5 maneiras pelas quais a mudança climática afeta sua saúde

Por Redação Climatempo




Um relatório chamado Contagem Regressiva Lancet: Saúde e Mudança Climática é emblemático em mostrar a ligação entre adoecimento, mortalidade e aquecimento global. O estudo, liderado pela revista científica The Lancet, a mais respeitada na área médica em nível mundial, rastreia 40 indicadores sobre os vínculos entre saúde e mudança do clima. E a edição deste ano apresenta as perspectivas mais preocupantes até o momento.


Mas há boas notícias também. A Contagem Regressiva da Lancet mostra como esforços para limitar o aumento da temperatura para bem abaixo de 2°C (meta que garante que a estabilidade do clima da Terra seja mantida) e a recuperação pós-pandemia podem proporcionar benefícios econômicos e de saúde já no curto prazo.

Aqui estão cinco conclusões-chave do relatório que mostram como a saúde e a mudança climática estão intimamente ligadas.

O calor extremo está em ascensão


Com a frequência e a gravidade das ondas de calor aumentando a um ritmo alarmante, o calor é uma ameaça à saúde em escala global. Como na Covid-19, os idosos são particularmente vulneráveis, mostrando como a mudança climática pode reforçar as desigualdades existentes na saúde.

O relatório mostra que a Europa é a região mais vulnerável a esses impactos devido ao envelhecimento de sua população. Globalmente, nos últimos 20 anos, houve um aumento de 54% de mortes relacionadas ao calor para pessoas com mais de 65 anos de idade.

Queimadas estão aumentando


Os aumentos do calor extremo e da seca estão provocando mais incêndios que estão afetando cada vez mais pessoas. O estudo mostra que 128 países viram um número maior de pessoas expostas a incêndios nos últimos quatro anos em comparação com o início dos anos 2000. Além de causar uma perda de vidas devastadora, a fumaça dos incêndios florestais pode ser prejudicial à saúde cardiovascular e respiratória.

Três países particularmente afetados são a Austrália, os EUA e o Brasil. De acordo com o documento, os EUA, em particular, sofreram alguns dos maiores aumentos no número de pessoas afetadas pelos incêndios nas últimas duas décadas.


Queima de combustível fóssil piora qualidade do ar


A poluição do ar, impulsionada pela queima de combustíveis fósseis, mata 7 milhões de pessoas a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Tomar medidas para reduzir o uso de combustíveis fósseis não só limitaria o aquecimento global, mas também protegeria nossa saúde.

Há sinais de progresso destacados no relatório, por exemplo, na Europa, onde a perda de vidas devido à poluição do ar diminuiu em decorrência de políticas públicas, como a fixação de um padrão veicular menos poluente, o EURO 6. No Brasil, a aplicação de um padrão equivalente, o PROCONVE 8, vem sendo postergada a pedido dos fabricantes de automóveis.

Considerando apenas as reduções nos países da UE de 2015 a 2018, se essas melhorias fossem mantidas constantes durante toda uma vida útil, elas levariam a uma redução nos anos de vida perdidos que os economistas da área da saúde avaliaram em US$ 8,8 bilhões por ano. Estas enormes somas apoiam os argumentos a favor de medidas de estímulo verde na Europa e fora dela.

A transmissão de doenças está aumentando


Décadas de progresso no combate a doenças mortais transmitidas por mosquitos, a dengue e a malária estão em risco devido à mudança climática. O aumento das temperaturas e a mudança dos padrões de chuva estão facilitando a adequação climática dos mosquitos transmissores de doenças, ameaçando áreas anteriormente não afetadas.


O relatório relata um aumento na adequação climática para a transmissão da malária nas regiões montanhosas da África, do Pacífico Ocidental, das Américas e do Sudeste Asiático, o que significa que muito mais pessoas poderiam ser afetadas por essa doença.

O documento também indica que o mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue e febre amarela, está cada vez mais adaptado às áreas urbanas de Brasil e Peru devido principalmente ao aumento das estiagens. Com mais temporadas secas, o fornecimento de água fica irregular, levando os cidadãos a armazenar água de maneira, muitas vezes de maneira improvisada — tudo que o inseto precisa para se reproduzir.


Nossa alimentação é o motor da mudança climática


A produção de alimentos representa um quarto das emissões mundiais de gases que causam o efeito estufa, e 9 milhões de mortes a cada ano estão ligadas a dietas ruins.

O relatório examinou, por exemplo, as mortes por excesso de consumo de carne vermelha, descobrindo que a mortalidade aumentou 70% nos últimos 30 anos, com a maioria dos quase 1 milhão de mortes por ano ocorrendo no Pacífico Ocidental e na Europa.

Como a pecuária é particularmente intensiva em emissões, as mudanças na produção e consumo de alimentos poderiam ajudar a proteger nossa saúde e o meio ambiente ao mesmo tempo.

Como mostrado no relatório Contagem Regressiva, responder às crises convergentes do clima e da Covid-19 pode proporcionar uma tripla Vitória: melhor saúde pública, uma economia sustentável e proteção ambiental. A ação climática pode garantir ar mais limpo, dietas mais saudáveis e cidades mais habitáveis para todos.

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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