Cientistas descobrem principal fator de morte das árvores na Amazônia

Especialistas analisaram registros de mais de 30 anos do bioma e chegaram à conclusão de que as espécies que crescem mais rápido têm menor expectativa de vida.


Por Redação Galileu



Segundo cientistas, espécies de árvores da Amazônia que crescem mais rápido são as que morrem mais cedo (Foto: Wikimedia Commons)


desmatamento e a consequente perda de biodiversidade na Amazônia preocupam cientistas do mundo todo. Pensando nisso, um estudo coliderado pelas Universidades de Birmingham e de Leeds, na Inglaterra, descobriram o principal fator de risco para a mortalidade das árvores no bioma da América do Sul


Segundo o artigo, publicado na revista científica Nature Communications, as árvores que crescem mais rápido são as que morrem mais cedo e as mais afetadas pelas mudanças climáticas. Consequentemente, armazenam menos CO2, afetando o ciclo do carbono na atmosfera.  


A pesquisa não explica os mecanismos por trás disso, mas saber essa informação pode auxiliar os especialistas na tomada de decisões. "Compreender os principais fatores que causam a morte de árvores nos permite prever e planejar melhor as tendências futuras", afirma Adriane Esquivel-Muelbert, em nota, líder da pesquisa. "Mas este é um grande empreendimento, pois existem mais de 15 mil espécies de árvores diferentes na Amazônia."


A equipe analisou registros de mais de 30 anos coletados pela rede internacional RAINFOR. Eles incluem informações de 189 áreas de um hectare cada, que foram visitadas e monitoradas por três anos. A cada visita, os pesquisadores mediram todas as árvores acima de 10 centímetros de diâmetro, bem como sua condição.


No total, mais de 124 mil árvores vivas foram monitoradas e 18 mil mortes registradas e investigadas. Quando elas morrem, o pesquisador segue um protocolo fixo para desvendar quais foram as causas. “Isso envolve um trabalho forense detalhado e equivale a um enorme esforço conduzido por investigadores qualificados de uma dezena de nações”, observa o pesquisador Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.


A expectativa é que agora seja possível entender o que está acontecendo em toda a floresta e pensar em formas de ação. "Descobrimos que a seca também está causando a morte de árvores, mas até agora apenas no sul da Amazônia. O que está acontecendo aqui deve servir como um sistema de alerta precoce, pois precisamos evitar que o mesmo destino atinja árvores em outros lugares", alerta Beatriz Marimon, da Universidade do Estado de Mato Grosso, que coordena vários lotes estudados na região central do Brasil.

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