COP 25: Salles se compromete a combater mudanças climáticas e entidades alertam para 'retrocesso


Ministro do Meio Ambiente falou à plenária da conferência da ONU que Brasil está "fortemente comprometido" em combater as mudanças climáticas; entidades publicaram documento que questiona liberdade de manifestação no país e citam caso recente de prisão de ativistas ambientais em Alter do Chão.


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu nesta terça-feira (10) que o Brasil está "fortemente comprometido" em combater as mudanças climáticas. Ele participou da plenária da conferência da ONU pelo clima (COP 25) que acontece até sexta-feira, em Madri.


Segundo a Radio France, o chefe da pasta destacou iniciativas de governos anteriores, como a adoção do Código Florestal e a expansão dos biocombustíveis, além de valorizar a matriz energética brasileira, composta em 84% por energias renováveis.


O ministro também pressionou os países ricos a acelerarem a implementação de um fundo de US$ 100 bilhões para os países em desenvolvimento poderem adotar mais medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.


“Temos que ir além de belas palavras e providenciar os recursos que podem efetivamente responder às necessidades dos países em desenvolvimento”, disse Salles. “É tempo de ação. Finalizar o Artigo 6 [do Acordo de Paris] é um passo crucial para demonstrar os nossos compromissos."


Alerta para 'retrocessos'


Enquanto o ministro se apresentava na plenária, 124 entidades e mais de 500 ativistas e membros da sociedade civil divulgaram no espaço brasileiro da COP 25 um manifesto de alerta para "retrocessos" no país.


"Ativistas ambientais são presos e têm suas casas invadidas e organizações da sociedade civil têm seus escritórios vasculhados por policiais com base em acusações e mandatos judiciais desprovidos de fundamentos fáticos", defende o manifesto.


A carta citou as prisões de brigadistas em Alter do Chão. No mês passado, quatro ativistas ambientais em Santarém, Pará, foram presos por suspeita de incêndio criminoso na Área de Proteção Ambiental (APA). Em dois dias foram soltos por falta de provas, mas as investigações ainda seguem.


Entre os signatários do documento apresentado em Madri estão seis ex-ministros do Meio Ambiente, como Marina Silva e Carlos Minc; artistas como o cineasta Fernando Meirelles, e cientistas como o climatologista Carlos Nobre.


O documento foi divulgado no marco do Dia Internacional dos Direitos Humanos, data estabelecida pela ONU em 1968.


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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