NASA captura imagem rara da Patagônia no inverno


No sul da América do Sul, as nuvens costumam dominar o céu. Mas, em junho de 2020, os padrões climáticos permitiram uma visão limpa e rara da Patagônia no inverno.


por Amanda Sampaio - Climatempo

Na imagem abaixo, capturada no dia 26 de junho pelo Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada (MODIS), do satélite Aqua da NASA, o céu estava limpo em quase toda a Patagônia, que abrange mais de 1 milhão de quilômetros quadrados do extremo sul do continente. Além disso, é possível observar a neve desde as encostas ocidentais da Cordilheira dos Andes, no Chile, até as planícies costeiras da Argentina.



Fonte: MODIS/NASA


De acordo com René Garreaud, professor da Universidade do Chile, é incomum ver uma área tão livre de nuvens na Patagônia. "A última vez que vi uma imagem completamente clara foi em fevereiro de 2019", afirma Garreaud. Naquela época, durante o verão do Hemisfério Sul, as altas temperaturas sazonais limitaram a neve e o gelo principalmente ao topo dos Andes e aos campos de gelo da Patagônia.

A região é geralmente nublada em imagens de satélite devido à ocorrência de tempestades durante o ano todo. A ponta sul do continente mergulha em uma faixa de ventos predominantes no oeste, ao longo da qual os sistemas de alta e baixa pressão constantemente flutuam para leste. O terreno também aumenta a nebulosidade da região: quando os ventos encontram os Andes, o ar úmido que sopra do Oceano Pacífico é forçado para cima, onde esfria e se condensa em nuvens.

Em junho, um sistema de alta pressão se estabeleceu sobre a Passagem de Drake - via navegável ao sul do continente - e deixou o céu limpo na região mais ampla da Patagônia. O sistema meteorológico ficou parado por quase uma semana e provocou a ocorrência do fenômeno conhecido como "bloqueio alto", que impede o movimento típico das massas de ar. Nesse caso, ventos de oeste foram forçados a fazer um desvio.

Como consequência do bloqueio alto, temperaturas excepcionalmente baixas se estenderam da Patagônia até o Paraguai e a Bolívia. O céu sem nuvens permite que o calor acumulado próximo à superfície da terra escape facilmente para o espaço, o que resulta em temperaturas mais baixas. Além disso, os ventos ocidentais desviados traziam ar frio da Antártica e o canalizavam direto para o sul da Patagônia.

As temperaturas baixas mantiveram o platô da Patagônia na Argentina coberto de neve, que caiu durante uma grande tempestade de 23 a 24 de junho. Partes do sul dos Andes recebem uma quantidade grande de precipitação a cada ano, que chegam a mais de 500 centímetros (200 polegadas). No entanto, é menos comum ver nevascas no leste, uma região árida do continente que recebe menos de 30 centímetros (12 polegadas) de precipitação de neve a cada ano.



Fonte: MODIS/NASA


O "surto" de ar gelado, no entanto, não foi suficiente para congelar os lagos profundos a leste do campo de gelo (imagem acima). "Mesmo no inverno, as temperaturas do ar na superfície geralmente são superiores a 0°C", afirma Garreaud. "Portanto, o evento frio foi intenso, mas não o suficiente para congelar esses lagos". Com isso, a cor turquesa dos lagos - resultado da "farinha glacial" - contrasta ainda mais com a neve branca ao seu redor.

Este texto é uma tradução e adaptação de conteúdo publicado pelo Earth Observatory/NASA. Para acessar a publicação original, clique aqui.




21 visualizações

O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

Criatividade Coletiva