Cataratas do Iguaçu voltam a normalidade após chuvas no Sul


Depois de ter sua vazão drasticamente reduzida, que fez com que parte de suas exuberantes quedas d’água desaparecessem, as Cataratas do Iguaçu voltam a sua vazão média e ao seu esplendor, graças ao retorno das chuvas a região Sul do Brasil!

Cataratas do Iguaçu voltam ao normal após chuvas volumosas que caíram no Sul do Brasil. Imagem: William Brisida/RPC.

A região Sul do Brasil registrou um déficit de chuvas desde novembro de 2019 até meados do mês de maio desse ano. A escassez de chuvas fez com que os níveis de rios e reservatórios reduzissem drasticamente, resultando num grave episódio de estiagem e crise hídrica em grande parte da região.

Um dos principais pontos turísticos da região, as famosas Cataratas do Iguaçu, também foi drasticamente afetado pela estiagem. No início de abril o Rio Iguaçu registrou a menor vazão do ano, de 259 mil litros de água por segundo (259 m³/s), muito abaixo da vazão média de 1.5 milhões de litros por segundo. Essa redução da vazão alterou completamente a paisagem, secando diversas quedas que compõe as cataratas, expondo seus paredões rochosos.

A partir da segunda metade do mês de maio as chuvas começaram a surgir aos poucos pela região, porém foi no final do mês que as chuvas mais volumosas surgiram. A passagem de forte frente fria entre os dias 21 e 23 de maio, associada a um ciclone extratropical, ocasionou acumulados diários de chuvas superiores a 100 mm em diversas partes do Sul. Essas chuvas colaboraram para um aumento da vazão do Rio Iguaçu, que voltou a registrar vazões da ordem de 1 milhão de litros por segundo.

A partir de então outros ciclones extratropicais se formaram próximo ao Sul e suas frentes frias colaboraram com bons volumes de chuva, quebrando o cenário e padrão associado a estiagem que até então vigorava. Apesar de também termos observado a formação de ciclones extratropicais próximos a costa no mês de abril, esses sistemas não conseguiram organizar as chuvas na região devido à ausência de um importante elemento meteorológico que corrobora com as chuvas, os Jatos de Baixos Níveis.

Os Jatos de Baixos Níveis são responsáveis por carregar parte da umidade da região Norte do país para o Sul. Essa umidade quando converge sobre os estados do Sul, a partir da interação com um sistema frontal ou um cavado nos níveis médios, gera bons acumulados de chuva. O último episódio de chuva intensa ocorrido entre os dias 9 e 11 de maio, resultante da combinação desses jatos e um cavado em níveis médios da atmosfera, gerou acumulados de chuva de 100 a 200 mm no oeste de Santa Catarina e Paraná. Em Santa Catarina inclusive foi reportada a ocorrência de um tornado!

Após as chuvas dos dias 9 a 11, as Cataratas do Iguaçu finalmente voltaram a registram vazões entre 1.3 a 1.7 milhões de litros por segundo, dentro da média esperada, em alguns momentos chegando até a 1.9 milhões de litros! Antes disso, a última vez que havia sido registrada a vazão média normal foi no dia 18 de janeiro de 2020, de acordo com a Companhia Paranaense de Energia (Copel).

De acordo com as previsões, as chuvas continuarão a ocorrer no Sul do Brasil, aliviando as marcas deixadas pela estiagem, porém elas não devem ocorrer de forma persistente, e sim esporadicamente, com eventos que poderão ser significativos. A previsão climática desse trimestre de inverno indica acumulados dentro da normalidade ou até mesmo acima da média em boa parte da região Sul.


Fonte

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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