Terra já perdeu 28 trilhões de toneladas de gelo desde 1994

Segundo estudo britânico, é possível que o nível do mar suba até 1 metro até o fim do século se o ritmo de degelo atual continuar


Por Redação Galileu



Terra já perdeu 28 trilhões de toneladas de gelo desde 1994 (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace)


Uma pesquisa realizada pelas universidades de Leeds e de Edimburgo, além da Universidade College London, todas no Reino Unido, constatou que 28 trilhões de toneladas de gelo desapareceram da superfície da Terra desde 1994. O artigo foi publicado este mês na revista Cryosphere Discussions


Com imagens de satélite, os cientistas viram que o derretimento de geleiras e mantos pelo mundo pode fazer com que o nível do mar suba drasticamente, podendo chegar 1 metro a mais até o final do século. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o professor Andy Shepherd, diretor do Centro para Observação Polar e Modelagem da Universidade de Leeds, disse que cada centímetro de elevação do nível do mar implica o deslocamento de milhões de pessaos que vivem em regiões mais baixas em relação ao nível do mar. 



Gráfico aponta alteração da espessura do gelo nos hemisférios Sul e Norte nas últimas décadas (Foto: Slater, et al. (2020))

As descobertas foram feitas uma semana depois que pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, constataram que a camada de gelo da Groenlândia, a maior do mundo, pode ter passado de um ponto sem retorno. A queda de neve que repõe as geleiras por lá anualmente não consegue mais acompanhar o ritmo do degelo, o que significa que a ilha continuará perdendo gelo mesmo que as temperaturas globais parem de subir.


Nesse ritmo, as consequências serão graves para a saúde biológica dos oceanos — com litros e mais litros de água doce sendo despejados — e a redução da capacidade do planeta de refletir a radiação solar de volta ao espaço. O mar e o solo abaixo desse gelo também estão absorvendo mais calor, aumentando ainda mais o aquecimento do planeta.


Mesmo com os avisos dos cientistas ao longo dos anos, as emissões que contribuem para o aumento das temperaturas globais não pararam de subir. De acordo com o Met Office, serviço de meteorologia do Reino Unido, houve um aumento de 0,14°C nas temperaturas globais entre as décadas de 1980 e 1990, e de 0,2°C em cada década seguinte. Essa taxa vai continuar crescendo, em cerca de 0,3ºC por década, à medida que as emissões de carbono continuarem sem controle.

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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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