia 8 de dezembro e na madrugada do dia 9.

 

 

2 - Alta pressão e diminuição da chuva

 

Um sistema de alta pressão atmosférica ganhou força sobre o centro-sul do Brasil dificultando a formação e permanência de grandes áreas de instabilidade. Isto permitiu uma grande diminuição da quantidade de nuvens e da frequência da chuva sobre os estados do Sul, na Região Sudeste e em Mato Grosso do Sul deixando espaço para o sol aparecer forte por muitas horas consecutivas.

 

As áreas de instabilidade enfraqueceram, mas com o calor intenso e a umidade do ar relativamente alta, nuvens carregadas continuaram a se formar provocando temporais.

 

 

3 - Proximidade com o solstício de verão

 

Um fator importante que ajuda a explicar o calor excessivo no centro-sul do Brasil nos últimos dias da primavera de 2018 é que são dias próximos do solstício de verão, que ocorre no dia 21 de dezembro às 20h23, pelo horário de Brasília. No calendário civil esta é a data e hora do início oficial do verão no Hemisfério Sul. Astronomicamente o solstício é um momento apenas, que pode ser calculado com anos de antecedência pois só depende do movimento da Terra ao redor do Sol.

 

É justamente nesta época, alguns antes e alguns dias depois do dia do solstício de verão, que o Brasil, e todo o Hemisfério Sul, recebe sua maior densidade de energia solar. É quando temos os dias mais longos do ano e portanto com o maior número de horas de sol disponíveis para aquecer o ar.

 

 

4 - Relevo e aquecimento adiabático

 

Se juntarmos a estes três fatores uma situação de pré-frontal (horas antes da chegada do vento frio de uma frente fria), em que o vento quente vindo do Norte do Brasil se intensifica e também com condições específicas de relevo local, que permita um aquecimento adiabático (ar que desce uma montanha aquece aproximadamente 1°C a cada 100 metros), a temperatura se eleva de maneira muito intensa.

 

Isto explica, por exemplo, o calor de mais de 39°C que já fez duas vezes nos últimos 10 dias em Iguape e em Registro, cidades do sul do estado de São Paulo, ou os 38°C em Morretes, no litoral do Paraná. Os 40,6°C registrados em 18/12/2018 no Rio de Janeiro, recorde de calor para este ano, também tem uma porção de aquecimento adiabático que é sentida na zona oeste carioca por causa do relevo local.

 

Por isso a combinação de dias nas vésperas do solstício de verão, com poucas pancadas de chuva e falta de ar polar faz com que tenhamos um calor bastante acima do normal.

 

 

Maiores temperaturas registradas no Brasil
 

O Piuaí detém oficialmente a maior temperatura já registrada no Brasil. O calor extremo de mais de 41°C em Orleans (SC), Iguape (SP), Criciúma e Urussunga (SC) está relacionado também com o aquecimento adiabático.

 

Fonte: https://goo.gl/18bu8R

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