Queda na radiação solar pode ser explicação para eras glaciais da Terra

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estudaram a fundo fenômeno conhecido como "Terra bola de neve", que aconteceu há 700 milhões de anos


Por Redação Galileu


Um novo estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, revela informações importantes sobre o que levou nosso planeta a ficar completamente coberto por gelo milhões de anos atrás. Segundo os cientistas, pequenas variações da radiação solar podem ter levado ao fenômeno, conhecido como "Terra bola de neve".


A pesquisa foi publicada nesta terça-feira (28), no periódico Proceedings of Royal Society A. Para compreendê-la, entretanto, primeiro é preciso entender o que é a tal "Terra bola de neve" e as principais teorias sobre o assunto.


Queda da radiação solar contribuiu para Terra congelar há 700 milhões de anos (Foto: NASA, Christine Daniloff, MIT)


Acredita-se que, ao menos duas vezes na história do nosso planeta, quase todo o globo terrestre foi envolto em uma camada de neve e gelo. Esses eventos ocorreram há aproximadamente 700 milhões de anos e deram início às eras glaciais — que, por sua vez, pavimentaram o caminho para um boom de vida complexa e multicelular por aqui.


Os cientistas concordam que eventos do tipo provavelmente foram influenciados por um processo de feedback envolvendo o albedo do gelo. Essa propriedade mede a capacidade que determinado material tem de refletir a luz que incide sobre ele.


No caso da "Terra bola de neve", os pesquisadores acreditam que, à medida que mais gelo foi cobrindo o globo, maior foi se tornando o albedo da superfície terrestre e menor foi ficando sua capacidade de absorver calor. Tudo isso, então, fez com que a área congelada se expandisse cada vez mais, resultando em uma glaciação global.


Entretanto, por conta do ciclo do carbono, a "bola de neve" gigante logo derreteu. Quando o planeta não está coberto de gelo, os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera são em parte controlados pelo intemperismo de rochas e minerais. Isso não acontece quando está tudo coberto de gelo, o que leva a um aumento de CO2 na atmosfera e, então, ao efeito estufa — que, eventualmente, aquece o planeta e leva ao derretimento do gelo.


"Existem muitas ideias sobre o que causou essas glaciações, mas todas realmente se resumem a alguma modificação implícita da radiação solar", afirmou Constantin Arnscheidt, um dos autores do estudo do MIT, em declaração à imprensa.


Por isso, Arnscheidt e outros cientistas da instituição resolveram explorar mais a fundo a relação entre a radiação solar e o fenômeno. Para isso, desenvolveram um modelo matemático do sistema climático da Terra que relaciona as mais diversas variáveis que podem interferir no congelamento do planeta.


O que eles perceberam é que a Terra tem maior probabilidade de congelar se a radiação recebida do Sol diminuir rapidamente em um curto período geológico. Não é certo qual seria exatamente essa taxa, mas os estudiosos estimam que a Terra precisaria receber 2% menos luz solar por um período de 10 mil anos para se transformar em uma bola de neve. 


O que levou nosso planeta a absorver menos luz no passado, contudo, permanece um mistério. Uma possibilidade é que vulcões possam ter expelido aerossóis na atmosfera, bloqueando a entrada de luz solar em todo o mundo. Outra é que as algas primitivas teriam desenvolvido mecanismos que facilitaram a formação de nuvens refletoras da luz.


Arnscheidt pondera que, provavelmente, a humanidade não causará uma nova era glacial na Terra — mas o estudo traz reflexões importantes sobre as mudanças climáticas. "Devemos ter cuidado com a velocidade com que estamos modificando o clima terrestre, não apenas com a magnitude da mudança", disse.

Além disso, as descobertas podem ajudar na busca de vida em outros planetas, pois o estudo indica que exoplanetas hoje congelados podem ter sofrido mudanças climáticas radicais num passado recente. "Você pode ter um planeta situado bem na zona habitável clássica, mas, se a luz [de sua estrela] mudar muito rápido, terá uma 'bola de neve planetária'", disse o pesquisador. "Isso destaca a noção de que há muito mais nuances no conceito de habitabilidade."

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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